Archive for the ‘António Varela’ Category

Banif: como funcionava um “banco péssimo”?

Quarta-feira, Abril 13th, 2016

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Público

Relatório da auditoria forense de 2014 conta como os créditos eram aprovados, sem garantias, se perdoavam juros a alguns clientes e se alteravam contratos ao arrepio das regras.

Há o caso de um cliente que recebeu um novo crédito, mesmo depois de ter passado por uma “reestruturação financeira”, e ficando a dever 500 mil euros ao Banif, só em juros de mora. Foi-lhe concedido um “perdão de juros”. E um novo crédito.

Outro queria aumentar a sua linha de crédito, que era de 20 milhões de euros. A proposta foi avaliada e aprovada. Poderia agora aceder, através de uma “conta caucionada”, a 40 milhões, desde que reforçasse o valor dos “colaterais”, garantias que o banco pode usar em caso de incumprimento. O Banif, porém, decidiu dar-lhe 50 milhões. E prescindiu de garantias.

A Deloitte, que o Banco de Portugal contratou para fazer uma auditoria forense à gestão do Banif, sublinha estes e outros casos, no seu relatório de Março de 2014 – há mais de dois anos. O Banco de Portugal abriu “processos de contra-ordenação” e expressou aos administradores do Banif a sua preocupação pela “gravidade das situações descritas”.

O relatório, a que o PÚBLICO teve acesso, descreve créditos aprovados e contratados “sem que existisse uma análise de risco”, o que é um evidente “incumprimento formal” das regras bancárias. Mais: “Aprovação de operações de crédito por parte do órgão de gestão, apesar do parecer condicionado, desfavorável ou até mesmo dispensa de emissão de parecer pelo analista de crédito.”

“Foram identificadas operações cuja data de contratação é anterior à aprovação da proposta”, continua o relatório. Em casos limite, o banco chegava a aprovar operações de crédito a clientes para pagarem dívidas ao próprio banco. E a lista continua, com acusações de haver nos registos contabilísticos “provisões mal calculadas” e um deficiente registo de imparidades.

António Varela, o ex-administrador que o Estado nomeou, em 2013, classificou o Banif, numaanimada audição da comissão de inquérito, como “banco péssimo”. E foi esta a situação que encontrou quando assumiu funções. Um banco sem registos sérios, nem sistema informático funcional.

Alguma coisa mudou, com a gestão de Jorge Tomé que Varela viria a integrar. O relatório refere essa mudança. Mas a dúvida permanece: como foi possível que um banco assim funcionasse, no período de mais apertada supervisão “intrusiva” da história da banca portuguesa? Até 2011 o Banif tinha estas insuficiências; no final de 2012 foi-lhe injectada uma ajuda pública de 1,1 mil milhões de euros, no pressuposto de ser um banco “viável”; e em Dezembro de 2015 foi resolvido com um prejuízo público de três mil milhões.

Elisa Ferreira e Máximo dos Santos no Banco de Portugal

Quarta-feira, Abril 13th, 2016

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Negócios

Elisa Ferreira está de saída do Parlamento Europeu e a caminho do Banco de Portugal, apurou o Negócios. A eurodeputada ficará com a pasta da supervisão bancária, depois da saída de António Varela. Luís Máximo dos Santos entra para a administração.

Elisa Ferreira está de saída do Parlamento Europeu e a caminho do Banco de Portugal, apurou o Negócios. A eurodeputada vai ficar com a pasta da supervisão, que estava livre desde a saída de António Varela do banco central. Máximo dos Santos também entra para a administração do banco, deixando assim a liderança do BES “mau”.

António Varela saiu do Banco de Portugal a 7 de Março, tendo a pasta da supervisão prudencial sido assumida por Carlos Costa, enquanto não houvesse substituto.

Durante a sua visita ao Parlamento Europeu, o Presidente da República tinha sinalizado que um eurodeputado iria ocupar um lugar no sistema financeiro em Portugal.

Marcelo Rebelo de Sousa, que está em Estrasburgo a visitar o Parlamento Europeu, reuniu-se com os eurodeputados e depois do encontro deixou no ar, informalmente, que poderia haver uma baixa entre os eurodeputados.

“Estava eu a falar de instituições financeiras e acontece, quem sabe, se não haverá aqui perdas – relativas porque há enriquecimento noutras áreas – de quem, em qualquer caso, tem uma posição muito útil para continuar a fazer a ponte com as instituições europeias no domínio financeiro”, disse junto dos eurodeputados, de acordo com o noticiado pela TVI24.

A até agora eurodeputada do PS liderou a equipa do Parlamento Europeu que, em 2014, chegou a entendimento com os Governo da União Europeia sobre o mecanismo único de resolução dos bancos, no quadro da União Bancária.

Elisa Ferreira foi uma das economistas que integrou a equipa que fez para António Costa o cenário macroeconómico, que esteve na base do Programa Eleitoral do PS e era um dos nomes falados para o Governo, caso o PS vencesse as eleições.

Numa entrevista ao Negócios, publicada a 25 de Fevereiro do ano passado, a eurodeputada não confirmou que tivesse sido convidada para integrar o Executivo de António Costa e respondeu: “Temos de ver onde somos mais úteis“.

A lei diz que os membros do Conselho de Administração do Banco de Portugal são designados pelo Governo, sob proposta do Governo.

Contactada pelo Negócios, Elisa Ferreira não quis fazer qualquer comentário.

Quanto à entrada de Máximo dos Santos no banco central, Banco de Portugal pediu ao Banco Central Europeu para iniciar o processo de revogação da autorização do Banco Espírito Santo, o que irá esvaziar as funções do gestor.

BCE exigiu venda do Banif “por todos os meios disponíveis”

Quinta-feira, Abril 7th, 2016

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Público

As autoridades portuguesas exploraram um “plano C”, a criação de um “banco de transição” que permitisse adiar a venda do Banif, para negociar melhor. Foi o BCE que fechou essa última porta.

Nos últimos 15 dias do Banif, as portas iam-se fechando, uma a uma, para uma solução mais pacífica. A fusão com a Caixa Geral de Depósitos, proposta pelo Governo, foi liminarmente rejeitada pela Comissão Europeia, que também não quis ouvir falar de uma nova capitalização pública, como defendia o Banco de Portugal. Sobrava, então, um “plano C” às autoridades portuguesas. Aplicar ao Banif uma resolução, criando um banco “bom”, de transição, que permitisse alargar o prazo para a venda (prevista para 18 de Dezembro de 2015) e, eventualmente, fazer subir o preço e diminuir o valor a pagar pelos contribuintes.

Essa hipótese começou a falhar no dia 15 de Dezembro, cinco dias antes da resolução. Era a véspera de duas importantes reuniões das estruturas do Banco Central Europeu (BCE). No dia 16, em Frankfurt, reunir-se-iam os governadores de todos os bancos centrais do eurossistema, encontro onde estaria Carlos Costa, e que seria presidido por Vítor Constâncio. Uns pisos abaixo, reunir-se-ia o conselho de supervisão, que contaria com a presença do administrador do Banco de Portugal com esse pelouro, António Varela.

Varela contou aos deputados, na comissão de inquérito, na passada quinta-feira, que a reunião em que participou discutiu a hipótese de criar um “banco de transição” que permitisse às autoridades ganhar o tempo necessário. E foi claro sobre este ponto: “Estávamos, no conselho de supervisão, confiantes de que íamos ter autorização para constituir um banco de transição.”

O que este responsável não disse aos deputados é que já na véspera dessa reunião era claro para toda a gente que o BCE se opunha à solução apresentada. Às 22h26 de dia 15, Varela recebeu um email do seu colega do BdP José Ramalho que não podia deixar margem para dúvidas: “O BCE está inteiramente contra.” Nesse email, que mistura frases escritas metade em português, metade em inglês, Ramalho explicava que o banco de transição teria a oposição do BCE “mesmo como fallback do sale of business“. Isto é – numa só língua –, mesmo que a venda até 18 de Dezembro não resultasse. Ramalho acrescenta, para que não restem dúvidas, que “para eles” (o BCE), só a hipótese da venda “deve ser prosseguida”. E, de novo em inglês: “With all means available” (Por todos os meios disponíveis).

A expressão original é de Jukka Vesala, o director-geral finlandês da supervisão no BCE. Num email que também chegou a António Varela, no dia 15, Vesala escreve: “A venda deve ser prosseguida por todos os meios disponíveis.” E mais: “Vou expressar as nossas preocupações no conselho de supervisão amanhã face ao banco de transição.” Havia três condições, impossíveis, para que o BCE aceitasse a proposta que Varela considerava.

A francesa Danièle Nouy, que preside ao conselho de supervisão, expressou, também na véspera da reunião, as suas dúvidas. O banco de transição, tal como estava proposto, “não é um banco viável”, decreta a responsável.

Por isso, é estranho que Varela tivesse entrado, e ainda mais saído, da reunião de 16 optimista. Segundo o seu depoimento na comissão de inquérito, foi o conselho de governadores, ao suspender o estatuto de contraparte a partir do dia 21, que tornou impossível a solução. “Fiquei surpreendido, quando percebi que uns pisos acima [da reunião da supervisão], onde estava reunido um outro órgão do BCE [o conselho dos governadores], se tinha decidido que o Banif tinha de ser resolvido ou vendido até segunda-feira, porque nessa altura o banco já não tinha estatuto de contraparte.” Mas era isso, precisamente, que estava explícito na ideia de prosseguir a venda “por todos os meios”…

“Nem percam tempo…”

Ainda assim, Varela disse aos deputados que se tratou de uma “mudança” de posição, que “restringiria claramente e dificultaria a venda do Banif”, cujo prazo para a apresentação de propostas terminava no dia 18.

No dia 19, a mesma Danièle Nouy, presidente do conselho de supervisão do BCE, tal como fizera a Comissão Europeia (através de três responsáveis,como o PÚBLICO noticiou esta quinta-feira), apresenta, também sem margem para dúvidas, o comprador do Banif. “A chamada com o Santander correu muito bem e a Comissão Europeia vai aprovar.” É assim que começa um mail, dirigido ao Governo português.

Maria Luís diz que a única pessoa que nomeou para o BdP foi Carlos Costa

Quinta-feira, Abril 7th, 2016

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Expresso

“A única nomeação que propus para o Banco de Portugal (BdP) foi a dr Carlos Costa”, atirou a ex-ministra das Finanças, depois de Miguel Tiago, deputado do PCP, lhe ter perguntado se tinha nomeado António Varela para a administração do banco central

Nunca propus António Varela para governador. A única nomeação que propus para o Banco de Portugal foi a o dr Carlos Costa”, afirmou Maria Luís Alburque. A ex-ministra das Finanças, agora deputada e vice-presidente do PSD, respondia à pergunta do deputado do PCP, Miguel Tiago, sobre se tinha nomeado António Varela para a administração do BdP.

Maria Luís Albuquerque nega, assim, a informação que foi noticiada pela imprensa na altura da nomeação de António Varela, a de que tinha sido uma escolha da então ministra das Finanças e que seria uma possibilidade para a substituição de Carlos Costa. Mas, pouco tempo antes do final do anterior governo, o executivo de Pedro Passos Coelho decidiu nomear Carlos Costa para um segundo mandato.

Os intocáveis em Bruxelas e Frankfurt

Quarta-feira, Abril 6th, 2016

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Negócios

O caso Banif mostra, de forma crua e a cores, a pouca ou nenhuma soberania que o Estado tem sobre a banca. Como estamos entregues à tecnocracia distante, absolutista e perigosamente inoperante de Bruxelas e Frankfurt.

António Varela, que foi administrador do Banif nomeado pelo Estado e vice-presidente do Banco de Portugal, já tinha deixado na comissão parlamentar de inquérito ao Banif um retrato do “modus operandi” quase “kafkiano” do processo …

Banif. Audições arrancam a 29 de março com ex-gestores

Quarta-feira, Março 9th, 2016

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Observador

Audições da comissão de inquérito arrancam a 29 de março e ouvem primeiro Jorge Tomé e Luís Amado, ex-gestores do Banif. António Varela é ouvido antes do governador. 60 entidades vão ser chamadas.

Quem é António Varela, o administrador de saída do Banco de Portugal?

Terça-feira, Março 8th, 2016

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Negócios

Foi nomeado por Maria Luís Albuquerque para o Banco de Portugal após a queda do BES. Ficou com a supervisão directa dos bancos. Tinha estado na administração do Banif. Também passou pela Cimpor. Esteve em várias polémicas.

“A supervisão não podia ter melhor titular do que o Dr. António Varela”. As palavras, de Maria Luís Albuquerque, foram proferidas quando o nome por si escolhido se juntou à equipa do Banco de Portugal. Era Setembro de 2014, um mês depois da derrocada do Banco Espírito Santo. Varela entrou e tirou o pelouro da supervisão prudencial, actuação directa sobre os bancos, ao vice-governador, Pedro Duarte Neves, na altura sob forte crítica pública.

No discurso de tomada de posse de Varela, a então ministra das Finanças foi dura com o antecessor (“face aos desafios que o Banco de Portugal enfrenta, é fundamental o reforço das competências nas áreas mais críticas de actuação”; “a supervisão é crítica para assegurar a estabilidade financeira”) e elogiosa para com o novo administrador do regulador (“uma pessoa bem preparada”).

E o curriculum de António Varela tem sido notícia desde aí mas, no caso da esquerda política, com fortes ataques. Antes de ir para o regulador do sector financeiro, em Setembro de 2014, o administrador do Banco de Portugal, que agora pede demissão, tinha estado no Banif. Também aí esteve num cargo de nomeação do Ministério das Finanças, na altura com Vítor Gaspar como ministro e Maria Luís Albuquerque como secretária de Estado do Tesouro e Finanças. Integrou a administração do banco fundado por Horácio Roque em Março de 2013, enquanto membro não executivo. Foi um nome escolhido para representar o Estado na administração após a injecção de 1,1 mil milhões de euros no arranque desse ano.

 

António Varela saiu do Banif e foi para o Banco de Portugal supervisioná-lo. Os dois papéis tornam-no num nome incontornável para os vários partidos que o colocam na lista de audições convocadas para a comissão de inquérito ao Banif, um banco que caiu e necessitou de intervenção estatal (com uso de 2.255 milhões de euros).
O administrador que não decidiu o Banif

 

Na reunião do conselho de administração do Banco de Portugal que decidiu a resolução aplicada ao Banif, a 20 de Dezembro de 2015,António Varela optou por se ausentar da sala, para não ter de decidir (a decisão é tomada mas em “solidariedade” com os restantes membros). Em causa estava um “motivo de impedimento” apresentado pelo administrador e aceite pelo governador Carlos Costa, “em virtude de ser depositante do Banif e detentor de valores mobiliários por este emitidos”.

cotacao[Varela não esteve na reunião que decidiu a resolução do Banif porque] apresentou um motivo de impedimento, que o governador considerou justificado nos termos da lei, em virtude de ser depositante do Banif e detentor de valores mobiliários por este emitidos. ACTA DO BANCO DE PORTUGAL Deliberação da reunião das 23:30 de 20 de Dezembro de 2015

 

Aliás, os vários investimentos que Varela tem na banca foram notícia no Público, em Abril de 2015: O administrador do Banco de Portugal mantinha as acções de bancos por si regulados, como o Banif,Santander e o BCP, mesmo depois de assumir o cargo no regulador.

Em relação a essa notícia, o Banco de Portugal afirmou, na altura, que criou um grupo de trabalho para “estudar e propor soluções que neutralizem potenciais conflitos de interesse emergentes da detenção (…) de carteiras constituídas antes da assunção de funções”.

 

Varela fora da venda do Novo Banco

A reunião da resolução do Banif não foi a única em que a participação de António Varela foi questionada. Aquando da contratação da TC Capital para assessorar o primeiro concurso internacional para a venda do Novo Banco, depois falhado, o governador teve de explicar-se no Parlamento. Isto porque a TC Capital, escolhida a par do BNP Paribas, pertence a Phillipe Sacerdot, antigo director-adjunto da banca de investimento do UBS, e António Varela também trabalhou na unidade do UBS em Portugal. Carlos Costa respondeu que o administrador participou na “decisão formal” que definiu a contratação mas não na “decisão substancial”. “A reunião que iniciou o processo não contou com a presença do administrador que é motivo da sua preocupação”,disse o governador no Parlamento.

Apesar de olhar para os rácios do Novo Banco, no âmbito da supervisão prudencial, António Varela não tinha poder em relação à sua venda. Estando com o pelouro da supervisão prudencial (era aliás membro do Conselho de Supervisão do Mecanismo Único de Supervisão, cargo que fica vazio com a sua demissão), António Varela ficou afastado do processo de venda do Novo Banco. Uma confirmação dada pelo Banco de Portugal (devido à “separação operacional entre as funções de supervisão e de resolução”) depois de o Expresso ter noticiado a relação “difícil” entre Carlos Costa e António Varela.

Sobre a ausência de Varela nos assuntos relativos à resolução e venda do BES, foi explicado pelo regulador que “o Dr. António Varela solicitou em Maio passado ao governador, que concordou, a libertação de qualquer envolvimento no processo de venda do Novo Banco, salvo o que decorresse do exercício da supervisão sobre a instituição ou da apreciação e votação colegiais, em conselho de administração das deliberações sobre aquela transacção e matérias conexas em que não devesse considerar-se impedido”.

António Varela sai da supervisão do Banco de Portugal

Segunda-feira, Março 7th, 2016

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Observador

Administrador pediu a demissão de administrador do Banco de Portugal com o pelouro da supervisão. A informação já foi confirmada.

António Varela demitiu-se do cargo de administrador do Banco de Portugal. A SIC avança que o administrador com o pelouro da supervisão pediu a demissão esta segunda-feira. O Banco de Portugal confirmou entretanto que “o administrador Dr. António Varela transmitiu hoje ao conselho de administração a sua renúncia ao mandato de administrador do Banco de Portugal, apresentada pelo próprio ao Governo, nos termos previstos na lei”. O mandato de Varela terminava apenas em 2019.

Segundo a SIC, que não especifica onde obteve a informação, o pedido de demissão está relacionado com alegadas divergências sobre o rumo da política do banco central em matérias relacionadas com a banca.

Varela foi administrador do Banif, em representação do Estado, antes de ser nomeado para o Banco de Portugal quanto Maria Luís Albuquerque era ministra das Finanças. Varela entrou em funções em setembro de 2014, depois do colapso do Banco Espírito Santo, na mesma altura em que tomou também posse Hélder Rosalino, ex-secretário de Estado da Administração Pública.

Na altura da tomada de posse Maria Luís Albuquerque disse que António Varela era o homem adequado para o cargo da supervisão. A sua demissão acontece num momento de forte pressão política sobre o Banco de Portugal, em particular sobre o governador, Carlos Costa, depois de desenlace do caso Banif, da decisão de transferir dívida do Novo Banco para o BES, e ainda por causa da oposição do regulador bancário a soluções para o pagamento do papel comercial aos clientes do antigo Banco Espírito Santo.

Carlos Costa, que deu recentemente uma longa entrevista ao Expresso, tem recusado demitir-se do cargo. E os estatutos de independência do Banco de Portugal impedem que seja afastado pelo governo, a não ser em caso de falha grave de conduta.

A demissão de António Varela acontece antes de se iniciar a comissão parlamentar de inquérito ao Banif onde será chamado a depor, na qualidade de antigo administrador do Estado no Banif, mas também enquanto responsável pelo pelouro da supervisão prudencial.

Responsável da supervisão do BdP esteve dois anos na administração do Banif

Terça-feira, Dezembro 22nd, 2015

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Esquerda net

O administrador do Banco de Portugal António Varela foi o administrador não executivo representante do Estado no Banif entre janeiro de 2013 e setembro de 2014.

O administrador do Banco de Portugal (BdP) António Varela, responsável pelo Departamento de supervisão prudencial da entidade liderada por Carlos Costa – que tem por objetivo “garantir a estabilidade financeira das instituições e a segurança dos fundos que lhes foram confiados” -, foi o administrador não executivo representante do Estado no Banif entre janeiro de 2013 e setembro de 2014. Durante este período, a Comissão Europeia emitiu vários alertas sobre a situação do banco, tendo recusado diversos planos de reestruturação apresentados pela administração do Banif.

Segundo a biografia disponibilizada pelo BdP, António Varela, além de contar com passagens pela Sagres – Sociedade de Titularização de Créditos, Cimpor, Petrogal e Partex, foi executive director e managing director do Investment Bank da UBS AG e foi diretor, diretor central adjunto, diretor central e diretor-geral adjunto do Banco Comercial Português, tendo ainda dirigido a prestação de serviços financeiros daquele grupo.