Banif: “um problema envenenado”, diz primeiro-ministro

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Diário de Notícias

António Costa volta à Quadratura do Circulo pela primeira vez desde que foi eleito primeiro-ministro

Pela primeira vez, desde que se assumiu como candidato a chefe do governo e depois de ter sido eleito primeiro-ministro, António Costa volta ao programa Quadratura do Circulo, emitido pela SIC Notícias. À mesa com Pacheco Pereira, António Lobo Xavier, Jorge Coelho (que ocupou o lugar deixado vago por António Costa) e moderado por Carlos Andrade.

Questionado por Pacheco Pereira sobre o processo que envolveu a venda do Banif e se esta era a solução possível, António Costa foi taxativo: “Era um problema envenenado no momento em que foi preciso tomar uma decisão”. O primeiro-ministro recordou o processo de três anos, depois do governo ter injetado capital no banco, em que a Comissão Europeia recusou oito planos de reestruturação por motivos diferentes.

“Em dezembro de 2014 houve uma carta final da comissária da concorrência dirigida à ministra das Finanças dizendo que há três que faziam adiamentos, primeiro porque havia planos de reestruturação e depois para Portugal não perder o bom impacto da saída limpa do reajustamento e que até maio tinha de ser apresentado um plano com os requisitos que referiam. Há um ano a Comissão Europeia permitia que o banco continuasse mas sem atividade no continente. Nada aconteceu e quando chegámos a questão colocava-se com muita urgência”, disse António Costa, lembrando a alteração das regras bancárias a 1 de janeiro, que penalizariam credores e depositantes, e os levantamentos feitos duas antes que obrigaram o banco a recorrer à linha de emergência do Banco de Portugal.

Ao mesmo tempo decorria o processo de venda que terminava na sexta-feira anterior ao anúncio da resolução. “As propostas de caráter vinculativo, nenhuma delas permitia a alienação do Banif sem ser abaixo do seu valor e que equivalia sempre a ajuda do Estado. Existiram algumas propostas, como a referida pelo jornal Público, que dizia expressamente que não era vinculativa. Esperamos até ser possível que passasse a vinculativa”, explicou, acrescentando que é “muito importante que exista uma comissão de inquérito para esclarecer toda a situação”.