Archive for the ‘Banco Santander Totta’ Category

Associação quer que Santander Totta reembolse lesados do Banif Finance

Sábado, Junho 10th, 2017

Citamos

Diário de Notícias da Madeira

A Associação dos Lesados do Banif (ALBOA) considera que o Santander Totta, após ter adquirido o Banif Finance, tem uma “oportunidade única” para repor justiça, reembolsando à massa insolvente o valor justo pelo ativo comprado.

“A ALBOA está convicta de que os responsáveis pela liquidação do Banif Finance darão oportunidade ao Santander Totta de repor justiça: reembolsar à massa insolvente o devido valor pelo ativo adquirido”, lê-se num comunicado hoje divulgado pela associação.

“É o próprio Santander Totta que reconhece publicamente que a compra ocorreu por um valor simbólico, confirmando assim que o negócio com um desconto de 99% prejudicou gravemente a situação patrimonial do Banif Finance e, por essa via, a capacidade deste pagar a dívida que tem para com os seus credores (obrigacionistas)”, realçou a ALBOA.

E acrescentou: “É ainda o próprio Santander Totta que em posições públicas reconhece a necessidade de deter o controlo da totalidade dos instrumentos de capital do Banif International Bank (objetivo que o levou à compra destas ações que lhe não pertenciam), facto que evidencia a grande importância e valor das mesmas”.

Por tudo isto, a ALBOA considera “haver uma oportunidade única de o Santander Totta repor justiça na situação por si criada e indemnizar o Banif Finance de acordo com o valor patrimonial das referidas ações”.

Na nota de imprensa da ALBOA é salientado que o Santander Totta comprou os ativos do Banif Finance por 90 mil euros, ou seja, “um desconto de 99% face aos valores reportados em balanço”.

A associação reforçou que, “pelo facto do Banco Santander Totta ter a necessidade de deter o controlo da totalidade dos instrumentos de capital do Banif International Bank, devia pagar o devido valor por este ativo e não um ‘valor simbólico’, como aliás o exigia a imperatividade de não prejudicar os ativos do Banif Finance e os seus credores”.

Mais, segundo a ALBOA, “se o Banco Santander Totta, para proceder com a sua vontade de liquidar o Banif International Bank, entende ser necessária a aquisição deste ativo, deveria ter incorporado o próprio Banif Finance nas entidades que adquiriu no cenário de resolução, em dezembro de 2015”.

A entidade que representa os lesados do Banif disse acreditar que “os responsáveis pela liquidação do Banif Finance atualmente em curso assegurarão sempre a necessária oportunidade do Banco Santander Totta repor esta situação e proceder em tempo ao reembolso do valor pago por estas ações, que o Santander Totta diz ter comprado por um ‘valor simbólico’”.

Na terça-feira, o Santander Totta disse que apenas comprou ações preferenciais ao Banif Finance por 90 mil euros para poder concluir a liquidação do Banif Bahamas.

A explicação foi dada à Lusa por fonte oficial do Santander Totta depois de a ALBOA ter lamentado o negócio, criticando a “ridícula quantia” pela qual foi feito e exigindo acesso aos documentos da venda.

Segundo fonte oficial do banco, o que está em causa são ações preferenciais emitidas pelo Banif Bahamas (entidade do Banif que passou para o Santander Totta, aquando da resolução do banco, e no qual foram encontradas operações irregulares) e cujo subscritor foi o Banif Finance (entidade que, na resolução, ficou no Banif ‘mau’).

“O Banif Bahamas está em processo de liquidação há mais de um ano. Para facilitar toda a operação do processo de liquidação chegou-se a acordo para comprar por um valor simbólico essas ações preferenciais”, explicou o Santander Totta, considerando que foi feito então negócio por um “valor simbólico”.

Na altura, em reação, o presidente da ALBOA, Jacinto Silva, considerou que a compra deste ativo do Banif Finance pelo Santander Totta prejudicou “mais uma vez os obrigacionistas do Banif Finance” e disse que ia tomar medidas para consultar os documentos do negócio.

A ALBOA estima que há 3.500 clientes lesados pelo Banif que perderam 265 milhões de euros em investimentos de produtos no banco.

A associação considera que os produtos foram vendidos usando argumentos enganosos, como o de que o Banif era do Estado (quando este tinha, de facto, a maioria do capital), o que dava garantia extra sobre os produtos, existindo também situações em que era dito aos clientes que havia uma garantia da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) ou que eram como depósitos a prazo, mas com juros mais altos.

O Banif foi alvo de resolução em dezembro de 2015 por decisão do Governo e do Banco de Portugal, com a venda da atividade bancária ao Santander Totta por 150 milhões de euros e a criação da sociedade-veículo Oitante para a qual foram transferidos os ativos que o Totta não comprou.

Continua a existir ainda o Banif, agora ‘banco mau’, no qual ficaram os acionistas e os obrigacionistas subordinados, que provavelmente nunca receberão o dinheiro investido.

Lesados Banif e Santander Totta acusam: houve 99% de desconto na aquisição do Banif Bahamas

Quinta-feira, Junho 8th, 2017

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A Associação diz que “dada a relevância e gravidade da questão em causa, vai pedir uma audiência ao Banco de Portugal assim como ao Ministério das Finanças  tendo em vista também ter acesso ao documento de formalização da venda da participação acionista do Banif International Bank,

A Associação de Lesados Banif e Santander Totta acusa de ter havido um desconto de 99% na compra da participação acionista do Banif International Bank, a entidade bancária sediada nas Bahamas que foi vendida ao Santander à data da resolução do ex-Banif.

A Associação diz que este ativo do Banif Finance comprado pelo Santander Totta, “valia 18,3 milhões de euros, de acordo com o último Relatório Financeiro de Junho 2015. Ou seja, a compra daquele ativo do Banif Finance pelo Santander-Totta fez-se por menos de 1% do seu valor real! Ou seja, um desconto de 99%!”, acusa a associação.  Pois a venda daquele ativo “foi feita pela ridícula quantia de 90 mil euros”.

“O surpreendente negócio que agora vem a público surge na sequência da operação altamente proveitosa para aquele banco de capital espanhol: a compra (cedência) da parte saudável do ex-Banif pelo Santander-Totta em Dezembro de 2015. Escassos meses depois, aparentemente no segundo semestre de 2016, eis um novo, discreto e excelente negócio para o Santander à custa dos credores, isso quando já se agravava cada vez mais o cenário de incumprimento para com os obrigacionistas Banif Finance (entre os quais muitos associados da ALBOA). Com esta venda ao Santander-Totta os Lesados Banif perdem efetivamente, mais uma vez, uma parte importante dos ativos que poderiam responder pelos seus créditos”, diz a associação em comunicado.

“Dada a relevância e gravidade da questão em causa, a ALBOA vai pedir uma audiência ao Banco de Portugal assim como ao Ministério das Finanças  tendo em vista também ter acesso ao documento de formalização da venda em causa”, conclui a associação dos lesados.

 

Alboa lamenta venda de ativo do Banif Finance ao Santander Totta

Terça-feira, Junho 6th, 2017

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Dinheiro Vivo

O presidente da Alboa, Jacinto Silva, lamentou a alienação do ativo pela “ridícula quantia” de 90 mil euros e exige acesso ao documento da venda

O presidente da Alboa, Jacinto Silva, lamentou hoje a alienação de um ativo do Banif Finance ao Santander Totta pela “ridícula quantia” de 90 mil euros e exige acesso ao documento da venda.

“Isto foi tudo feito nas costas das pessoas, em ‘timings’ acertados, e mais uma vez vêm os obrigacionistas do Banif Finance a saber que foram prejudicados com todas estas negociatas”, disse Jacinto Silva em declarações à Lusa, que exige saber quem foi responsável por este negócio.

De acordo com o responsável, o Santander Totta adquiriu este ativo importante do Banif Finance, já pós resolução e poucos meses antes deste último entrar em liquidação pela quantia de 90 mil euros, num negócio que apenas foi conhecido a 18 de maio, com a publicação do Relatório e Contas consolidado de 2016 do banco, onde a instituição financeira indica ser dona da totalidade daquele ativo. O ativo em questão (participação acionista privilegiada no Banif International Bank, a entidade bancária sediada nas Bahamas que foi vendida ao Santander à data da resolução do ex-Banif) valia 18,3 milhões de euros, de acordo com o último Relatório Financeiro de junho 2015, disse Jacinto Silva.

“Ou seja, a compra daquele ativo do Banif Finance pelo Santander Totta fez-se por menos de 1% do seu valor real”, disse. Depois de ter já solicitado à bolsa de Luxemburgo uma explicação sobre este negócio e “dada a relevância e gravidade da questão em causa”, a Alboa vai pedir uma audiência ao Banco de Portugal, assim como ao Ministério das Finanças, tendo em vista também ter acesso ao documento de formalização da venda em causa.

“Com esta venda ao Santander Totta os lesados do Banif perdem efetivamente, mais uma vez, uma parte importante dos ativos que poderiam responder pelos seus créditos”, lamentou ainda Jacinto Silva. A Alboa representa 3.500 obrigacionistas subordinados que perderam 263 milhões de euros no processo de venda do banco ao Santander, bem como 4.000 obrigacionistas da Rentipar (‘holding’ através da qual as filhas do fundador do Banif, Horácio Roque, detinham a sua participação), que investiram 65 milhões de euros, e ainda 40 mil acionistas, dos quais cerca de 25 mil são oriundos da Madeira.

O Santander Totta adquiriu o Banif por 150 milhões de euros em dezembro de 2015, na sequência de uma resolução do Governo da República e do Banco de Portugal, através da qual foi criada a sociedade-veículo Oitante, para onde foi transferida a atividade bancária que o comprador não adquiriu. No passado dia 28 de março, no decorrer de uma visita que efetuou à Madeira, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que ainda não havia nenhuma solução para resolver o problema dos lesados do Banif, visto que a CMVM não reconheceu a existência de “práticas indevidas” na venda de produtos do banco.

“Esta é uma situação em que, ao contrário do que aconteceu na situação do BES, ainda não houve por parte da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários um reconhecimento de práticas indevidas na venda dos produtos, o que limita muito, da parte do Estado, a possibilidade de encontrar mecanismos como aqueles que temos relativamente aos lesados do BES”, afirmou então António Costa.

O governante fez estas declarações após uma reunião com os dirigentes da Alboa, que decorreu na Quinta Vigia, sede da presidência do Governo Regional da Madeira. “A solução ainda não existe. Temos de continuar a trabalhar para que ela possa existir”, disse António Costa, vincando que se trata de uma “matéria muito difícil”, em relação à qual há registo de “situações verdadeiramente dramáticas” e casos de pessoas que “manifestamente foram enganadas”.

Banif não encontra dossiers de investimento de alguns clientes

Segunda-feira, Maio 22nd, 2017

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Público

Dossiers de investimento dos obrigacionistas são documentos essenciais para a CMVM avaliar as queixas que recebeu até ao momento.

O Banif ainda não conseguiu encontrar parte dos documentos dos clientes do banco que subscreveram obrigações subordinadas da instituição, soube o PÚBLICO junto de fontes do sector financeiro. Um ‘apagão’ que dificulta o trabalho da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) quando tenta averiguar se a venda desses produtos respeitou todas as regras e, assim, responder às queixas dos investidores que se dizem prejudicados.

O PÚBLICO sabe que nos últimos meses o Banif, o ‘banco mau’ que resultou do colapso da instituição fundada por Horácio Roque, recebeu da CMVM dezenas de pedidos de acesso a processos de investidores de obrigações subordinadas que foram emitidas pela instituição antes da recapitalização pública que decorreu a 31 de Dezembro de 2012, mas também nos três anos que se seguiram, antes do colapso do banco.

O PÚBLICO apurou que o Conselho de Administração liderado por Bracinha Vieira continua a desenvolver diligências para tentar recolher toda a documentação confidencial para a poder reencaminhar para a CMVM, para que esta entidade de supervisão possa avaliar o que se passou com a venda da dívida do banco. Ainda que o liquidatário já tenha dado resposta a cerca de metade dos pedidos, continua sem saber onde param muitos dos dossiers.

Uma fonte não oficial do Banco de Portugal refere que, não estando a documentação no Banif, onde devia estar, ou está perdida nas outras entidades envolvidas na resolução [Oitante e Santander] ou, na pior das hipóteses, pura e simplesmente desapareceu.

Ao contrário do BES, em que toda a documentação sensível ficou centralizada, o Banif foi dividido por três: no banco mau; na Oitante; e no Santander. A actividade residual do Banif, que ficou sem activos e passivos, inclui as filiais do Banif Cabo Verde e do Banif Brasil, assim como todas as contingências legais e fiscais. Já a Oitante foi o veículo criado pelo Banco de Portugal para receber os activos supostamente recuperáveis, mas que o grupo espanhol recusou. O Santander ficou com a parte comercial (não tóxica) e, por essa via, tem vindo a recolher toda a informação que, do ponto de vista do negócio lhe interessa.

Um outro responsável observou que as subscrições obrigacionistas do Banif estão a ser avaliadas caso a caso, cliente a cliente. E já foram detectadas situações diferentes. Não só de misselling, mas também há casos em que as regras foram cumpridas e outras, mais raras, em que o cliente foi aconselhado pelo banco por escrito a não investir e, mesmo assim, optou por o fazer.

No Banif estão em causa várias emissões de dívida, que foram colocadas ao longo do tempo, antes e depois de 2012, quando o Estado injectou 1.100 milhões de euros e se tornou o dono de mais de 90% das acções. Uma das condições desta operação era não pagar as que iriam vencer antes de devolver a ajuda pública.

Depois da recapitalização, em 2013, já com Jorge Tomé à frente do banco, houve uma nova emissão de obrigações seniores tendo os investidores sido reembolsados. Em 2014 tiveram lugar mais dois empréstimos, estes subordinados: um em dólares, de 30 milhões, liquidados em Janeiro de 2015, outro em euros, de 80 milhões, que não foi pago. Um responsável do antigo Banif notou que as duas emissões foram auditadas pela CMVM, que acompanhou todo o processo e a venda, e garantiu que há dossiers com o perfil de cada cliente, considerando legítimo admitir que se não foram encontrados é porque desapareceram.

Em Junho de 2016, depois de ter assumido a parte boa do banco fundado por Horácio Roque, o Santander Totta lançou uma emissão de obrigações subordinadas a 10 anos com um juro de 7,5%. E que se destinou aos credores do Banif menos protegidos, os cerca de 3500 clientes com obrigações subordinadas que ficaram no ‘banco mau’, e que procuram reaver o investimento feito, de 263 milhões de euros. A adesão à operação do Santander não implicou perda dos direitos sobre as obrigações subordinadas que subscreveram do Banif.

Face a estas informações, o PÚBLICO tentou obter esclarecimentos junto da CMVM e do Banif. A entidade de supervisão apenas disse que está a tratar as várias reclamações que recebeu. Já o Banif preferiu não comentar, alegando que se trata de informação sigilosa.

Desde o colapso do Banif, entraram na CMVM mais de mil reclamações de clientes: 883 no âmbito da associação de lesados, a ALBOA, e outras 503 desde Dezembro de 2015.

Associação diz que Totta não mostra interesse na solução dos lesados do Banif

Segunda-feira, Maio 1st, 2017

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Jornal de Notícias

A Alboa, associação que representa os lesados do Banif disse não saber se o Santander Totta vai participar numa solução para estes lesados.

“O Santander [o banco que ficou com parte do Banif] ainda não afirmou que quer participar na nossa solução”, afirmou o representante da Alboa, Jacinto Silva, à saída de uma audiência esta manhã no parlamento, no seguimento de auscultações a entidades relacionadas com o setor bancário que contribuam para novas medidas legislativas na área da banca.

Sobre esta reunião, Jacinto Silva disse apenas ter servido para dar a conhecer aos deputados do grupo parlamentar do PS as más experiências de investimento dos lesados do Banif, que dizem ter sido vítimas de “comercialização com erro” de produtos financeiros e que, por isso, fizeram uma avaliação errada dos produtos (misselling’).

Sobre a fase em que estão as negociações para encontrar uma solução para estes lesados, o responsável da Alboa respondeu: “Continuamos na nossa luta”, salientando que a associação tem soluções e que “só precisa sentar-se à mesa”.

Já em relação à reunião com o grupo parlamentar, Jacinto Silva congratulou-se com todas as medidas que evitem que erros como os que aconteceram com os lesados do Banif se voltem a repetir.

O Governo e o Banco de Portugal anunciaram em 20 de dezembro de 2015 a resolução do Banif – Banco Internacional do Funchal, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos – incluindo “tóxicos” – para uma nova sociedade veículo.

Em fevereiro, o presidente da Comissão Executiva do Santander Totta disse, nos Açores, após uma audiência com o presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, que estava a ser estudada a situação dos clientes do ex-Banif subscritores de obrigações subordinadas, que totalizam 3500 em todo o país com valores de 263 milhões de euros.

Carlos Presunça, que indicou que nos Açores há cerca de mil lesados, destacou as diferenças existentes entre BES e Banif, alegando que esta última instituição bancária estava intervencionada pelo Estado, que tinha o capital maioritário, enquanto o BES pertencia a uma família.

Comissão de inquérito ao Banif avança em força

Sábado, Abril 22nd, 2017

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Diário de Notícias da Madeira

Apesar da falta de resposta do Banco de Portugal, os deputados regionais insistem

Os deputados que compõem a Comissão Eventual de Inquérito ao Banif, criada na Assembleia Legislativa da Madeira, vão insistir em ouvir todos os responsáveis pelo processo de venda do antigo banco que tinha na Madeira o seu mercado original e grande parte dos clientes lesados pelo negócio do Estado com o Santander Totta.

Os trabalhos têm sido atrasados pela demora do Banco de Portugal em enviar a documentação requerida pelo parlamento regional, embora seja obrigatória, o que leva a que preparação da audição dos responsáveis que irão ser notificados tenha de ser reagendado.

Ontem realizou-se uma reunião da referida comissão, presidida pelo deputado social-democrata Carlos Rodrigues, e que visou a apreciação de assuntos sobre o seu funcionamento e para ser feito “um ponto de situação sobre a não evolução das coisas”.

Entretanto foi deliberado por todos os partidos com assento na Comissão Eventual, especialmente pelo CDS, PS e PSD, que apresentaram propostas para dar andamento aos trabalhos. Carlos Rodrigues acredita que com as novas diligências, as audições poderão ser concluídas até final da actual Legislatura, que termina em Julho próximo.

O PSD aprovou um requerimento para audição de mais três entidades – novamente a Associação de Lesados do Banif, o representante do Santander, no caso o presidente do Conselho de Administração daquele banco, e ainda o representante do Governo no processo, o advogado Diogo Lacerda Machado -, proposta aprovada por todos os partidos.

O PS, dada a falta de resposta do Banco de Portugal, requereu na insistência do pedido de dados ao banco central e na presença do governador Carlos Costa na comissão. Proposta também aprovada por unanimidade. Jorge Tomé, responsável do Banif até à resolução, que ficou de enviar a relação de imparidades consideradas incobráveis na altura, e que não o fez até à data, venha a fazê-lo o mais rapidamente possível.

Refira-se que a demora na disponibilização de informação requerida pela Comissão a várias entidades, já mereceu da parte do próprio presidente da Assembleia Legislativa um esclarecimento, inclusive ao presidente do Banco de Portugal para que respeite a obrigatoriedade de colaborar com a comissão e a legitimidade da mesma.

Lesados do Banif entram com nova acção judicial contra Banco de Portugal

Domingo, Abril 9th, 2017

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Público

Uma centena de investidores apresentou uma acção judicial para impugnar as deliberações do supervisor na clarificação da transferência de activos do Banif para o Santander e para a Oitante.

Um grupo de lesados do Banif apresentou esta semana no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa uma acção judicial pedindo a anulação de uma deliberação do Banco de Portugal (BdC), com data de 4 de Janeiro deste ano, que clarificou e introduziu alterações nas medidas tomadas aquando da decisão de resolução do banco.

O documento, a que o PÚBLICO teve acesso, é assinado por uma centena de investidores do Banif, representados pela sociedade MRA Advogados, que no ano passado já tinha entrada com uma acção semelhante – pedindo a impugnação da resolução do banco.

Agora, os mesmos signatários contestam tanto a “essência” do acto, como o facto de o BdP pretender modificar “sem nenhuma fundamentação” a medida de resolução aplicada ao Banif. “Decide de forma diversa da que se contém da medida de resolução originária e sem que se facultem quaisquer dados que permitam quantificar o seu impacto financeiro”, sustentam os advogados, sublinhando que esta nova deliberação do supervisor modifica de forma “substancial” a medida de resolução original, tomada em Dezembro de 2015.

Deviria por isso, no entender destes investidores, ser devidamente fundamentada, não só para aferimento do impacto das alterações introduzidas nos direitos e interesses dos antigos investidores do banco, que tinha sede no Funchal.

Nesta deliberação o supervisor, dizem os queixosos, prosseguiu a operação de “desnatamento” do património do Banif, sem alterar as condições do negócio que fez com o Banco Santander e com a Oitante. Isto, acrescentam, sem audiência prévia dos interessados.

Além do BdP, os visados pela acção são o Estado, na figura do Ministério Público, o Ministério das Finanças, o Banif, o Santander, o Fundo de Resolução, a Direcção-geral da Concorrência da Comissão Europeia, a Comissão Europeia e a Oitante. A título individual, são chamados também a responder Miguel Morais Alçada, presidente do Conselho de Administração do Banif, Carla Dias Rebelo, vice-presidente do Banif, Issuf Ahmad, presidente da Comissão de Fiscalização do Banif, e José Manuel Bernardo, revisor oficial de contas do banco.

Além das duas acções de impugnação, o mesmo grupo de investidores apresentou, em Junho do ano passado, uma queixa-crime no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), por considerarem ter sido vítimas de burla quando investiram no banco.

Em causa, estão as garantias dadas pelo discurso oficial do Estado e do próprio banco, que “ludibriaram” os investidores, fazendo-os acreditar na “segurança absoluta” dos investimentos. “O facto de o Estado se ter assumido como o maior acionista do Banif foi usado para enganar os investidores, usando-se tal facto como argumento para garantir que qualquer investimento no Banif era seguro”, argumentam os queixosos.

“Interesse nacional não foi bem acautelado” no Banif, diz Luís Amado

Segunda-feira, Março 27th, 2017

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Observador

 

Luís Amado, último presidente do Conselho de Administração do Banif, diz que houve, “claramente”, um “apoio a uma instituição ibérica” para que comprasse o Banif — numa referência ao Santander.

Luís Amado, último presidente do Conselho de Administração do Banif, diz que houve, “claramente”, um “apoio a uma instituição ibérica” para que esta comprasse o Banif — numa referência ao Santander. Em entrevista ao Jornal de Negócios e Antena 1, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros diz que o interesse nacional “não foi bem acautelado” nesse processo e, também, na resolução do Banco Espírito Santo — Luís Amado fala em “experimentação” para desenhar a União Bancária europeia.

“No contexto da União Bancária, o rolo compressor desta, a partir do momento em que entrou em vigor a parte mais recente da legislação, a pressão das instituições europeias sobre a visão das instituições nacionais foi muitíssimo grande”, diz Luís Amado, defendendo que “a arquitetura do sistema bancário europeu foi desenhada em grande parte à revelia dessa visão do interesse específico nacional.

No caso português pareceu-me evidente, até porque houve situações de experimentação no caso português, em grande parte no BES e mesmo no Banif. Situações que serviram de referência para o próprio processo de avanço da União Bancária”.

No caso do Banif, que Luís Amado viveu de perto, o interesse “não foi bem acautelado, se tivermos em consideração a grande exposição que as duas Regiões Autónomas tinham com o Banif, especificamente a quota de mercado que aí representava e o que representou neste caso a cedência do Banif naquele contexto, aos interesses de uma visão do conjunto europeu. E que prevaleceu, no fim do processo, claramente de apoio a uma instituição ibérica”.

No Banif e no BES, a resolução foi boa opção? Havia alternativa? “Eu não sei se havia alternativa, sinceramente. Porque é preciso estar na posição de negociação que não era a minha, a posição de confronto direto com as instituições europeias. Agora acho que do ponto de vista dos interesses nacionais não foram as boas opções”, defende Luís Amado.

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros comentou, também, o cumprimento da meta do défice, lembrando que a Comissão Europeia fez pressão, antes do verão, para que o Governo aumentasse a disciplina na execução orçamental. “O défice de 2016 em grande parte foi conseguido com um corte grande no investimento público e por antecipação de dívidas ao Estado”, diz Luís Amado, alertando que “os problemas estruturais continuam lá todos” e uma dia acabará o “efeito anestesiante” dos estímulos do Banco Central Europeu (BCE).

Os problemas estruturais subsistem e subsistirão, até porque é muito difícil numa fórmula de governo minoritário, com os constrangimentos a que este Governo está sujeito, conciliar as expectativas de curto prazo com as exigências estruturais de médio e de longo prazo”.

Santander Totta dá ultimato a lesados do Banif

Sábado, Março 18th, 2017

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Diário de Notícias da Madeira

Banco não quer o seu nome, marca e imagem associados ao diferendo

O Banco Santander Totta deu um ultimato de três dias à Associação de Lesados do Banif (Alboa) para que sejam retiradas todas as referências ao seu nome, marca e imagem nas comunicações referentes ao diferendo. A situação foi tornada pública por aquela associação de lesados e confirmada ao DIÁRIO por uma fonte do Santander Totta.

No comunicado, a Alboa diz ter recebido uma “carta ameaçadora” do Santander Totta, a pedir para que não seja usado o seu “nome, marca e imagem” nas suas comunicações .

Os lesados dizem ter recebido uma missiva de um escritório de advogados em representação do Santander Totta referindo que a Alboa efectua referências, nomeadamente na internet, a ‘Lesados Banif e Santander Totta’, “sem para isso estar autorizada, lesando desta forma os direitos de propriedade industrial” do banco.

“A Alboa esclarece que o uso de tal referência prende-se com o facto de muitos dos seus associados se considerarem também lesados do Santander Totta, visto que a compra da actividade bancária do Banif pelo Santander Totta, em condições extremamente vantajosas, criou um laço indesmentível com os clientes da instituição adquirida”, defende a associação.

Os lesados dizem que na missiva que receberam é dado um prazo de três dias para serem “apagadas todas as referências” ao Santander Totta: “Com esta atitude o Santander Totta tenta assim limpar a sua relação com os lesados Banif e as responsabilidades morais e patrimoniais daí advindas”, advogam estes clientes.

Fonte do Santander Totta, contactada pelo DIÁRIO, confirmou que foi dado aquele prazo para que a Alboa retire todas as referências ao banco. De acordo com a mesma fonte, “as pessoas que subscreveram os produtos de investimento junto do Banif, não sofreram qualquer lesão por parte do Santander Totta”, razão pela qual entende que “não se podem intitular lesados do Banco Santander Totta”. *COM LUSA

Alboa sugere que Santander Totta não mostrou querer participar na solução dos lesados do Banif

Sexta-feira, Março 17th, 2017

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Sapo 24

A associação que representa os lesados do Banif (Alboa), que pediu hoje ao grupo parlamentar do PS regras mais apertadas para os investidores, afirmou não saber se o Santander Totta vai participar numa solução para estes lesados.

“O Santander [o banco que ficou com parte do Banif] ainda não afirmou que quer participar na nossa solução”, afirmou o representante da Alboa, Jacinto Silva, à saída de uma audiência esta manhã no parlamento, no seguimento de auscultações a entidades relacionadas com o setor bancário que contribuam para novas medidas legislativas na área da banca.

Sobre esta reunião, Jacinto Silva disse apenas ter servido para dar a conhecer aos deputados do grupo parlamentar do PS as más experiências de investimento dos lesados do Banif, que dizem ter sido vítimas de “comercialização com erro” de produtos financeiros e que, por isso, fizeram uma avaliação errada dos produtos (misselling’).

Sobre a fase em que estão as negociações para encontrar uma solução para estes lesados, o responsável da Alboa respondeu: “Continuamos na nossa luta”, salientando que a associação tem soluções e que “só precisa sentar-se à mesa”.

Já em relação à reunião com o grupo parlamentar, Jacinto Silva congratulou-se com todas as medidas que evitem que erros como os que aconteceram com os lesados do Banif se voltem a repetir.

O Governo e o Banco de Portugal anunciaram em 20 de dezembro de 2015 a resolução do Banif – Banco Internacional do Funchal, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos – incluindo ‘tóxicos’ – para uma nova sociedade veículo.

Em fevereiro, o presidente da Comissão Executiva do Santander Totta disse, nos Açores, após uma audiência com o presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, que estava a ser estudada a situação dos clientes do ex-Banif subscritores de obrigações subordinadas, que totalizam 3.500 em todo o país com valores de 263 milhões de euros.

Carlos Presunça, que indicou que nos Açores há cerca de 1.000 lesados, destacou as diferenças existentes entre BES e Banif, alegando que esta última instituição bancária estava intervencionada pelo Estado, que tinha o capital maioritário, enquanto o BES pertencia a uma família.