Passos defende investigação à venda do Banif ao Santander

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Diário de Notícias

Líder do PSD insinuou que houve uma ligação de uma notícia da TVI, em dezembro, ao negócio que acabou por ser feito com o banco espanhol

Pedro Passos Coelho defendeu, esta terça-feira, que a venda do Banif ao Santender deve ser investigada. Ainda que não afirmasse claramente se tem suspeitas sobre a forma como tudo decorreu, o líder do PSD lançou algumas dúvidas: “Porque é que houve uma televisão que deu uma notícia e depois houve uma fuga de depósitos?”, declarou, referindo-se a uma informação veiculada, em dezembro, do ano passado pela TVI sobre uma acção iminente do Banco de Portugal no Banif.

Sobre este tema, numa entrevista à SIC, Passos Coelho rejeitou que o seu governo tenha “empurrado com a barriga” o problema, garantindo que o seu executivo “sondou” o mercado à procura de eventuais interessados, mas ninguém quis comprar o banco como “ele estava”. “Houve interessados se a reestruturação seguisse outro caminho, se o Estado perdesse o dinheiro investido”.

Sem querer falar muito do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, o presidente do PSD deixou-lhe, porém, um elogio: “Este governador foi corajoso e poupou dinheiro aos contribuintes”. Ainda assim, Passos Coelho admitiu que nem tudo pode ter corrido bem.

Em matéria de política interna, o líder do PSD, que apresentou esta terça-feira a sua moção de recandidatura à liderança do PSD, afirmou esperar que António Costa cumpra 4 anos de mandado, já que, recordou Passos, o atual primeiro-ministro afirmou ter uma maioria “estável”. Isto não quer dizer que concorde com a sua política orçamental, já que na entrevista criticou o caminho seguido pelo PS. E se este der certo, se for possível devolver rendimentos sem prejudicar as contas públicas? “Se sem dinheiro puderem devolver salários e impostos, eu passo a apelar ao voto no PS e no BE”, ironizou Passos Coelho, admitindo que a breve prazo a Comissão Europeia possa exigir um novo aumento de impostos. “Se este governo acredita que vai ficar quatro anos, porque está a correr tantos riscos e devolver tudo num ano?”, questionou o líder do PSD na entrevista à SIC.