Archive for the ‘Ativos’ Category

Cerca de 60% dos activos do Banif que passaram para o Naviget são imóveis

Quarta-feira, Janeiro 6th, 2016

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Público

Veículo criado na esfera do Fundo de Resolução tem também participações em empresas como a Ascendi.

Cerca de 60% dos activos do Banif que passaram para o veículo criado na esfera do Fundo de Resolução  são imóveis, de acordo com informações recolhidas pelo PÚBLICO.

A exposição do Naviget ao sector imobiliário é feita directamente, através da detenção de casas ou prédios, por exemplo,  como também através de fundos de investimento. De acordo com dados do Banco de Portugal, entre os activos rejeitados pelo Santander Totta, e que foram transmitidos para este veículo, estão o Banif Imopredial, um fundo de investimento imobiliário aberto, e o Citation, fundo de investimento imobiliário aberto.

A criação do Naviget implicou um esforço financeiro de 746 milhões de euros, pago ao Banif (no processo de compra do Santander Totta) em troca desses activos. De acordo com o Governo, o valor inicial desses activos era 2170 milhões de euros, mas Bruxelas impôs desde logo um corte de 66% ao valor de balanço.

Neste momento, o cenário desenhado por Bruxelas pressupõe uma perda estimada de 422 milhões de euros na venda por parte do veículo, ou seja, que o encaixe global na alienação destes activos será apenas de 324 milhões de euros.  OS 422 milhões já estão imputados como responsabilidade do Fundo de Resolução, mas ainda como perda potencial. E, caso não se consiga  chegar aos 324 milhões, mais perdas haverá, a somar ao valor global.

O Naviget, além dos imóveis, tem ainda parte da Açoreana Seguros, uma participação no Vallis (fundo dedicado à recuperação de empresas de construção, com o apoio da banca), bem como acções da Fomentinvest ou da Ascendi.

Depois, há o Banif Bank, de Malta, cuja venda já estava em curso antes da resolução e que deverá render a primeira quantia ao Naviget, valendo 18 milhões. De acordo com a Lusa, a Naviget abriu um programa de rescisões a que podem concorrer os 500 trabalhadores do Banif que foram transferidos.

Banif: PSD quer comissão parlamentar a avaliar supervisores desde 2008

Quarta-feira, Janeiro 6th, 2016

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TVI

Comissão deverá, desde logo, “apurar as práticas da gestão do Banif que conduziram à necessidade de recapitalização pelo Estado em 2013, bem como as práticas de gestão desde então”

O PSD quer que a comissão parlamentar ao Banif avalie as condições das entidades públicas competentes desde 2008, nomeadamente os governos, supervisores financeiros, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu.

“Avaliar as condições e o modo de exercício das atribuições próprias das entidades públicas nacionais e europeias competentes nesta matéria, desde 2008, e, em especial, a atuação de governos, supervisores financeiros, Comissão Europeia e Banco Central Europeu, tendo em conta as específicas atribuições e competências de cada um dos intervenientes, no que respeita à defesa do interesse dos contribuintes, da estabilidade do sistema financeiro e dos interesses dos depositantes, demais credores e trabalhadores da instituição” é um dos objetivos enunciados.

No texto entregue hoje para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito “à gestão do Banif, ao processo que conduziu à aplicação da medida de resolução e alienação da sua atividade e às suas consequências”, o PSD estabelece ainda que o funcionamento não deve ultrapassar os 120 dias.

Para o PSD, a comissão deverá, desde logo, “apurar as práticas da gestão do Banif que conduziram à necessidade de recapitalização pelo Estado em janeiro de 2013, bem como as práticas de gestão desde então, o papel desempenhado pelo supervisor, acionistas e pelos auditores externos e outros fatores relevantes para análise da situação de desequilíbrio financeiro da instituição e da aplicação a esta instituição de crédito de uma medida de resolução e venda da sua atividade”.

“Apreciar os processos, as alternativas e ações dirigidas à recapitalização do Banif pelo Estado, às iniciativas de reestruturação do banco e de venda voluntária da participação do Estado e de ativos do banco, à medida de resolução e à venda da atividade do Banco Santander Totta”, é outro dos objetivos apresentados.

Os sociais-democratas consideram que a comissão deve “apurar os factos relevantes para a degradação da situação do banco ou desvalorização dos seus ativos, quer no período prévio à aplicação da medida de resolução, quer no âmbito desta”.

O objeto da comissão passa também, na proposta do PSD, pela avaliação do processo e decisão de venda ao Santander Totta, as alternativas, as condições financeiras e garantias futuras, nomeadamente para os contribuintes, para os trabalhadores e à atividade nas regiões autónomas e na diáspora.

A comissão deve também “apreciar os termos da transição de ativos e responsabilidades para o veículo de gestão de ativos Naviget, respetivo funcionamento e garantias futuras de defesa do interesse público” e “avaliar o quadro legislativo e regulamentar nacional e comunitário, aplicável ao setor financeiro e a sua adequação aos objetivos de prevenir, controlar e fiscalizar as práticas conducentes à situação em que se encontrou o Banif”.

Bloco defende “redondo não” a entrega do sistema bancário ao exterior

Quarta-feira, Janeiro 6th, 2016

Citamos

Notíciais ao Minuto

O Bloco de Esquerda (BE) trouxe hoje ao parlamento o sistema bancário português, nomeadamente os casos do BES/Novo Banco e do Banif, e defendeu um “redondo e rotundo não” à entrega “por inteiro” do sistema financeiro “a interesses externos”.

“O dispositivo europeu que impôs a venda do Banif é o mesmo que amanhã virá a exigir a privatização da Caixa Geral de Depósitos. E tudo será feito em nome do suposto interesse dos contribuintes portugueses”, alertou a deputada bloquista Mariana Mortágua numa declaração política no parlamento.

Sinalizando que “é difícil, nesta fase, fazer um cálculo exato de tudo o que custou a inércia deliberada do anterior governo” ou a “precipitação dos eventos dos últimos dias” no sistema bancário, a deputada chama contudo a atenção: “Se assumirmos as últimas contas publicadas pelo Banif como realistas concluiremos que o montante injetado é maior que o buraco detetado no banco”.

E acrescentou: “Quem comprou o Banif levou um banco que não só está limpo como ainda tem dinheiro de sobra para recapitalizar o seu novo dono”.

Já o Novo Banco, reconhece Mariana Mortágua, é “maior e mais importante que o Banif”, e “quem o detiver determinará boa parte da política de crédito ao setor empresarial do país, sem falar na enorme rede de agências e nos seus trabalhadores”.

O empréstimo de 3,9 mil milhões de euros do Fundo de Resolução “não tem data de retorno”, lembrou a parlamentar, e “desengane-se” quem acha que a resolução do BES “foi feita sem recurso a capitais públicos”.

“O Banco de Portugal não aprendeu com os erros de ontem. A pressa em despachar o Novo Banco é, em si, um fator evidente de desvalorização que só beneficiará o comprador”, declarou a deputada do Bloco.

No Novo Banco e no Banif Bruxelas – acreditra Mortágua – quer “concentrar” a propriedade da banca portuguesa nas mãos dos grandes grupos financeiros europeus”.

“O que está em cima da mesa é o fortalecimento do mercado financeiro único europeu, dominado por grandes grupos económicos, à custa da absorção dos bancos nacionais saneados com dinheiros públicos. É exatamente por esta razão que o Banif nunca deveria ter sido entregue ao Santander e que o Novo Banco não pode ser privatizado”, vincou a deputada.

O parlamentar do PS Carlos Pereira, numa declaração seguinte à da bloquista, criticou PSD e CDS-PP sobre o Banif, dizendo que ambos os partidos “esconderam o que se estava a passar” na entidade “por motivos eleitorais”.

Duarte Pacheco, deputado do PSD, definiu as palavras de Mariana Mortágua como “a crítica mais contundente ao PS e ao Governo do PS” vinda da bancada do Bloco, partido que apoia o executivo a nível parlamentar.

“Dia após dia o BE quer estar com o governo nas coisas simpáticas mas quer desresponsabilizar-se pela totalidade de gestão”, criticou o social-democrata.

Já Miguel Tiago, deputado do PCP, lembrou o que defende ser a necessidade de haver um “controlo público da banca”.

Afinal, quem é o BANIF?

Segunda-feira, Janeiro 14th, 2013

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Esquerda Net

O que o BANIF continua a demonstrar é que entre aqueles que vêm pedir auxílio do dinheiro público aos atuais governantes, estão sempre aqueles que estão ou estiveram ligados a outros Governos anteriores.

Desde que a decisão de injetar 1,1 mil milhões de euros nossos no BANIF foi tornada pública, os arautos da bonança (para variar) desdobraram-se em declarações de tranquilidade: “O BANIF não é o BPN”. Certamente, estas declarações não tranquilizam ninguém, porque ninguém se esquece de Teixeira dos Santos e dos mesmos arautos da bonança a dizer que se tinha de salvar o BPN sob o risco de contaminar o restante sector.

Na altura, Teixeira do Santos, além de anunciar que “nada seria feito que prejudicasse o interesse dos contribuintes”, afirmava que a injeção de 600 milhões de euros seria para que o Banco não fechasse portas. O tempo passou, muita tinta correu, e hoje o buraco pelos vistos pode ir até aos 7 mil milhões. Certamente, não estamos a assistir com o BANIF o mesmo imbróglio que se assistiu com o BPN. Mas a história recente deve levar-nos desde o início destes processos a duvidar de declarações de tranquilidade.

Mas, à parte dos números, há uma coisa em que o BPN e o BANIF são iguais: nas ligações com o poder político. Se o BPN tinha Dias Loureiro e Oliveira Costa, antigos ministros de Cavaco, o BANIF tem também a sua quota de ligações a Cavaco, Carlos Moedas, José Sócrates e Alberto João Jardim. Agora que estão injetados no BANIF 1,1 mil milhões dos contribuintes, é nosso direito saber quem manda nos destinos desse direito. E uma coisa é certa, comparações à parte, para o banco precisar de 1,1 mil milhões de euros, alguém teve culpa. E novamente, é o dinheiro público que o vai salvar.

Um antigo Presidente do Conselho de Administração, Marques dos Santos, disse em 2010 que o BANIF continuaria “autónomo e independente”. Mas então vejamos quem é o BANIF:

– José Lino Tranquada Gomes, Secretário da Assembleia Geral entre 2000 e 2006 e Vogal do Conselho Fiscal entre 2007 e 2011, é deputado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira (ALRAM) pelo PSD;

– Rui Manuel Silva Gomes do Amaral, administrador de 2000 a 2004, foi Administrador do Banco de Portugal e chegou a ser nomeado pelo PS para Presidente do Conselho de Administração do Instituto de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e Pescas;

– Carlos Alberto Rosa, Presidente do Conselho Fiscal entre 2000 e 2006, foi deputado do CDS na Assembleia da República;

– José Eduardo Nunes de Melo, administrador em 2006, foi membro do executivo da Junta de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima pela coligação PSD/CDS;

– Fernando Mário Teixeira de Almeida, Presidente do Conselho Fiscal de 2006 a 2012, foi membro da Comissão Política de Cavaco Silva no PSD;

– António Ernesto Neto da Silva, Vogal do Conselho Fiscal de 2007 a 2012, foi Secretário de Estado do Comércio Externo do XI Governo de Cavaco Silva;

– Diogo António Rodrigues da Silveira, administrador de 2007 a 2012, foi sócio de Carlos Moedas, Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro do atual Governo;

– João Manuel Figueira da Silva Santos, Secretário da Assembleia Geral em 2007, membro do Conselho Regional do PSD Madeira;

– Luís Manuel Moreira de Campos e Cunha, Presidente da Assembleia Geral entre 2007 e 2010, foi Ministro do primeiro Governo de José Sócrates;

– Miguel José Luís de Sousa, Secretário da Assembleia Geral de 2007 a 2011 e atual Presidente da Assembleia Geral, é deputado do PSD na ALRAM;

– Manuel Carlos de Carvalho Fernandes, administrador desde 2012, foi Secretário de Estado do Tesouro do XI Governo, com Cavaco Silva como Primeiro-Ministro;

– Luís Filipe Marques Amado, atual Presidente do Conselho de Administração, foi Ministro em ambos os Governos de José Sócrates;

Um quem é quem do BANIF não é um exercício de demagogia ou de areia nos olhos. Deve ser tido como um direito à informação estando, neste momento, o Estado e todos nós, para todos os efeitos, com a maior parte da responsabilidade nesse problema. Dizer que é demagogia é fugir ao que estes casos evidenciam: o que o BANIF continua a demonstrar é que entre aqueles que vêm pedir auxílio do dinheiro público aos atuais governantes, estão sempre aqueles que estão ou estiveram ligados a outros Governos anteriores. Não deixa de ser engraçado, e em igual maneira assustador, o modo como estes casos ilustram o braço dado da política e da banca.

Mais um episódio na história de amor-ódio: amor por parte do Estado, que vai sempre ao socorro dum banco em apuros; ódio por parte dos bancos, que só ajudam o Estado se os lucros forem motivo de grandes sorrisos.