Consultora que tentou vender Banif pede para não fazer depoimento presencial

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A comissão de inquérito não estava a conseguir contactar a N+1, entidade chamada para prestar esclarecimentos sobre a queda do Banif. O seu presidente já mostrou a vontade de responder por escrito.

A N+1, consultora espanhola que participou no processo de alienação do Banif e que agora trabalha com a Oitante, está disponível para falar com a comissão de inquérito ao Banif. Mas por escrito.

Oscar Garcia-Cabeza contactou a comissão de inquérito e mostrou vontade de “colaborar” com os deputados, segundo contou esta quinta-feira, 14 de Abril, António Filipe, que preside ao inquérito parlamentar. Contudo, “como vice em Espanha e é cidadão espanhol”, o presidente da consultora de investimento pediu para que a audição fosse por escrito.

A prerrogativa de depoimento escrito é aberta a várias entidades (primeiro-ministro, por exemplo) mas também a quem vive fora do país. Oscar Garcia-Cabeza pretende usá-la. É a segunda vez que, na comissão de inquérito ao Banif, há este pedido: Vítor Gaspar, antigo ministro das Finanças que trabalha agora em Washington no Fundo Monetário Internacional, fez a mesma solicitação.

Foi Cabeza que contactou a comissão de inquérito ao Banif depois de António Filipe ter dito que estava a ter dificuldades em encontrar a N+1. A consultora esteve a assessorar o Banif no processo de venda, nomeadamente na separação entre o banco tradicional e os activos que não são geradores de rendimento (imóveis e malparado). Uma separação que não foi possível concretizar, por determinação do Banco Central Europeu e Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia. A venda do banco tradicional e a criação do veículo iria obrigar a gastos públicos, o que obrigou a que tivesse de ser feita no âmbito de uma medida de resolução, com perdas impostas a accionistas e detentores de dívida antes de os contribuintes serem chamados a pagar.

Depois da resolução, que acabou por ser feita com a venda do negócio bancário ao Santander por 150 milhões de euros e com a criação de um veículo que ficou com os activos que o banco não quis, a Oitante. A operação envolveu a injecção de 2.255 milhões de euros estatais (além de uma garantia que sobe a factura a 3.000 euros).

Segundo já noticiou o Diário Económico, a Oitante – que tem mandato para vender ou liquidar os seus activos imobiliários e os créditos malparados – contratou a N+1 para a assessorar.