Archive for the ‘Acionistas’ Category

Quase 40 mil acionistas

Segunda-feira, Dezembro 28th, 2015

Citamos:

Expresso

Banif tem 39.728 pequenos acionistas, representantes de 31,33% do capital do banco, noticia o “Diário Económico”. Em breve, estes investidores, que passaram a ser acionistas do Banif ‘mau’, a liquidar no futuro próximo, irão perder a suas participações.

As ações do Banif foram suspensas na quinta-feira, dia 17 de dezembro, e já foram excluídas do PSI20 e da negociação na Bolsa de Lisboa. Antes da suspensão as ações valiam 0,02 cêntimos.

Com a resolução foram salvaguardados todos os depósitos e a dívida sénior, os restantes credores ficaram no veículo criado para ficar com os ativos tóxicos, a Naviget. A venda dos ativos que irão transitar para este veículo irão servir para cobrir as perdas dos acionistas e credores.

Um dos ativos que a Navigest irá vender é 48% da Seguradora Açoreana, empresa que está avaliada em entre 30 milhões a 60 milhões de euros, segundo avança o “Diário Económico”. Os restantes 52% da Açoreana estão nas mãos da Rentipar, a holding dos herdeiros de Horácio Roque, fundador do banco.

Informações sobre o Banif – perguntas frequentes

Quarta-feira, Dezembro 23rd, 2015

Citamos

Comunicado do Banco de Portugal

FAQ_Banif_20151223

 

Guia para compreender caso Banif

Terça-feira, Dezembro 15th, 2015

Citamos

Jornal de Notícias

Em modo de contrarrelógio, Ministério das Finanças, Banco de Portugal e Banif têm menos de três semanas para encontrar uma solução que salvaguarde o banco e todos os seus depositantes. O que se passa e como se chegou até aqui?

Se tiver um depósito a prazo inferior a cem mil euros por titular e por banco, o dinheiro estará sempre seguro, qualquer que seja o desfecho. O Fundo de Garantia de Depósitos assegura que os clientes com até cem mil euros em depósitos a prazo por titular e por banco nunca perderão o dinheiro (capital mais juros). Ou seja, se uma pessoa tiver uma conta num dado banco só em seu nome, estão garantidos cem mil euros; se a conta estiver no nome de duas pessoas, estão garantidos 200 mil euros; se a mesma pessoa tiver contas só no seu nome em dois bancos e, em cada um, tiver um depósito de cem mil euros, estão ambos garantidos na totalidade.

2. Como funciona o fundo?

Se o banco entrar em colapso, o fundo é acionado. No espaço de sete dias, tem de desembolsar até dez mil euros; depois de 20 dias, tem de desembolsar o restante. O fundo é alimentado pelos bancos do país em causa e, se não tiver dinheiro suficiente para reembolsar todos os depositantes, poderá pedir empréstimos. Abrange os bancos online e as sucursais de bancos de países da União Europeia. Neste último caso, o dinheiro é reembolsado pelo fundo do país de origem.

3. E se o depósito for superior a cem mil euros?

Tudo dependerá do que vier a acontecer. Esta terça-feira, o Banco de Portugal emitiu um comunicado dizendo que, em colaboração com as Finanças, “está a acompanhar a situação do Banif, garantindo, como é da sua competência, a estabilidade do sistema financeiro, bem como a segurança dos depósitos”, sem especificar como. Também o presidente do Banif, Jorge Tomé, veio a público passar uma mensagem de “serenidade e tranquilidade” e garantir que “os depositantes e contribuintes podem estar descansados”. Até agora, o Estado tem garantido todos os depósitos a prazo, qualquer que seja o seu valor, ainda que seja à custa dos contribuintes. Por exemplo, no caso do BES, os depositantes foram todos transferidos para o “banco bom (o Novo Banco), enquanto outros clientes ficaram no “banco mau”, como os detentores de papel comercial. Contudo, a partir de janeiro de 2016 o Estado português poderá ficar impedido de garantir depósitos bancários de grande valor. É que entra em vigor a Diretiva para a Recuperação e Resolução Bancária, que permite que um Estado socorra um banco, mas impõe perdas aos acionistas, aos possuidores de dívida sénior e aos depositantes com mais de cem mil euros.

4. Os contribuintes podem perder dinheiro para salvar o Banif?

Já perderam e podem vir a perder mais. No último dia de 2012, o Ministério das Finanças e o Banco de Portugal anunciaram um acordo para recapitalizar o banco. Como os donos da instituição financeira não tinham dinheiro suficiente, o Estado transferiu um total de 1100 milhões de euros, divididos em duas partes. Primeiro, entrou no capital social com 700 milhões, tornando-se quase o seu acionista único, com 99%, através de ações especiais. Entretanto, um aumento do capital ditou a entrada de novos acionistas e a diluição da posição do Estado para os atuais 60,5%. Segundo, emprestou-lhe 400 milhões através de obrigações convertíveis (capital contingente, ou CoCos). Estes 400 milhões deveriam ser devolvidos em várias tranches, mas já estão em atraso 125 milhões. A injeção financeira no Banif foi inscrita nas contas públicas e entrou em linha de conta para o défice de 2013. Agora, se o Banif for vendido, os contribuintes podem recuperar uma parte do dinheiro, mas não é realista esperar que recuperem a totalidade, já que a cotação em bolsa do Banif está em queda livre. O Estado pagou um cêntimo por cada ação, que esta terça-feira vale um décimo de cêntimo. E como o banco precisa de mais dinheiro, o Estado (enquanto acionista maioritário) poderá vir a ser chamado a pagar mais.

5. Se houve uma intervenção do Estado, por que é que o Banif continua em apuros?

Tal como outros bancos intervencionados pelo Estado durante a vigência da troika, o Banif recebeu injeções de dinheiros públicos, a troco de uma reestruturação. Contudo, tem falhado numa série de aspetos. Por exemplo, ainda não vendeu a seguradora Açoreana nem os negócios no Brasil, Cabo Verde ou Malta. Ainda, tem um alto nível de crédito malparado e muitos imóveis registados contabilisticamente por um valor muito superior ao do mercado – ou seja, se os vender, não conseguirá receber tanto quanto diz que eles valem. Do ponto de vista institucional, há também vários problemas: arrasta-se o diferendo com a Comissão Europeia relativamente ao plano de reestruturação, que ainda não foi aprovado apesar de o banco já ter avançado com medidas como o fecho de balcões e despedimento de trabalhadores; em 2014, falhou o reembolso ao Estado da tranche de 125 milhões de euros do empréstimo acordado em 2012, o que levou Bruxelas a abrir uma investigação aprofundada sobre eventuais ajudas ilegais do Estado português; e tem falhado sucessivas tentativas de venda.

6. Que soluções podem ser encontradas?

Há vários cenários em cima da mesa, mas ainda nenhum é certo. Um dos cenários é a resolução (um passo intermédio entre a nacionalização e a dissolução) e a criação de um banco bom e um banco mau, escolhendo os ativos e os passivos que vão para cada um – à semelhança do que foi feito para o BES. Outro é a constituição de uma empresa e transferência dos bens problemáticos, como o crédito de cobrança duvidosa, o que teria a vantagem de tornar o Banif mais atrativo para potenciais compradores mas deixaria o Estado com uma empresa que, potencialmente, vale zero. Tem sido noticiada a existência de vários interessados, incluindo espanhóis, chineses ou norte-americanos, mas ainda nada está fechado. Qualquer que seja a solução, terá de ser aprovada pela Comissão Europeia.

7. Por que é que o problema ainda não foi resolvido?

Em modo de contrarrelógio, Ministério das Finanças, Banco de Portugal e Banif têm menos de três semanas para encontrar uma solução que salvaguarde o banco e todos os seus depositantes. Por que razão é que ainda não há uma solução, três anos depois de ter sido necessária uma intervenção financeira do Estado? A pergunta só poderá ser respondida pelo Governo de Pedro Passos Coelho, pelo governador do Banco de Portugal e pelo próprio Banif.

8. Por que é que as ações estão em queda livre?

Há muito que se sabe das dificuldades financeiras e operacionais do Banif e da cada vez maior urgência em encontrar uma solução. No entanto, nas últimas semanas, a cotação do banco tem caído a pique. Uma possível explicação será a disputa entre a antiga ministra das Finanças e o atual primeiro-ministro. Em outubro, numa entrevista à TVI, António Costa acusou o Governo anterior de sonegar informação sobre “dossiês financeiros” problemáticos e a real situação financeira do país. Logo depois, Maria Luís Albuquerque veio a público garantir não haver causa para quaisquer preocupações com o Banif e acusar o PS de irresponsabilidade. O episódio levou o Banif para a praça pública e desde então o valor das ações não tem parado de cair. A meio da tarde desta terça-feira, cada ação valia um décimo de cêntimo. Ou seja, com apenas um cêntimo de euro era possível comprar dez ações do banco fundado por Horário Roque.

Banif afunda após anúncio de novo Aumento de Capital

Terça-feira, Abril 15th, 2014

Citamos

Surfar a tendência

Como já tive oportunidade de referir imensas vezes, um anúncio de aumento de capital corresponde geralmente a um anúncio de sarilhos para a cotação de uma empresa. Foi isso que se voltou a verificar hoje com o Banif, após ter sido anunciado que o banco colocaria no mercado 13,8 mil milhões de novas acções a 1 cêntimo cada. Esta notícia teve um impacto duplamente negativo nas cotações, já que além do pedido de esforço financeiro acabou por desiludir os accionistas que acreditavam que a salvação do banco vinha da Guiné.

Acreditem numa coisa: o CEO do Banif não estará a contar a história toda quando diz que “prefere capitalizar-se no mercado do que recorrer ao dinheiro dos investidores da Guiné Equatorial”. Não faz sentido do ponto de vista gestionário que assim seja, e o discurso que acompanha essa afirmação parece-me claramente no sentido de levar os accionistas ao AC. Diria que um de dois cenários poderão ter levado a esse caminho. O mais provável? Os Guineenses foram inteligentes e terão colocado como condição a uma eventual participação qualificada a capitalização prévia do banco. O segundo cenário passará por uma tentativa de tirar força a uma eventual participação destes novos accionistas, diminuindo assim a necessidade de capital para pouco mais de 300 milhões e aumentando o poder de negociação da actual administração. Seja como for, nenhum dos dois cenários parece defender os melhores interesses dos accionistas, defendendo-se quando muito os interesses da actual administração. Nem o volteface quanto aos direitos de voto (o domínio voltará a sair das mãos do estado) me parece um justificativo válido o suficiente…

Quanto à cotação, é provável que a convergência para 1 cêntimo se mantenha. Ainda não se conhecem todas as condições da oferta (nomeadamente a proporção de direitos por título detido), mas a julgar pelas anteriores operações será provável que a convergência aconteça. Desta vez temos dois factores menos maus a pesar do lado dos accionistas, o menor volume de diluição e o maior optimismo nos mercados. Estes factores poderão contribuir para spikes e reacções ascendentes de curto prazo, apesar de ser pouco provável que a cotação no médio prazo vá muito longe.

Pessoalmente manter-me-ei bem afastado deste aumento de capital. Não me parece minimamente atractivo, não me parece que o cenário de curto prazo seja optimista e não me parece que os spikes do passado tenham tido por detrás um jutificativo suficientemente válido para me levarem a acreditar que possam voltar a ocorrer.
Não excluo esse cenário, mas não gosto de negociar com base na aleatoriedade. Para isso prefiro o ambiente de um casino.

Fica o gráfico actualizado.

BANIF SA