Banif: PCP pede documentação adicional

Citamos

Económico

Pedido apresentado ao Banco de Portugal pelo grupo parlamentar comunista.

O grupo parlamentar do PCP pediu hoje documentação adicional ao Banco de Portugal (BdP) no âmbito do inquérito ao processo de resolução do Banif, num dia em que os socialistas endureceram as críticas ao governador, Carlos Costa.

No parlamento português, o líder parlamentar do PS, Carlos César, defendeu mudanças no BdP, considerando que os depositantes e utilizadores do sistema financeiro têm de recuperar a confiança e que a imagem do regulador é de crescente fragilidade.

Em Bruxelas para o Conselho Europeu, o primeiro-ministro, António Costa, escusou-se a comentar se Carlos Costa deve abandonar o cargo de governador do Banco de Portugal (BdP), recordando que a instituição “goza de independência”, enquanto o ex-primeiro-ministro e líder do PSD, Passos Coelho, reconheceu haver “factos que têm gravidade” no caso dos lesados do BES, embora remetendo comentários para quando estiver em Lisboa.

Entretanto, os deputados comunistas, que já tinham pedido audiências a Passos Coelho, seus ministros das Finanças, além do actual, Mário Centeno, e também ao governador do BdP, entre outras personalidades, na Comissão Parlamentar de Inquérito à resolução do Banif, apresentaram hoje novos pedidos de documentos aos já efectuados junto de diversas entidades.

“Todos os relatórios do BdP e de equipas técnicas do BdP sobre o Banif. O relatório de auditoria interna da Comissão de Avaliação do BdP sobre a supervisão no caso do BES. Os relatórios e conclusões dos ‘testes de stress’ realizados ao Grupo Banif”, constam do novo requerimento dos parlamentares do PCP.

O “avaliar” do “comportamento da autoridade de supervisão financeira, o Banco de Portugal, sobre o caso Banif, é um dos objectivos da comissão parlamentar de inquérito sobre a venda do banco.

O processo de venda, em Dezembro de 2015, irá dominar os trabalhos para se proceder à “avaliação de riscos e alternativas” da decisão, “no interesse dos seus trabalhadores, dos depositantes, dos contribuintes e da estabilidade do sistema financeiro”.

A 20 de Dezembro o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da actividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros activos – incluindo ‘tóxicos’ – para a nova sociedade veículo.

A resolução foi acompanhada de um apoio público de 2.255 milhões de euros, sendo que 1.766 milhões de euros saem directamente do Estado e 489 milhões do Fundo de Resolução bancário, que consolida nas contas públicas.