Propostas para a compra do Banif Banco de Investimento entregues até ontem

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Económico

Fechou ontem, quarta-feira, o prazo para a entrega das propostas não vinculativas à N+1 que assessora a Oitante, para a compra do Banif Banco de Investimento. Há vários interessados no banco de investimento que

tinham até ontem para entregar as propostas não vinculativas. Segundo o Económico soube há vários interessados que apresentaram propostas, sendo que, pelo facto de não serem vinculativas ainda não é possível assegurar o sucesso da operação.

Não foi possível apurar quantos entregaram propostas, mas agora a sociedade N+1, que assessora a Oitante nesta operação, vai avaliar as propostas e escolher os que serão convidados a apresentar as propostas vinculativas. Segundo as nossas fontes é expectável que as propostas vinculativas para a compra do banco de investimento que era do Banif sejam entregues ainda em Maio.

O banco de investimento que está à venda tem capitais próprios acima de 20 milhões de euros, depois de um aumento de capital (de 29,4 milhões) feito no âmbito da Resolução do Banif – para compensar os impactos da saída da instituição do perímetro do Banif. O reforço foi feito através da conversão de dívida e de depósitos – o Banif Banco de Investimento ficou com um capital social de 114,440 milhões de euros.

Desse aumento de capital feito em Janeiro, cerca de 15 milhões de euros corresponderam a dívida emitida pela instituição e que estava na carteira do Banif, mas que passou para a Naviget (que depois passou a chamar-se Oitante) no contexto da resolução, uma vez que o Santander Totta recusou ficar com as operações intra-grupo. Os restantes 14,44 milhões de euros resultaram da conversão de depósitos que esse veículo tinha no banco de investimento e que herdou do Banif.

O Banif Banco de Investimento foi integrado na Oitante no processo de separação de activos inerente à Medida de Resolução aplicada ao banco que foi da família Roque. A sociedade tem no seu universo sociedades como: Banif Gestão de Activos; Banif Fundos de Investimento Imobiliários; Gamma – Sociedade de Titularização de Créditos; a Banif Capital de Risco e a Banif Sociedade Gestora de Fundos de Pensões.

A Oitante, cujo Conselho de Administração é liderado por Miguel Barbosa, tem como missão vender alguns dos activos que não foram integrados no processo de venda ao Banco Santander Totta, que ocorreu no fim do ano passado.

As mais-valias da venda dos activos da Oitante revertem para o Fundo de Resolução e não para o Estado. Porque o veículo de gestão de activos só podia ser constituído pelo Fundo de Resolução em ambiente de Resolução.

Recentemente, na Comissão de Inquérito ao Banif, António Varela, ex-administrador do banco por conta do Estado, disse que era expectável que o encaixe da venda de activos acima do valor que foi injectado pelo Fundo de Resolução, 489 milhões de euros, venha a ser canalizado para amortizar o custo do Estado com a Resolução. “Será encontrada uma solução para canalizar o restante encaixe para o Estado”, disse o ex-gestor do Banif e ex-administrador do Banco de Portugal (que se demitiu este ano) na CPI ao Banif.

A Companhia de seguros Açoreana foi vendida ao fundo norte-americano Apollo, processo que está na fase de aprovação pelas autoridades.

Há algumas propostas para a compra da Gamma, sociedade de titularização de créditos, nomeadamente a do Santander Totta que ficou com o negócio bancário que era do Banif, banco comercial. Pois a maior parte dos créditos titularizados pela Gamma foram originados no Banif.

A N+1 é uma entidade independente uma vez que não pertence a nenhum grupo financeiro, e é especializada em produtos e serviços financeiros “de alto valor acrescentado”, refere o site.

É vocacionada para banca de Investimento nomeadamente em operações de M&A (fusões e aquisições), Mercado de Capitais e Dívida, essencialmente para o segmento de empresas de médio porte. Para além de serem advisers de instituições em vendas e colocações em mercados de capitais.

Esta sociedade já tinha sido contratada pelo Banif, antes da Resolução, durante o mandato de Jorge Tomé, para encontrar uma solução privada que se substituísse ao Estado, que depois acabou por não ser possível por causa da medida de Resolução aplicada ao banco e venda do negócio bancário ao Banco Santander Totta. Foi a N+1 que apresentou a solução para a venda voluntária do Banif, que incluía o ‘carve-out’ [separação] dos activos problemáticos.

Em Portugal, a N+1 assessorou ainda a Sociedade Comercial Orey Antunes na aquisição de uma participação de 49,9% no espanhol Banco Inversis por 21,74 milhões de euros. A aquisição, anunciada em Julho de 2013 e concluída em Janeiro de 2016, faz parte de uma operação que consistiu na aquisição de 100% do Banco Inversis pela Banca March por 217,4 milhões, que posteriormente vendeu o negócio de ‘private banking’ da Inversis à Andbank por cerca de 180 milhões e os restantes 49,9% à OFH SARL, uma subsidiária da Orey Antunes.