BCE decidiu venda do Banif ao Santander na manhã de sábado, 19 de dezembro

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Observador

Presidente do Mecanismo Único de Supervisão enviou e-mail a Mário Centeno, nas primeiras horas de sábado, a recomendar que o Governo não perdesse tempo e aceitasse a oferta do Santander.

A presidente do Mecanismo Único de Supervisão, o novo supervisor bancário que opera sob a alçada do BCE, enviou um e-mail a Mário Centeno às 9h51 de sábado, 19 de dezembro, a indicar que uma chamada de teleconferência com o Santander tinha corrido “muito bem” e que, porque outras propostas em cima da mesa não cumpriam as regras europeias, não valia a pena “perder tempo” com uma tentativa de as fazer aprovar junto da Comissão Europeia.

O jornal Expresso teve acesso ao e-mail enviado por Daniele Nouy em que a francesa diz que o Santander tinha vindo a “comportar-se de maneira muito profissional e tem um departamento legal excelente”. E acrescenta que os juristas da Direção-geral da Concorrência (da Comissão Europeia) “vão começar a trabalhar diretamente com o Santander assim que as autoridades estiverem prontas para começar o processo”.

 O “processo” era a venda da operação bancária do Banif ao Santander, no âmbito de uma resolução, depois do fracasso da venda voluntária da participação do Estado. Uma venda voluntária que, segundo o Expresso, desde novembro que era vista como uma formalidade por Bruxelas já que há muito se acreditava que não haveria alternativa à resolução.

As “outras ofertas” a que se referia Daniele Nouy seriam, presume-se, as dos fundos de capital privado que, como o Banco de Portugal já explicou, não poderiam comprar o Banif num cenário de resolução porque não tinham licença bancária para operar neste mercado. Ou seja, podiam ser candidatos à compra da posição do Estado – herdando a licença bancária e mantendo a marca Banif – mas não num cenário em que o banco tinha sido alvo de uma resolução.

O que o e-mail a que o Expresso teve acesso não esclarece é o papel que teve o Banco Popular espanhol. O jornal diz, citando outras fontes, que o Banco de Portugal insistiu que o Banco Popular fosse a jogo, o que seria crucial para se poder dizer que iria existir “uma tensão competitiva” entre os dois espanhóis. O Popular terá tido uma reunião no Banco de Portugal na manhã de sábado – mais ou menos à hora em que chegava o e-mail de Daniele Nouy – e, numa reunião às 18 horas de sábado, a instituição liderada por Carlos Costa falava nessa “tensão competitiva”, mas o que se sabe é que o Banco Popular acabaria por não avançar com uma proposta vinculativa até à manhã de domingo, como fez o Santander.