Lesados do Banif da África do Sul podem ter que pagar impostos

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Diário de Notícias da Madeira

Direcção da associação foi à Quinta Vigia receber apoio do presidente do Governo Regional

Os emigrantes da África do Sul que eram clientes do Banif e que terão aplicado dinheiro nas obrigações subordinadas do ex-banco, poderão ter de vir a pagar os impostos e possíveis multas pelo Estado sul-africano, se ficar concluído que saíram com dinheiro do país sem o declarar.

A confirmação desta situação foi dada pelo presidente da Associação dos Lesados do Banif (Alboa), que liderou uma comitiva que esteve ao final da manhã reunida com o presidente do Governo Regional da Madeira. Segundo Jacinto Silva isso é um problema que, não tendo a ver directamente com a associação e os seus propósitos, foi conhecido agora.

Segundo o jornalista da TVI, que questionou o responsável sobre o tema haverá já um pedido feito pelo Estado sul-africano no sentido de o Estado português disponibilizar a lista de lesados do Banif que declararam ter residência naquele país, com vista a confrontar com os factos. No entanto, oficialmente, ainda não há nada de concreto.

Actualmente serão cerca de 3.500 lesados do Banif com obrigações subordinadas ‘presas’ no processo, ascendendo a 263 milhões de euros. No caso dos lesados das obrigações subordinadas da Rentipar (sociedade criada para gerir a participação das filhas de Horácio Roque no Banif) serão mais 65 milhões de euros, sem esquecer os cerca de 40 mil detentores de acções do Banif, cerca de 25 mil da Madeira.

Da reunião com Miguel Albuquerque, em que esteve presente o secretário regional das Finanças e da Administração Pública, Rui Gonçalves, os membros da Alboa receberem todo o apoio no sentido de ser encetada conversa com o Santander, pressionar o Governo da República, para que a situação possa ser desbloqueada o mais rapidamente possível, dada a situação de desespero de muitas das pessoas.

Miguel Albuquerque salientou que em Fevereiro transmitiu a ideia de criação de uma associação que representasse os lesados institucionalmente, frisando que há a “possibilidade de haver uma aproximação entre a salvaguarda dos intereses do banco (Santander) e os dos detentores de obrigações subordinadas”, tendo informação que a situação das IPSS já foi resolvida a bem.

O governante espera que antes do verão seja resolvida a situação, já que muitos emigrantes virão nesta altura de férias, alguns “em situação periclitante do ponto de vista económico e social”, inclusive há quem, na Madeira, já esteja a receber apoio financeiro da Segurança Social porque ficou sem qualquer rendimento.