Patris e Cabot Square na corrida ao Banif Banco de Investimento

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Económico

A venda do banco de investimento pela Oitante já vai na segunda fase. A N+1 escolheu uma short-list onde estão incluídos a Cabot Square (que está prestes a concluir a compra da Montepio Crédito) e a Patris. Os candidatos irão fazer as propostas vinculativas até 30 de Junho.

A Patris, de Gonçalo Pereira Coutinho, e a Cabot Square – que esteve na corrida ao Activo Bank (e que entretanto deixou de estar à venda pelo BCP) e que está em fase final de conclusão da compra do Montepio Crédito – estão na segunda fase do processo de compra do Banif Banco de Investimento, soube o Económico.

A boutique financeira N+1, que é quem está a montar a operação de venda do banco que está na esfera da Oitante, escolheu uma short-list para a segunda fase da venda do banco de investimento que foi do Banif, disse fonte familiarizada com o processo.

Nessa lista estarão ainda a Oak Tree, a Centerbridge e um grupo chinês, mas não foi possível obter confirmação destes interessados.

As propostas vinculativas têm de ser entregues até 30 de Junho.

Para além da espanhola N+1, a Oitante tem a assessoria jurídica da Linklaters.

A Patris tem protagonizado algumas aquisições nos últimos anos, tendo comprado a Real Vida, a corretora Fincor, a BPN Gestão de Activos. Esteve também na corrida ao Efisa, mas foi escolhida a sociedade Pivot SGPS do grupo Aethel Partners.

A Cabot Square, gestora de fundos inglesa, está na fase final, segundo fontes, das negociações para ficar com o Montepio Crédito.  A Cabot Square tem na sua carteira o BPN Crédito (agora 321 Crédito) e esteve na corrida à compra do ActivoBank do BCP, mas o banco liderado por Nuno Amadoanunciou que desistia da venda.

O banco de investimento que está a ser vendido tem capitais próprios acima de 20 milhões de euros, depois de um aumento de capital (de 29,4 milhões) feito no âmbito da Resolução do Banif – para compensar os impactos da saída da instituição do perímetro do Banif. O reforço foi feito através da conversão de dívida e de depósitos – o Banif Banco de Investimento ficou com um capital social de 114,4 milhões de euros.

Desse aumento de capital feito em Janeiro, cerca de 15 milhões de euros corresponderam a dívida emitida pela instituição e que estava na carteira do Banif, mas que passou para a Naviget (que depois passou a chamar-se Oitante) no contexto da medida de Resolução aplicada ao banif em Dezembro do ano passado, uma vez que o Santander Totta recusou ficar com as operações intra-grupo. Os restantes 14,44 milhões de euros resultaram da conversão de depósitos que esse veículo tinha no banco de investimento e que herdou do Banif.

A Oitante tem no seu universo de activos para vender sociedades como o Banif Gestão de Activos; o Banif Fundos de Investimento Imobiliários; a Gamma – Sociedade de Titularização de Créditos; a Banif Capital de Risco e a Banif Sociedade Gestora de Fundos de Pensões.

A Companhia de seguros Açoreana foi vendida ao fundo norte-americano Apollo, processo que está na fase de aprovação pelas autoridades.

Há algumas propostas para a compra da Gamma, sociedade de titularização de créditos, nomeadamente a do Santander Totta que ficou com o negócio bancário que era do Banif, banco comercial. Pois a maior parte dos créditos titularizados pela Gamma foram originados no Banif.

A Oitante, cujo Conselho de Administração é liderado por Miguel Barbosa.

As mais-valias da venda dos activos da Oitante revertem para o Fundo de Resolução e não para o Estado. Porque o veículo de gestão de activos só podia ser constituído pelo Fundo de Resolução em ambiente de Resolução.

Na Comissão de Inquérito ao Banif, António Varela, ex-administrador do banco por conta do Estado, disse que era expectável que o encaixe da venda de activos acima do valor que foi injectado pelo Fundo de Resolução, 489 milhões de euros, venha a ser canalizado para amortizar o custo do Estado com a Resolução. “Será encontrada uma solução para canalizar o restante encaixe para o Estado”, disse o ex-gestor do Banif e ex-administrador do Banco de Portugal (que se demitiu este ano) na CPI ao Banif.