Banif: Portugueses na Venezuela em dificuldades porque “perderam tudo”

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Observador

Banif: Portugueses na Venezuela em dificuldades porque “perderam tudo”

 

A Associação de Lesados do Banif, detetou, na Venezuela, casos de emigrantes portugueses que estão a passar dificuldades porque “foram enganados” e perderam poupanças de 50 e 60 anos.

A Associação de Lesados do Banif (ALBOA), detetou, na Venezuela, casos de emigrantes portugueses que estão a passar dificuldades porque “foram enganados” e perderam poupanças de 50 e 60 anos de trabalho em produtos do banco.

“Temos aqui casos que nos relataram de viva voz, de gente que hoje está a passar algumas dificuldades, pessoas que vieram [emigraram] nos anos 60 e 70, que tem 50 e 60 anos de trabalho na Venezuela, que tinham as suas poupanças, pessoas já com uma faixa etária extremamente elevada e hoje não sabem o que hão de fazer, perderam tudo”, disse o presidente da ALBOA.

Jacinto Silva falava à agência Lusa, em Caracas, no âmbito da visita à Venezuela de uma delegação da ALBOA, para recolher reclamações para enviar ao regular dos mercados financeiros em Portugal, sobre vendas fraudulentas de produtos pelo banco Banif.

“O Banif, para eles, era uma instituição que merecia toda a credibilidade, até porque era um banco originário da Madeira e muito da diáspora aqui é efetivamente da Madeira. Era o seu banco, o banco da sua região e acreditavam plenamente naquilo que os comerciais lhes diziam, e o que lhes diziam era que eram produtos seguros, que não havia problemas”, disse.

Segundo aquele responsável há também “muitos casos de acionistas” a quem foi dito que “as ações já só valiam um cêntimo e não podiam desvalorizar mais”.

“Na comercialização dos produtos do Banif houve claramente uma comercialização desajustada, fora do próprio banco, muitas vezes nos encontros sociais, nos almoços e jantares. (…) Também vimos aqui testes de avaliação feitos que são surreais, portanto mais uma vez dizemos, e era isso que esperávamos, que não fica dúvidas de que houve práticas enganosas na venda e na comercialização destes produtos”, frisou.

Durante a recolha de reclamações, uma das sessões “aqueceu”, começando um dos lesados a dizer que na última fase do banco o já presidente do Governo regional da Madeira, Miguel Albuquerque, acompanhou a Caracas uma missão do Banif e “deu a cara”.

“Foi mais uma razão, porque se o presidente dava a cara, era porque não estava tão mal, (mas) afinal estava”, afirmou o lesado.

Jacinto Silva explicou ainda que “foi feito (em Caracas) um trabalho que terá que ter continuidade” por parte da ALBOA “para chegar ao maior número de lesados”.