Passos Coelho: Conflito entre António Costa e Carlos Costa é grave

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O anterior primeiro-ministro, que decidiu a recondução de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal, não se quis alongar sobre as críticas de António Costa ao regulador. Mas afirma que os factos são “graves”.

Portugal vive um momento de “gravidade”, segundo afirma Pedro Passos Coelho quando questionado sobre os ataques que António Costa tem dirigido ao governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.

“Há factos que têm gravidade, não vou disfarçar, e que se estão a passar em Portugal”, disse o antigo primeiro-ministro em Bruxelas, segundo declarações transmitidas pela TVI24, quando questionado sobre o tema.

Na capital belga, Passos Coelho não quis adiantar mais pormenores mesmo apesar das perguntas repetidas dos jornalistas. São questões “graves mas que merecem ser devidamente respondidas”, disse, remetendo mais comentários para quando regressar a Lisboa.

Foi Pedro Passos Coelho que, no ano passado, optou por reconduzir Carlos Costa como governador do Banco de Portugal, mesmo enfrentando a oposição da esquerda parlamentar. Na altura, o PS já questionava o governador mas com a chegada de António Costa ao poder as críticas subiram de tom.

Esta quarta-feira, o actual primeiro-ministro dirigiu mesmo farpas ao governador no caso do papel comercial: “Tenho de lamentar a forma como a administração do Banco de Portugal tem vindo a arrastar uma decisão sobre estas matérias”, declarou o líder do Executivo num evento de divulgação do Simplex, em Aveiro.

Um dia depois, António Costa voltou a lamentar que o Banco de Portugal esteja a adiar “aquilo que é o mínimo num Estado de Direito” mas lembrou que o regulador “goza de independência”, pelo que não pode ser afastado.

Estas não foram críticas inéditas do primeiro-ministro ao líder do regulador do sector financeiro, já que já tinha questionado os seus poderes de resolução e a opção de troca de dívida sénior no Novo Banco, que se encontra agora cercado de ataques.