Archive for Abril, 2017

Comissão de inquérito ao Banif avança em força

Sábado, Abril 22nd, 2017

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Diário de Notícias da Madeira

Apesar da falta de resposta do Banco de Portugal, os deputados regionais insistem

Os deputados que compõem a Comissão Eventual de Inquérito ao Banif, criada na Assembleia Legislativa da Madeira, vão insistir em ouvir todos os responsáveis pelo processo de venda do antigo banco que tinha na Madeira o seu mercado original e grande parte dos clientes lesados pelo negócio do Estado com o Santander Totta.

Os trabalhos têm sido atrasados pela demora do Banco de Portugal em enviar a documentação requerida pelo parlamento regional, embora seja obrigatória, o que leva a que preparação da audição dos responsáveis que irão ser notificados tenha de ser reagendado.

Ontem realizou-se uma reunião da referida comissão, presidida pelo deputado social-democrata Carlos Rodrigues, e que visou a apreciação de assuntos sobre o seu funcionamento e para ser feito “um ponto de situação sobre a não evolução das coisas”.

Entretanto foi deliberado por todos os partidos com assento na Comissão Eventual, especialmente pelo CDS, PS e PSD, que apresentaram propostas para dar andamento aos trabalhos. Carlos Rodrigues acredita que com as novas diligências, as audições poderão ser concluídas até final da actual Legislatura, que termina em Julho próximo.

O PSD aprovou um requerimento para audição de mais três entidades – novamente a Associação de Lesados do Banif, o representante do Santander, no caso o presidente do Conselho de Administração daquele banco, e ainda o representante do Governo no processo, o advogado Diogo Lacerda Machado -, proposta aprovada por todos os partidos.

O PS, dada a falta de resposta do Banco de Portugal, requereu na insistência do pedido de dados ao banco central e na presença do governador Carlos Costa na comissão. Proposta também aprovada por unanimidade. Jorge Tomé, responsável do Banif até à resolução, que ficou de enviar a relação de imparidades consideradas incobráveis na altura, e que não o fez até à data, venha a fazê-lo o mais rapidamente possível.

Refira-se que a demora na disponibilização de informação requerida pela Comissão a várias entidades, já mereceu da parte do próprio presidente da Assembleia Legislativa um esclarecimento, inclusive ao presidente do Banco de Portugal para que respeite a obrigatoriedade de colaborar com a comissão e a legitimidade da mesma.

KPMG alerta para valor do Montepio nas contas da Associação Mutualista

Quarta-feira, Abril 19th, 2017

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Público

Entidade liderada por Tomás Correia avalia participação no banco presidido por Félix Morgado em dois mil milhões de euros, nos resultados de 2016. Auditor e Conselho Fiscal voltam a sublinhar “pressupostos subjectivos” dessa avaliação.

O auditor externo da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), a KPMG, deixou um novo alerta às contas de 2016 da Associação devido ao valor pelo qual esta contabiliza a posição que tem na Caixa Económica Montepio Geral (CEMG).

Tal como já havia feito em 2015, a KPMG volta a chamar à atenção para os investimentos financeiros da AMMG, “nomeadamente, sobre o registo de imparidades”. Segundo o auditor externo, “os testes efectuados” pela AMMG “relativamente à determinação do valor recuperável das suas participações financeiras tiveram por base pressupostos cuja influência da actual conjuntura económico-financeira e condições gerais do mercado são determinantes”. A KPMG salienta, que tal como referido numa nota do relatório e contas de 2016 da AMMG, “a verificação dos pressupostos utilizados nos respectivos testes e evolução das condições macro económicas e do mercado em geral poderão traduzir-se na alteração desses mesmos pressupostos e, consequentemente, no valor recuperável determinado das suas participações financeiras”.

A AMMG, liderada por António Tomás Correia, avalia a Caixa Económica (ao valor nominal) em 2,016 mil milhões, um valor que resulta da soma do capital social de 1,770 mil milhões de euros com 246,1 milhões de euros de investimento em unidades de participação (UP) do Fundo de Participação da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG). Face à imparidade constituída em 2015 – e que não sofreu alteração em 2016 – o valor líquido da AMMG na Caixa Económica é de 1666 milhões de euros.

A 31 de Dezembro, a Associação Mutualista tinha 300 milhões de UP, sendo que 200 milhões destes títulos estavam reportados no balanço ao valor nominal de um euro. Mas ao contrário das acções, que representam capital social e não são cotadas, as UP negoceiam-se em bolsa e transaccionam-se a 0,42 cêntimos. Uma conta simples tendo por base a cotação das UP avaliaria a CEMG em cerca de 850 milhões.

O relatório e contas de 2016 permite ver ainda que o Conselho Fiscal da instituição, liderado por Manuel Caseirão, apresenta salvaguardas e considerações idênticas às feitas pela KPMG. Uma situação que se repete face ao registado também em 2015 quando deixou sublinhado que concordava com os alertas da KPMG.

O Conselho Fiscal nota que “o valor bruto do investimento no capital da Caixa Económica” ascende “a 2,016 mil milhões”, e que os testes de imparidades realizados ao longo do ano passado mantiveram, sem alteração, a desvalorização da participação em 350 milhões de euros. “Sem colocar minimamente em causa a adequação de todas as premissas utilizadas e a correcção dos cálculos matemáticos subjacentes, importa ter presente que, variações, ainda que mínimas, na ordem dos 0,5% podem provocar oscilações significativas no valor das imparidades”, lê-se no parecer do Conselho Fiscal, onde se adianta que “o simples aumento de 0,5% implicaria um reforço de 134 milhões de euros de imparidades, mas, por outro lado, a redução de 0,5% permitiria libertar 138 milhões de euros de imparidades”.

Em termos consolidados, a AMMG só divulgou os números de 2015, onde apresenta “um capital próprio negativo atribuível aos associados no montante de 107.529 milhares de euros”.

Em 2016, a Caixa Económica registou prejuízos de 86,5 milhões de euros, o que representa uma recuperação face às perdas de 243,4 milhões apuradas no ano anterior.

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa defende a abertura do capital da Caixa Económica, mas qualquer investidor irá reavaliar a instituição financeira. E pode chegar a um valor inferior aos 2,016 mil milhões, o que obrigará a AMMG a assumir o custo da diferença entre o que o investidor estará disponível a aplicar (a preços de mercado) e o que foi reportado no balanço.

Associação perde poucos mutualistas

No seu parecer às contas, o Conselho Fiscal da AMMG salienta que entre 2015 e 2016, a AMMG perdeu somente 454 associados, mantendo no seu universo ainda 632 477 mutualistas. E as receitas associativas mantiveram-se constantes em 480 milhões. Já os reembolsos antecipados e os capitais pagos aos associados tiveram uma melhoria significativa, ao baixarem de 1,066 mil milhões para 606 milhões.

Lesados do Banif têm, em média, 73 500 euros

Quarta-feira, Abril 12th, 2017

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Correio da Manhã

No conjunto das reclamações apresentadas à CMVM, os lesados reclamam mais de 65 milhões de euros.

Os clientes lesados do Banif têm, em média, aplicações em produtos de poupança do banco – vendido ao Santander Totta em 2015 – no valor de 73 500 euros.

A radiografia dos aforradores que exigem a devolução das poupanças foi traçada esta terça-feira pela Associação de Lesados Banif e Santander Totta (ALBOA), antes da entrega na CMVM de dossiês com mil reclamações de venda indevida de produtos.

O retrato mostra também que, em média,  os lesados têm 61 anos, são sobretudo clientes do antigo Banif na Madeira e Açores, sendo que 39% possuem apenas a 4.ª classe e 21% têm escolaridade inferior ao 9.º ano. No conjunto das reclamações apresentadas à CMVM, os lesados reclamam mais de 65 milhões de euros.

Lesados do Banif entregam esta terça-feira mil reclamações na CMVM

Terça-feira, Abril 11th, 2017

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Observador

Lesados do Banif entregam esta terça-feira mil reclamações na CMVM

 

 

A associação que representa os lesados do Banif entrega esta terça-feira mil reclamações de clientes na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, com o objetivo de provar que houve venda fraudulenta de produtos pelo banco.

As reclamações feitas são de clientes do Banif em Portugal (sobretudo na Madeira e nos Açores, onde o banco era muito forte), mas também de lesados que vivem nas comunidades portuguesas no estrangeiro, nomeadamente na Venezuela, e serão entregues na tarde desta terça-feira na sede do regulador dos mercados financeiros, em Lisboa.

O objetivo é que as reclamações sirvam de suporte para que CMVM emita um parecer de que houve no Banif uma “operação global de ‘misseling’” no Banif, ou seja, de que houve vendas enganosas ou fraudulentas. A ALBOA estima que há 3.500 clientes lesados pelo Banif que perderam 265 milhões de euros em investimentos de produtos no banco e esperam que esta ação impulsione o encontrar de uma solução para os seus casos.

A associação considera que os produtos foram vendidos usando argumentos enganosos, como o de que o Banif era do Estado (quando este tinha, de facto, a maioria do capital), o que dava garantia extra sobre os produtos, existindo também situações em que era dito aos clientes que havia uma garantia da CMVM ou que eram como depósitos a prazo, mas com juros mais altos.

O Banif foi alvo de resolução em dezembro de 2015 por decisão do Governo e Do Banco de Portugal, com a venda da atividade bancária ao Santander Totta por 150 milhões de euros e a criação da sociedade-veículo Oitante para a qual foram transferidos os ativos que o Totta não comprou.

Continua a existir ainda o Banif, agora ‘banco mau’, no qual ficaram os acionistas e os obrigacionistas subordinados, que provavelmente nunca receberão o dinheiro investido.

Bracinha Vieira vai preparar liquidação do Banif

Domingo, Abril 9th, 2017

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Público

Jurista é um ex-quadro do Banco de Portugal, onde era consultor adjunto de Carlos Costa e liderava o gabinete sancionatório

José Bracinha Vieira vai presidir ao conselho de administração do Banif e preparar a sua liquidação. O jurista é ex-quadro do Banco de Portugal, onde se manteve como consultor adjunto da administração liderada por Carlos Costa, e era até ao Verão do ano passado director do gabinete sancionatório do supervisor.

Em Dezembro de 2015, o Banif foi resolvido por três vias: a entrega da parte comercial (não tóxica) ao Santander, operação que pode gerar no futuro um ganho para o banco espanhol entre 800 milhões e mil milhões de euros; a criação da Oitante, um veículo de asset management, para receber os activos recuperáveis; e a manutenção do Banif com actividade residual, incluindo as filiais do Banif Cabo Verde e Banif Brasil, assim como todas as contingências legais e fiscais. E é a este “banco” que Bracinho Vieira vai agora presidir. O objectivo é preparar a sua liquidação.

Para além de secretário de Estado dos recursos educacionais entre 1992 e 1994, o social-democrata Bracinha Vieira presidiu, entre outros cargos, à ParqueExpo 98, e à Finangest – Sociedade de Gestão Financeira e Desenvolvimento.

No final do ano passado, Bracinha Vieira protagonizou uma polémica pública em torno da decisão do BdP de remunerar do accionista Estado, “à custa da criação de provisões para a carteira de dívida pública portuguesa que, com o aumento de juros deste ano e o que vier a ocorrer nos próximos tempos levará a uma desvalorização desses títulos e a imparidades.”

Na altura, expressou-se no Facebook numa linguagem crua e acusou o actual Governo de um “‘saque’ de 450 milhões de euros de lucros” [um acréscimo de 303 milhões face ao período anterior] do supervisor. O jurista avisou que se o BdP insistisse na distribuição de dividendos (o que veio a acontecer) generosa pelo accionista ia contribuir para “a descapitalização do banco central”. E classificou de “um erro” afectar as receitas não recorrentes relativas à recuperação de uma garantia prestada ao Banco Privado português em 2008 “que disfarçam o défice em cerca de meio por cento do PIB”.

 

Lesados do Banif entram com nova acção judicial contra Banco de Portugal

Domingo, Abril 9th, 2017

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Público

Uma centena de investidores apresentou uma acção judicial para impugnar as deliberações do supervisor na clarificação da transferência de activos do Banif para o Santander e para a Oitante.

Um grupo de lesados do Banif apresentou esta semana no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa uma acção judicial pedindo a anulação de uma deliberação do Banco de Portugal (BdC), com data de 4 de Janeiro deste ano, que clarificou e introduziu alterações nas medidas tomadas aquando da decisão de resolução do banco.

O documento, a que o PÚBLICO teve acesso, é assinado por uma centena de investidores do Banif, representados pela sociedade MRA Advogados, que no ano passado já tinha entrada com uma acção semelhante – pedindo a impugnação da resolução do banco.

Agora, os mesmos signatários contestam tanto a “essência” do acto, como o facto de o BdP pretender modificar “sem nenhuma fundamentação” a medida de resolução aplicada ao Banif. “Decide de forma diversa da que se contém da medida de resolução originária e sem que se facultem quaisquer dados que permitam quantificar o seu impacto financeiro”, sustentam os advogados, sublinhando que esta nova deliberação do supervisor modifica de forma “substancial” a medida de resolução original, tomada em Dezembro de 2015.

Deviria por isso, no entender destes investidores, ser devidamente fundamentada, não só para aferimento do impacto das alterações introduzidas nos direitos e interesses dos antigos investidores do banco, que tinha sede no Funchal.

Nesta deliberação o supervisor, dizem os queixosos, prosseguiu a operação de “desnatamento” do património do Banif, sem alterar as condições do negócio que fez com o Banco Santander e com a Oitante. Isto, acrescentam, sem audiência prévia dos interessados.

Além do BdP, os visados pela acção são o Estado, na figura do Ministério Público, o Ministério das Finanças, o Banif, o Santander, o Fundo de Resolução, a Direcção-geral da Concorrência da Comissão Europeia, a Comissão Europeia e a Oitante. A título individual, são chamados também a responder Miguel Morais Alçada, presidente do Conselho de Administração do Banif, Carla Dias Rebelo, vice-presidente do Banif, Issuf Ahmad, presidente da Comissão de Fiscalização do Banif, e José Manuel Bernardo, revisor oficial de contas do banco.

Além das duas acções de impugnação, o mesmo grupo de investidores apresentou, em Junho do ano passado, uma queixa-crime no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), por considerarem ter sido vítimas de burla quando investiram no banco.

Em causa, estão as garantias dadas pelo discurso oficial do Estado e do próprio banco, que “ludibriaram” os investidores, fazendo-os acreditar na “segurança absoluta” dos investimentos. “O facto de o Estado se ter assumido como o maior acionista do Banif foi usado para enganar os investidores, usando-se tal facto como argumento para garantir que qualquer investimento no Banif era seguro”, argumentam os queixosos.

Banca: Ímpar compra toda participação do BANIF no BCN

Sábado, Abril 8th, 2017

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A Nação

Banca: Ímpar compra toda participação do BANIF no BCN

 

As negociações entre o consórcio Ímpar/SEPI (Sociedade de Estudos e Promoção de Investimentos), para a aquisição da posição accionista que o BANIF (Banco Internacional do Funchal) detinha no BCN (Banco Cabo-Verdiano de Negócios), correspondente a 51,7 por cento (%) das acções, foram concluídas nos finais de Março, com a assinatura do respectivo contrato definitivo de compra e venda.

Desta forma, o capital do BCN fica distribuído da seguinte forma: Ímpar, com 51.7%; SEPI, 43.9%; e Cruz Vermelha de Cabo Verde,  com 4,4%.

A conclusão destas negociações que já vinham decorrendo desde Dezembro de 2016, volta a colocar o BCN como o único Banco em Cabo Verde com capital e gestão 100% cabo-verdiano.

O culminar das negociações deu-se com a realização da Assembleia-Geral de 24 de Março, que, também, serviu para alguma mudança na administração do Banco, provocada pela saída dos administradores anteriormente indigitados pelo BANIF.

No essencial, a mudança ocorreu apenas no Conselho de Administração do BCN, com a entrada de Luís Vasconcelos Lopes, actual CEO da ÍMPAR, que passa a assumer, também, a função de presidente do Conselho de Administração.

Paulo Lima e Carlitos Fortes entram, também, como administradores-executivos, enquanto Pedro Barros, que está na administração desde o início do Banco e um dos seus fundadores, é o novo presidente da Comissão Executiva.

A entrada da ÍMPAR no capital social do BCN marca, assim, uma nova era para o Banco. “À solidez que o Banco já dispõe, vem se juntar a parceria estratégica da ÍMPAR, recursos essenciais para o desenvolvimento das sinergias entre os negócios das duas instituições, e, consequentemente, do mercado de serviços financeiros em Cabo Verde”, disse fonte do BCN ao A NAÇÃO.

O BCN foi constituído em 2005, por um grupo de investidores e empresários cabo-verdianos.

Eis a composição dos novos órgãos sociais do BCN:

Mesa da Assembleia-Geral: 

  • Presidente: Dr. Manuel Casimiro de Jesus Chantre; e
  • Primeiro Secretário: Drª Ana Eloisa Fernandes Semedo de Carvalho.

 

Conselho de Administração:

  • Presidente: Dr. Luís Miguel Andrade Vasconcelos Lopes;
  • Vice-Presidente: Dr. Humberto Bettencourt Santos;
  • Administrador: Dr. Pedro Mendes de Barros;
  • Administrador: Eng. Paulo Jorge Ferro Ribeiro de Oliveira Lima;
  • Administrador: Dr. Carlitos Marcos Lima Fortes;
  • Administrador: Dr. António Olavo de Oliveira Rocha;
  • Administrador: Dr. Luís de Matos Monteiro da Fonseca; e
  • Administrador suplente: Dr. Mário Luís Mendes Moreira.

 

Comissão-Executiva:

  • Presidente: Dr. Pedro Mendes de Barros;
  • Administrador Executivo: Eng. Paulo Jorge Ferro Ribeiro de Oliveira Lima; e
  • Administrador Executivo: Dr. Carlitos Marcos Lima Fortes.

 

Conselho Fiscal:

  • Presidente: Dr. Dario Dantas dos Reis; e
  • Vice-Presidente: Sr. António Vicente Lima.

Oitante cede 1,5 mil milhões de activos problemáticos do ex-Banif à espanhola Altamira

Quinta-feira, Abril 6th, 2017

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Jornal Económico

 

A sociedade liderada por Miguel Barbosa acaba de anunciar a cedência de uma carteira de activos imobiliarios e crédito malparado à sociedade detida pela Apollo e Santander. A operação teve a assessoria financeira da Alantra e a assessoria legal da Linklaters (por parte do vendedor) e da assessoria legal da Uría (por parte do Comprador).

A Oitante, veículo que ficou com alguns dos activos do Banif que o Santander Totta não quis adquirir na resolução, acaba de anunciar que formalizou hoje a alienação à Altamira Asset Management da sua unidade de negócio responsável pela gestão dos ativos imobiliários e pela gestão da carteira de crédito.

A Altamira é a líder espanhola na gestão de créditos vencidos que é detida em 85% pelo fundo norte-americano Apollo e em 15% pelo Banco Santander.

O comunicado da instituição liderada por Miguel Barbosa avança que em paralelo, foi celebrado um contrato de prestação de serviços de administração, gestão e venda de um conjunto de ativos no valor aproximado de 1,5 mil milhões de euros, compostos, essencialmente, por ativos imobiliários e non performing loans (malparado).

“A Oitante acredita que a conclusão desta transação permitirá a criação de uma nova plataforma de servicing em Portugal, trazendo as melhores práticas internacionais nesta área, com vista a incrementar o ritmo de monetização dos ativos imobiliários e dos non performing loans da Oitante e maximizar o valor resultante da sua alienação”, diz o comunicado.

A operacão  de venda foi estruturada de modo a assegurar à Oitante um encaixe financeiro importante, “mas também a preservação dos postos de trabalho afetos às unidades de negócio alienadas”, assegura a instituição.

“Embora seja uma tipologia de operação bastante presente em alguns mercados internacionais trata-se da primeira operação do género a ser conduzida em Portugal, donde se destaca o seu pioneirismo em território nacional”, explica a Oitante.

Assim, através da concretização desta operação “a Oitante dá continuidade à prossecução do objetivo para que foi constituída, nomeadamente a alienação dos seus elementos patrimoniais assegurando a maximização do seu valor”, adianta o comunicado.

A Altamira é uma entidade líder na gestão de ativos imobiliários e de non performing loans no mercado espanhol, emprega cerca de 700 profissionais e tem sob gestão cerca de 50 mil milhões de euros de ativos, tendo como clientes entidades bancárias de referência no mercado espanhol e no mercado internacional.

“Esta aquisição demonstra o investimento estratégico da Altamira no mercado Português e onde tem como objectivo ser um servicer de referência”.

A sociedade explica que “o processo concursal lançado teve a participação de um conjunto bastante alargado de interessados, entre os quais se encontravam, juntamente com o candidato selecionado, aqueles que o mercado genericamente reconhece como os maiores, mais credenciados e mais sofisticados players desta indústria a nível europeu sendo, por isso, os mais capacitados a aportar valor acrescentado”.

A operação teve a assessoria financeira da Alantra e a assessoria legal da Linklaters (por parte do vendedor) e da assessoria legal da Uría (por parte do Comprador).

 

 

 

Luso-venezuelanos com medo de colocar poupanças em Portugal

Quinta-feira, Abril 6th, 2017

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Dinheiro Vivo

Luso-venezuelanos afastam a possibilidade de fazer investimentos em Portugal, alegando falta de garantias para as poupanças

Vários luso-venezuelanos disseram este domingo à agência Lusa que afastam a possibilidade de fazer investimentos em Portugal, devido à falta de garantias para as poupanças dos familiares que acabaram lesados pelo Banif. “Ver a Madeira ou o Continente com um [lugar para] investimento, deixa de ser uma opção principal ou secundária e até deixa de ser uma opção (…). A nossa opção passa a ser a de investir em lugares onde cuidam [garantem] o nosso dinheiro”, disse Marinés de Abreu à agência Lusa. Esta luso-descendente afirmou que “há lugares na Europa onde respondem 100% por este tipo de coisas, sem chegar a tribunais. Onde, uma vez que um banco vai à falência, imediatamente o Estado responde e há uma entidade a que podemos recorrer sem ter que ir diretamente a esse país. Falamos da Alemanha, da Holanda”. Marinés de Abreu afirmou conhecer “muitos filhos de portugueses” para quem a perda das poupanças dos pais “é uma preocupação muito grande” e sublinhou que o facto de ainda não existirem “respostas concretas” aumenta a preocupação. José Correia, comerciante, ainda tem dificuldades em acreditar que os pais foram “enganados” com “produtos de risco” e que foram levados a “assinar papéis”, apesar de não terem noções de investimentos.

“Perante uma situação destas eu não posso confiar nos bancos de Portugal e tenho que ver o país de outra maneira. Tenho familiares que estão a fazer investimentos nos EUA e a minha primeira opção é essa, porque aí garantem os meus investimentos”, disse. Lucinda Camacho, por sua vez, diz ter tido sempre um ‘feeling’ (sentimento) pouco convincente em relação a fazer negócios em Portugal e salientou que ficava “desagradada de cada vez que alguém, do Banif, ou do BES [Banco Espírito Santo], fazia propostas à família”. “Às vezes vinham até pessoas de Portugal, sempre para atrair os nossos dinheiros para lá, gostava de algum dia ver algum desses senhores para pedir-lhe explicações”, disse. Esta luso-descendente explicou à Lusa que, depois do “dinheiro perdido” nos bancos portugueses, “a oportunidade para fazer investimentos está na Colômbia”. “Com muito esforço estamos, a família, a tentar recuperar e abrimos um pequeno restaurante em Bogotá, porque também na Venezuela não há garantias e ninguém entende a gravidade, para os emigrantes, de perder as poupanças de dezenas de anos”, afirmou.

Uma delegação da Associação dos Lesados do Banif (ALBOA) está na Venezuela para recolher reclamações a enviar ao regulador dos mercados financeiros que provem que houve venda fraudulenta de produtos pelo banco. A ALBOA estima que há 3.500 clientes lesados pelo Banif que perderam 265 milhões de euros em investimentos de produtos no banco. Segundo a associação, as informações de que dispõe evidenciam que “grande parte das vendas agressivas dos comerciais Banif tiveram por objetivo as poupanças dos emigrantes”. Em 20 de dezembro de 2015, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif com a venda da atividade bancária ao Santander Totta por 150 milhões de euros e a criação da sociedade-veículo Oitante para a qual foram transferidos os ativos que o Totta não comprou. Continua a existir ainda o Banif, agora ‘banco mau’, no qual ficaram os acionistas e os obrigacionistas subordinados, que provavelmente nunca receberão o dinheiro investido.   –

Banif: Portugueses na Venezuela em dificuldades porque “perderam tudo”

Quinta-feira, Abril 6th, 2017

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Observador

Banif: Portugueses na Venezuela em dificuldades porque “perderam tudo”

 

A Associação de Lesados do Banif, detetou, na Venezuela, casos de emigrantes portugueses que estão a passar dificuldades porque “foram enganados” e perderam poupanças de 50 e 60 anos.

A Associação de Lesados do Banif (ALBOA), detetou, na Venezuela, casos de emigrantes portugueses que estão a passar dificuldades porque “foram enganados” e perderam poupanças de 50 e 60 anos de trabalho em produtos do banco.

“Temos aqui casos que nos relataram de viva voz, de gente que hoje está a passar algumas dificuldades, pessoas que vieram [emigraram] nos anos 60 e 70, que tem 50 e 60 anos de trabalho na Venezuela, que tinham as suas poupanças, pessoas já com uma faixa etária extremamente elevada e hoje não sabem o que hão de fazer, perderam tudo”, disse o presidente da ALBOA.

Jacinto Silva falava à agência Lusa, em Caracas, no âmbito da visita à Venezuela de uma delegação da ALBOA, para recolher reclamações para enviar ao regular dos mercados financeiros em Portugal, sobre vendas fraudulentas de produtos pelo banco Banif.

“O Banif, para eles, era uma instituição que merecia toda a credibilidade, até porque era um banco originário da Madeira e muito da diáspora aqui é efetivamente da Madeira. Era o seu banco, o banco da sua região e acreditavam plenamente naquilo que os comerciais lhes diziam, e o que lhes diziam era que eram produtos seguros, que não havia problemas”, disse.

Segundo aquele responsável há também “muitos casos de acionistas” a quem foi dito que “as ações já só valiam um cêntimo e não podiam desvalorizar mais”.

“Na comercialização dos produtos do Banif houve claramente uma comercialização desajustada, fora do próprio banco, muitas vezes nos encontros sociais, nos almoços e jantares. (…) Também vimos aqui testes de avaliação feitos que são surreais, portanto mais uma vez dizemos, e era isso que esperávamos, que não fica dúvidas de que houve práticas enganosas na venda e na comercialização destes produtos”, frisou.

Durante a recolha de reclamações, uma das sessões “aqueceu”, começando um dos lesados a dizer que na última fase do banco o já presidente do Governo regional da Madeira, Miguel Albuquerque, acompanhou a Caracas uma missão do Banif e “deu a cara”.

“Foi mais uma razão, porque se o presidente dava a cara, era porque não estava tão mal, (mas) afinal estava”, afirmou o lesado.

Jacinto Silva explicou ainda que “foi feito (em Caracas) um trabalho que terá que ter continuidade” por parte da ALBOA “para chegar ao maior número de lesados”.