PSD quer auditoria ao Banif que recue até governo Sócrates

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Maior partido da oposição propõe uma avaliação independente, além da comissão de inquérito.

O PSD quer uma auditoria “externa e independente” à gestão do Banif que recue até à primeira década deste século, nomeadamente ao tempo dos governos de José Sócrates e que se estenda até às últimas semanas antes da venda da actividade do banco ao Santander.

Numa proposta de resolução ontem entregue no Parlamento, a par de uma outra para a criação de uma comissão de inquérito parlamentar à crise e venda do Banif, o PSD desafia António Costa a abrir um concurso público para nomear uma entidade que faça uma investigação externa e “transparente” à gestão do banco nos últimos anos, que atravesse vários governos e que analise todos os pontos.

O PSD quer que a auditoria incida sobre as “origens do desequilíbrio financeiro na primeira década deste século”, que apure “imparidades”, actos de gestão penalizadores para o banco e que levaram à “necessidade de recapitalização do Estado em 2013”. E que se debruce, também, sobre a evolução do banco desde essa data e o que “conduziu à degradação nas últimas semanas” antes da alienação da actividade ao Santander, o que já aconteceu durante o Governo de António Costa. Mais: o PSD quer que sejam também auditadas as “diversas alternativas que se colocaram às entidades públicas, nomeadamente as propostas dos vários interessados”.

O PS não deu ainda resposta a este repto, que já tinha sido, aliás, lançado pelo PSD num debate no Parlamento e sugerido pelo ex-líder social-democrata Marques Mendes no seu espaço de comentário semanal. O PSD entende que os três mil milhões de euros, estimados como impacto para as contas públicas, justifica uma auditoria externa.

Ao mesmo tempo, o maior partido da oposição apresentou uma proposta para a criação de uma “comissão eventual de inquérito parlamentar à gestão do Banif, ao processo que conduziu à aplicação da medida de resolução e alienação da sua actividade e às suas consequências. Também no objecto desta comissão, o PSD quer que seja avaliada a actuação “pelos governos ao longo dos anos” e, aqui, concretiza mesmo a data de 2008, era primeiro-ministro José Sócrates.

Para os social-democratas, é preciso “avaliar as condições e o modo de exercício das atribuições próprias das entidades públicas nacionais e europeias competentes desde 2008, em especial a actuação de governos, supervisores, Comissão Europeia e BCE”. As duas propostas vão ser debatidas no próximo dia 22. Sobre a comissão de inquérito, PS, PCE, PEV e BE estão a tentar um texto comum. O CDS articulará o seu texto com o PSD.