Centeno desmente Dombrovskis e diz que houve “forte imposição” de Bruxelas no Banif

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Em resposta às declarações do vice-presidente da Comissão Europeia, em que recusava a imposição de soluções para a banca portuguesa, Mário Centeno não aceitou tal afirmação no caso Banif.

“Que não tenha havido uma forte imposição, e uma forte posição negocial da Direcção-Geral da Concorrência nesta fase do processo, não posso corroborar”. Foi assim que Mário Centeno respondeu a Valdis Dombrovskis, o vice-presidente da Comissão Europeia que rejeitou esta terça-feira, 19 de Abril, que Bruxelas tenha imposto soluções à banca portuguesa.

“Em relação à Direcção-Geral da Concorrência, a verdade é que podemos ser justos: não foi a Direcção-Geral da Concorrência que definiu todas as condições do processo”, afirmou. Não todas mas quase todas, na óptica do ministro das Finanças.

Na sua explicação, o ministro das Finanças afirmou um aspecto que foi defendido pelo Governo português: a não inclusão dos detentores de dívida sénior nas perdas da resolução, que imporia encargos aos accionistas e aos titulares de dívida subordinada do Banif.

“Face a outras matérias [nomeadamente a recusa de uma licença bancária a um banco de transição], posso garantir que não foi resultado de uma sugestão do Governo português. Foi algo que, no contexto das negociações, apareceu na mesa, muito em cima do momento, proposto pela Comissão Europeia”, avançou ainda Mário Centeno.

Grande parte das personalidades que já estiveram na comissão de inquérito ao Banif, incluindo Mário Centeno mas também a antecessora social-democrata Maria Luís Albuquerque, e o governador Carlos Costa, defenderam que houve uma forte pressão de Bruxelas e do Banco Central Europeu em relação ao Banif, que acabou por ser alvo de uma medida de resolução a 20 de Dezembro de 2015, com venda imediata da actividade bancária ao Santander Totta e criação de um veículo de gestão dos activos que o banco não quis comprar.