Apollo oferece 10 milhões à família Roque pela Açoreana

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Apollo negoceia compra de 52% do capital. Supervisor e Governo preferem solução que mantenha empresa e postos de trabalho.

A Apollo foi seleccionada para entrar em negociações exclusivas para a compra da Açoreana, com o prazo negocial a decorrer até à próxima sexta-feira. A gestora de fundos americana apresentou uma proposta de cerca de 10 milhões de euros pela maioria do capital da Açoreana, propondo assumir também parte dos custos com rescisões de funcionários, apurou o Diário Económico.

A oferta da Apollo, avançada através da subsidiária luxemburguesa Calm Eagle, diz respeito apenas aos 52% detidos pela SOIL, da Rentipar, a holding da família de Horácio Roque. Os outros 48% pertencem ao Oitante, um veículo detido pelo Fundo de Resolução, não estando abrangidos por esta proposta.

“A Apollo não faz comentários, para já, sobre essa informação”, respondeu fonte oficial da gestora de fundos americana, quando questionada se ofereceu 10 milhões de euros pela participação de controlo da seguradora portuguesa.

O processo de venda em curso – que decorre sob a alçada da autoridade reguladora dos seguros e fundos de pensões (ASF) – está a ser assessorado pelo Citi. Mas o Governo também terá uma palavra decisiva no processo de venda, dado que o Fundo de Resolução é tutelado pelas Finanças. Tanto o Governo como o supervisor dos seguros não vêem com bons olhos a eventual venda da seguradora em “fatias”, pelo que as propostas que assegurem a continuidade da empresa e a manutenção dos postos de trabalho terão vantagem.

Os dois outros candidatos à compra da Açoreana – Allianz e Caravela – foram notificados na sexta-feira, pelo assessor financeiro da venda, o Citi, sobre a entrada em negociações em exclusivo com a Apollo. Mas aqueles interessados poderão ser chamados novamente às negociações, se não for possível chegar a um acordo com a Apollo, no prazo previsto.

A Açoreana é uma das principais seguradoras portuguesas. Tem cerca de 700 funcionários e uma rede de 42 balcões, com um activo total superior a 1,2 mil milhões de euros. A Açoreana necessita de um aumento de capital para cumprir as novas metas de Solvência II, que entraram em vigor este mês. Segundo noticiou recentemente o “Negócios”, as necessidades de capital da seguradora ascendem a 50 milhões de euros. Parte destas necessidades dever-se-á a perdas registadas com a participação que a seguradora detinha no seu accionista Banif, que em Dezembro foi alvo de uma medida de resolução.

Sindicato pede ao Governo para travar venda às “fatias”
Segundo um email ontem enviado aos trabalhadores da Açoreana, o Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Seguradora (STAS) está preocupado com as notícias sobre a eventual venda da Açoreana às “fatias”, no âmbito do processo de venda em curso.

“Tendo em conta algumas notícias veiculadas pela comunicação social, não podemos deixar de expressar junto de V. Exas, a nossa preocupação por uma eventual opção que não assegure a aquisição total da seguradora e bem assim a garantia da universalidade dos seus trabalhadores que deverão passar para a entidade que venha a ser a escolhida”, adiantou a missiva enviada aos ministros do Trabalho e das Finanças, que foi ontem divulgada num email enviado aos trabalhadores da Açoreana.

Na carta enviada ao Executivo, o STAS recorda que numa reunião a 28 de Dezembro, o Governo lhe transmitiu que partilhava da preocupação com os postos de trabalho.