Archive for Outubro, 2016

Banif Malta sai definitivamente da esfera do Estado

Quarta-feira, Outubro 5th, 2016

Citamos

Negócios

A Oitante concluiu a venda da unidade de Malta do ex-Banif, que estava acordada antes mesmo da resolução. A transacção inicialmente acordada a 18,4 milhões de euros resultou num encaixe um pouco superior. O comprador é um grupo do Qatar.

O Banif Malta já não está no Estado. O processo de venda, iniciado ainda com Jorge Tomé ao leme do banco, arrancou dois dias antes da resolução e fica fechado agora – mais de 10 meses depois.

“A Oitante, S.A. (“Oitante”) concluiu hoje, dia 4 de Outubro de 2016, o processo de alienação à Al Faisal International for Investment Malta Limited da sua participação representativa de cerca de 78,46% do capital social do Banif Bank (Malta) p.l.c. (“Banif Malta”)”, indica um comunicado da empresa.
Banif Malta já não está no Estado. O processo de venda, iniciado ainda com Jorge Tomé ao leme do banco, iniciou-se dois dias antes da resolução e fica fechado agora – mais de 10 meses depois.

“A Oitante, S.A. (“Oitante”) concluiu hoje, dia 4 de Outubro de 2016, o processo de alienação à Al Faisal International for Investment Malta Limited da sua participação representativa de cerca de 78,46% do capital social do Banif Bank (Malta) p.l.c. (“Banif Malta”)”, indica um comunicado da empresa.

Valor acima do acordado inicialmente

A Oitante, liderada por Miguel Artiaga Barbosa, foi criada a 20 de Dezembro de 2015, data da resolução do Banif, para ficar com os activos e passivos do banco que o Santander Totta, na altura, não quis adquirir. Foi para lá que transitou a participação na instituição financeira de Malta cuja alienação, há anos tentada, havia sido acordada dois dias antes, ainda com Jorge Tomé na liderança do Banif.

Na altura, foi afirmado que a operação de venda foi feita a 18,4 milhões de euros, o valor contabilístico de então daquela unidade. Contudo, o valor final não foi esse, tendo havido um aumento do valor a receber pela Oitante, segundo apurou o Negócios. O veículo não quis avançar com o montante final.

Além do valor da transacção, o processo de venda “assegura ainda que a Oitante seja reembolsada de um empréstimo subordinado no montante de €5.000.000,00”. Ou seja, 5 milhões que serão entregues ao veículo que tem como accionista único o Fundo de Resolução.

Em Dezembro do ano passado, o comprador não foi revelado. Até hoje: Al Faisal Holding é um conglomerado privado do Qatar, com origem nos anos 60.

A operação chega, assim, ao fim a 4 de Outubro, mais de 10 meses depois do acordo para a operação. Foi necessário verificar “todas as condições estabelecidas na documentação contratual” e obter “autorização pela Direcção Geral da Concorrência da Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu”.

Esta operação, assinala ainda o comunicado, “visa permitir a capitalização do Banif Malta com vista a fortalecer os requisitos prudenciais aplicáveis, bem como a criação de condições para a sustentabilidade desta entidade e, consequentemente, a preservação de postos de trabalho”.

Silêncio da Oitante

A Oitante foi criada (inicialmente como Naviget) com a intenção de liquidar ou vender activos. A sociedade de titularização de créditos Gamma (ao Santander Totta) e o banco de investimento do Banif (à Bison) foram alguns dos exemplos de operações já acordadas (mas ainda não finalizadas). A Açoreana já foi vendida ao grupo americano Apollo por valores nunca divulgados.

Neste momento, não há ainda, mais de 10 meses depois da resolução, um balanço de abertura, ou seja, não se sabe o que consta deste veículo que pertence ao Fundo de Resolução.

Às questões que o Negócios fez nos últimos meses para conhecer o veículo praticamente nunca houve resposta. O presidente da administração, Miguel Barbosa, ficou na liderança da Oitante depois de ter sido o representante do Estado na administração do Banif.

Só houve procura para 4% das obrigações do Totta para lesados do Banif

Terça-feira, Outubro 4th, 2016

Citamos

Negócios

Os clientes do ex-Banif não quiseram investir mais dinheiro para receberem 75% do investimento que tinham feito em obrigações subordinadas do banco madeirense. A solução do Santander para os chamados lesados teve poucos interessados.

Só houve interessados em 7,599 milhões de euros em obrigações subordinadas doSantander Totta. O banco estava disponível para emitir obrigações até 205 milhões de euros como forma de compensar os clientes que tinham ficado com títulos de dívida sem valor do antigo Banif. Mas só houve procura para menos de 4% do total.

1.000 euros era o valor mínimo a aplicar por cada investidor neste título que dá um juro anual de 7,5%. Na prática, neste cenário, cada investidor receberá 75 euros por ano, 750 euros ao final do período de vida das obrigações, cuja maturidade é atingida a 6 de Outubro de 2026.

Segundo o comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), foram dadas 114 ordens para subscrever 7.599 obrigações, o que totaliza os cerca de 7,6 milhões de euros em obrigações.

Quando lançou a oferta reservada a clientes do antigo Banif, o banco liderado por António Vieira Monteiro pretendia usar as receitas conseguidas com esta emissão de dívida na cobertura de necessidades gerais da empresa, “o que inclui a obtenção de lucros”.

Alboa sempre foi contra

A associação que reúne os autodenominados lesados do Banif, a Alboa, sempre foi contra a proposta do Totta já que obrigava a um investimento de um mínimo de mil euros que muitos investidores poderiam não ter, por terem perdido a poupança nas obrigações subordinadas do banco fundado por Horácio Roque.

Com as regras da resolução, a dívida subordinada emitida por um banco intervencionado, como o Banif, não transita para o banco comprador (Totta) ou de transição, como acontece também com as acções. A instituição financeira liderada por António Vieira Monteiro quis avançar com uma proposta de solução mas, no entanto, não assegurava o reembolso total. Quem subscreveu estas obrigações poderá, no máximo, recuperar 75% do seu investimento ou seja, admite perder 25% do capital investido (sem contabilizar os juros não pagos).

Assim, a operação em causa consistiu na oferta de obrigações subordinadas que o Santander Totta reservou aos titulares, “não qualificados”, de obrigações subordinadas do antigo Banif que, na resolução, não foram adquiridas pelo banco de capitais espanhóis.

Enquanto decorreu esta oferta, que entrou em vigor a 1 de Julho e estendeu-se até 30 de Setembro, o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, trouxe para cima da mesa uma nova solução para estes investidores, que passava por obrigações seniores do Totta, mas que não teve, oficialmente, uma resposta, concordância ou discordância por parte do banco de capitais espanhóis.

Embora tenha feito uma oferta de obrigações subordinadas Totta, os títulos de dívida do Banif vão permanecer nos clientes, mesmo aqueles que aceitaram: “O Banco Santander Totta não apresentou qualquer proposta sobre as obrigações subordinadas Banif, que se manterão na titularidade dos investidores que as subscreveram, representando um crédito sobre o Banif S.A”, disse na altura a instituição financeira.

Totta dá por “encerrado” assunto das obrigações subordinadas do Banif

Terça-feira, Outubro 4th, 2016

Citamos

Sábado

O Santander Totta continua a defender que não tinha de desenvolver qualquer proposta para os obrigacionistas subordinados. A operação foi um insucesso: só 4% do montante disponibilizado foi subscrito. “Não há muito mais a acrescentar”, diz o banco.

“É a adesão que os destinatários entenderam ter”. Esta é a posição do Santander Totta depois do fracasso da oferta de obrigações subordinadas para os clientes do antigo Banif que tinham títulos de dívida do banco alvo de resolução no final do ano passado.

Questionada sobre se o fim da operação, onde apenas houve procura por 4% do total de obrigações que poderiam ser emitidas, põe termo à solução a encontrar para estes clientes, a assessoria de imprensa do banco de capitais espanhóis sublinha que “não há muito mais a acrescentar”.

“É um assunto que, a partir do momento em que foi aprovado pelas entidades competentes, ficou encerrado”, indica a mesma fonte ao Negócios, sublinhando que houve aprovação das autoridades nacionais para que a oferta avançasse.

Como tem sido dito até aqui pelo banco, a lei da resolução implica perdas aos accionistas e aos detentores de obrigações subordinadas: “O Santander não estava obrigado a nada. Percebeu que havia uma situação que causava problemas aos clientes”, refere a mesmo fonte.

Na oferta que decorreu entre o início de Julho até ao final de Setembro, foram dadas 114 ordens para subscrever 7.599 obrigações, o que totaliza os cerca de 7,6 milhões de euros em obrigações. O universo total era de 205 milhões de euros, logo o sucesso foi de 4%.

Por comentar ficou a solução proposta pelo presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, que quer juntar o Governo e o Santander Totta à mesa das negociações para uma solução que não implique perdas para os investidores. “Não nos cabe produzir comentários”.