Archive for the ‘Fundo Apollo’ Category

Apollo oferece 10 milhões à família Roque pela Açoreana

Terça-feira, Janeiro 26th, 2016

Citamos

Económico

Apollo negoceia compra de 52% do capital. Supervisor e Governo preferem solução que mantenha empresa e postos de trabalho.

A Apollo foi seleccionada para entrar em negociações exclusivas para a compra da Açoreana, com o prazo negocial a decorrer até à próxima sexta-feira. A gestora de fundos americana apresentou uma proposta de cerca de 10 milhões de euros pela maioria do capital da Açoreana, propondo assumir também parte dos custos com rescisões de funcionários, apurou o Diário Económico.

A oferta da Apollo, avançada através da subsidiária luxemburguesa Calm Eagle, diz respeito apenas aos 52% detidos pela SOIL, da Rentipar, a holding da família de Horácio Roque. Os outros 48% pertencem ao Oitante, um veículo detido pelo Fundo de Resolução, não estando abrangidos por esta proposta.

“A Apollo não faz comentários, para já, sobre essa informação”, respondeu fonte oficial da gestora de fundos americana, quando questionada se ofereceu 10 milhões de euros pela participação de controlo da seguradora portuguesa.

O processo de venda em curso – que decorre sob a alçada da autoridade reguladora dos seguros e fundos de pensões (ASF) – está a ser assessorado pelo Citi. Mas o Governo também terá uma palavra decisiva no processo de venda, dado que o Fundo de Resolução é tutelado pelas Finanças. Tanto o Governo como o supervisor dos seguros não vêem com bons olhos a eventual venda da seguradora em “fatias”, pelo que as propostas que assegurem a continuidade da empresa e a manutenção dos postos de trabalho terão vantagem.

Os dois outros candidatos à compra da Açoreana – Allianz e Caravela – foram notificados na sexta-feira, pelo assessor financeiro da venda, o Citi, sobre a entrada em negociações em exclusivo com a Apollo. Mas aqueles interessados poderão ser chamados novamente às negociações, se não for possível chegar a um acordo com a Apollo, no prazo previsto.

A Açoreana é uma das principais seguradoras portuguesas. Tem cerca de 700 funcionários e uma rede de 42 balcões, com um activo total superior a 1,2 mil milhões de euros. A Açoreana necessita de um aumento de capital para cumprir as novas metas de Solvência II, que entraram em vigor este mês. Segundo noticiou recentemente o “Negócios”, as necessidades de capital da seguradora ascendem a 50 milhões de euros. Parte destas necessidades dever-se-á a perdas registadas com a participação que a seguradora detinha no seu accionista Banif, que em Dezembro foi alvo de uma medida de resolução.

Sindicato pede ao Governo para travar venda às “fatias”
Segundo um email ontem enviado aos trabalhadores da Açoreana, o Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Seguradora (STAS) está preocupado com as notícias sobre a eventual venda da Açoreana às “fatias”, no âmbito do processo de venda em curso.

“Tendo em conta algumas notícias veiculadas pela comunicação social, não podemos deixar de expressar junto de V. Exas, a nossa preocupação por uma eventual opção que não assegure a aquisição total da seguradora e bem assim a garantia da universalidade dos seus trabalhadores que deverão passar para a entidade que venha a ser a escolhida”, adiantou a missiva enviada aos ministros do Trabalho e das Finanças, que foi ontem divulgada num email enviado aos trabalhadores da Açoreana.

Na carta enviada ao Executivo, o STAS recorda que numa reunião a 28 de Dezembro, o Governo lhe transmitiu que partilhava da preocupação com os postos de trabalho.

Apollo em negociações “exclusivas” pela Açoreana

Segunda-feira, Janeiro 25th, 2016

Citamos

Notícias ao Minuto

Proposta da Caravela fica, por enquanto, em ‘stand-by’.

Entre os interessados pela Açoreana, é a gestora de ‘private equity’ norte-americana Apollo quem está a levar a melhor. Apurou o Jornal de Negócios que a detentora da Tranquilidade está a negociar em exclusivo a compra da companhia que integrava o grupo Banif.

O Negócios acrescenta que os americanos têm até uma semana para selar o acordo com a Soil SGPS, detentores de 52% da seguradora. No entanto, a Oitante, tutelar dos restantes 48% também terá de dar o aval ao negócio.

A proposta da outra parte interessada na Açoreana, a Caravela, ainda não foi posta de parte. No entanto, só entrará ‘em cena’ caso o acordo dos americanos não fique fechado.

A oferta da Allianz, outra interessada, já foi excluída, uma vez que a seguradora alemã não tinha interesse em adquirir a companhia na sua totalidade, apenas parte dela.

Caravela à frente no processo de compra da seguradora Açoreana

Quinta-feira, Janeiro 14th, 2016

Económico

O processo de venda de 100% da Açoreana está a decorrer sob alçada do supervisor dos seguros.

As três propostas de compra da seguradora Açoreana têm moldes distintos, incidindo sobre diferentes activos. Ao que o Diário Económico apurou, a proposta melhor posicionada é a da Caravela, já que, ao contrário das ofertas da Allianz e da Apollo, prevê a continuidade da empresa e a manutenção dos postos de trabalho.

No entanto, existem outros critérios para além do plano industrial de cada um dos interessados. Tal como o Diário Económico tinha noticiado em Dezembro, a Açoreana está avaliada entre 30 e 60 milhões de euros, mas, segundo fontes do mercado, deverá necessitar de ser recapitalizada num montante superior. Recorde-se que a Açoreana é um dos activos do Banif que o Santander não quis comprar e que ficaram no Oitante, um veículo pertence ao Fundo de Resolução, entidade pública financiada com os impostos especiais cobrados ao sector bancário.

O processo de venda incide não só sobre os 48% que pertenciam ao Banif, antes da resolução do banco, mas também sobre os 52% que estão nas mãos da Rentipar, a holding da família Roque. As três propostas em cima da mesa, que foram entregues no passado dia 8, estão agora a ser avaliadas pelo assessor financeiro da operação, o Citibank, sob alçada do Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões.

O regulador dos seguros, presidido por José Almaça, encara a venda da Açoreana como uma oportunidade para se destacar pela positiva, numa altura em que os supervisores nacionais têm estado debaixo de fogo devido à forma como lidaram com os casos do BES e do Banif.

“José Almaça está a conduzir o processo de venda da Açoreana com pinças. Ao contrário do seu colega do Banco de Portugal [Carlos Costa], tudo deverá ser resolvido sem resolução e com uma solução portuguesa que garanta os postos de trabalho e a continuidade da seguradora”, disse uma das fontes do sector financeiro contactadas pelo Diário Económico.

Na corrida pela compra da Açoreana está a nova companhia de seguros não-vida Caravela, apresentada em Junho de 2015, e que está desde o Verão do ano passado a estudar o crescimento por aquisições para entrar no mercado do ramo vida. O seu enfoque incide nos segmentos de retalho e PME, contando com uma rede de mediadores de 260 agentes.

A Caravela resulta da aquisição por um grupo de investidores portugueses especialistas em seguros, e que estão agrupados na AAA SGPS, da seguradora francesa MACIF Portugal que estava em Portugal desde 1996.

Por sua vez, a Allianz Portugal integra o Grupo Allianz e é um dos maiores grupos financeiros do mundo, presente em mais de 70 países e com cerca de 145 mil colaboradores. Tem como accionista e principal parceiro estratégico o Banco BPI e conta, actualmente, com cerca de 600 colaboradores e mais de 3.500 mediadores em todo o país. A Allianz pretende adquirir os activos da Açoreana, deixando a estrutura da empresa no Oitante.

Já os norte-americanos da Apollo compraram a seguradora Tranquilidade ao Novo Banco em Agosto de 2014 e participaram na fase final da corrida pela compra da instituição financeira liderada por Stock da Cunha. A Apollo fez também parte dos seis interessados que fizeram propostas de compra pelo Banif, mas não terá apresentado uma proposta vinculativa. Ao que o Económico apurou, a Apollo pretende integrar a Açoreana na Tranquilidade, deixando uma parte dos custos com rescisões do lado do vendedor.

Até ao fecho da edição, não foi possível obter esclarecimentos dos interessados na Açoreana.

Seguradora do Banif, transferida para o Naviget, recebeu seis propostas de compra nacionais e internacionais

Sábado, Janeiro 9th, 2016

Citamos

Dinheiro Vivo

A Caravela Seguros e a Apollo estão na corrida final pela compra da Açoreana, apurou o Dinheiro Vivo junto de fonte financeira. A seguradora do Banif recebeu, no total, seis propostas de interessados nacionais e internacionais, algumas das quais já estavam em cima da mesa antes da venda e resolução do Banif; outras surgiram após a medida aplicada ao banco em dezembro passado. Mas apenas estas duas passaram à fase final.

Nem a Caravela Seguros nem a Apollo quiseram fazer qualquer comentário. De acordo com a mesma fonte, a Caravela – seguradora liderada por Diamantino Marques, antigo presidente do Instituto de Seguros de Portugal (ISP) – é a mais bem posicionada para a compra da Açoreana. Isto porque a companhia de seguros está em fase de crescimento e deverá assumir os 800 trabalhadores. No caso da Apollo, os norte-americanos já contam com presença em Portugal, depois da compra da Tranquilidade ao Novo Banco, o que significa que o foco estará nas apólices e não na salvaguarda dos postos de trabalho.

A venda da Açoreana está agora nas mãos do Naviget, veículo criado para gerir e recuperar os ativos tóxicos do Banif que não foram transferidos para o Santander Totta, que detém cerca de 48% do capital, e da Soil SGPS, da família Roque, que controla os restantes 52%. Apesar das imparidades que a seguradora terá de assumir com as perdas arrecadadas com a participação qualificada que tinha no banco liderado por Jorge Tomé, em termos operacionais a atividade da Açoreana é considerada atrativa e apetecível. Daí o forte apetite na compra demonstrado por vários interessados.

“Não colocamos de parte oportunidades de aquisição. Não passamos ao lado do que se passa com os nossos vizinhos”, adiantou o presidente do conselho de administração da Caravela Seguros, Diamantino Marques, em junho passado, quando da apresentação da seguradora. A Caravela Seguros resulta da compra das operações dos franceses da Macif em Portugal, suportada por uma holding, a AAA SGPS, com investidores portugueses “especialistas na distribuição de seguros”. No caso da Apollo, os norte-americanos compraram a seguradora Tranquilidade ao Novo Banco em agosto de 2014 por 215 milhões de euros, além de terem participado na fase final da corrida pela compra da instituição financeira liderada por Stock da Cunha. Mais recentemente, a Apollo fez parte dos seis interessados que fizeram propostas de compra pelo Banif.

A venda da Açoreana era um dos objetivos e das metas da administração liderada por Jorge Tomé, no âmbito da venda de ativos não estratégicos, juntamente com a operação em Malta e com a redução da exposição ao imobiliário. No entanto, o processo de venda da seguradora acabou por ser interrompido com a venda e resolução do Banif, aplicada pelo Banco de Portugal. O Banco de Portugal – recorde-se – decidiu a venda da atividade do Banif e da maior parte dos seus ativos e passivos ao Santander Totta por 150 milhões de euros. Os ativos “tóxicos” foram transferidos para um veículo de gestão de ativos, o Naviget, entre os quais consta a Açoreana, além do banco de investimento do Banif, participações, fundos de investimento e cerca de 500 trabalhadores do banco.

Também foi transferido um vasto conjunto de sociedades, como o Banif Imobiliária, o Fundo de Recuperação de Turismo, o Fundo de Reestruturação Empresarial. Ao relançar e concretizar a venda da seguradora do Banif, o Naviget pretende recuperar parte dos mais de 2,2 mil milhões de euros que o Estado teve de injetar no Banif antes da venda dos ativos “saudáveis” ao Santander Totta. A venda e resolução foi aplicada ao Banif com o Banco de Portugal a considerar que não foi “possível concretizar a venda de ativos a passivos do Banif no âmbito do processo de alienação voluntária”, porque “todas as propostas apresentadas pelos potenciais compradores implicavam auxílio de Estado adicional, o que determinou que a alienação fosse feita no contexto de resolução”.

 

Finanças dizem que proposta da Apollo para o Banif “chegou fora de prazo”

Sábado, Janeiro 9th, 2016

Citamos

Público

Banco Central Europeu afasta-se do dossier e não toma posição sobre vendas de bancos. Instituição não retirou o estatuto de contraparte ao Banif.

O Governo alega como razão para não ter poupado os contribuintes em, pelo menos, 1700 milhões de euros o facto de a proposta da Apollo, para compra de 61% do Banif, “ter chegado fora do prazo de entrega e de não ser vinculativa”.

Já o Banco Central Europeu (BCE) veio remeter as responsabilidades da condução do dossier do Banif para o Banco de Portugal.

Numa declaração enviada já esta tarde ao PÚBLICO, depois de um contacto pessoal, a instituição europeia quis distanciar-se do caso e lembrou que não toma posição sobre vendas ou fusões de bancos e que, no caso deste banco, as matérias em causa, bem como a sua supervisão são da competência do Banco de Portugal (BdP).

O PÚBLICO apurou ainda que, ao contrário do que tem sido dito pelas autoridades nacionais, o BCE não ameaçou retirar o estatuto de contraparte ao Banif, apenas limitou o acesso da instuição bancária ao montante utilizado a 15 de Dezembro. Este é um ponto essencial de um dossier de contornos pouco claros e potencialmente explosivos por estarem em causa dinheiros públicos, e cujos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito à Resolução do Banif podem contribuir para elucidar.

A meio da manhã o gabinete de comunicação do Ministério das Finanças já tinha emitido uma nota explicativa: “A proposta da Apollo chegou fora do prazo de entrega e não era vinculativa, ao contrário do que estipulava o caderno de encargos do concurso estabelecido pela administração do Banif”. Adiantou “que a Apollo, para tornar a proposta vinculativa, necessitava de um tempo que excedia o calendário definido pelas autoridades europeias para fechar o negócio.”

Ao participar esta sexta-feira no programa Quadratura do Círculo, na Sic Notícias, o primeiro-ministro António Costa confirmou que foi recusada a oferta da Apollo por falta de tempo para a negociar, pois o fundo norte-americano só avançou com uma posição vinculativa depois de Domingo, 20 de Dezembro (data da resolução). A observação contraria a documentação que revela que foi no Sábado à noite que a Apollo concretizou a sua proposta em que se compromete a comprar o banco.

Os esclarecimentos surgem em resposta à notícia do PÚBLICO, desta sexta-feira, segundo a qual o Banco de Portugal impôs ao Governo a medida de resolução com a via Santander (o banco pagou 150 milhões ao Estado que, por seu turno, assumiu responsabilidades de 3800 milhões) em detrimento da venda em concurso privado. A oferta da Apollo (caso fosse cumprida) teria imputado perdas máximas aos contribuintes na ordem dos 700 milhões de euros, ou seja, quase quatro vezes menos do que o dinheiro que o Estado tem agora em risco na operação. A Comissão Europeia reconhece que os prejuízos para o Estado possam atingir 3000 milhões de euros.

Na sua declaração, as Finanças omitem, no entanto, dados que constam dos dossiers na sua posse, bem como do Banco de Portugal e da anterior gestão do banco liderada por Jorge Tomé. Em primeiro lugar, a proposta da Apollo chegou tal como as restantes cinco ofertas (entre elas estava uma do Santander) dentro do prazo, antes das 20h00 de sexta-feira, dia 18 de Dezembro. Mas é verdade, como afirma o Ministério das Finanças, que na altura não era vinculativa como se impunha. Posteriormente abriu-se uma negociação com a Apollo que permitiu, horas depois, tornar a proposta vinculativa. Em segundo lugar, não estando em causa um concurso público, mas sim privado, os timings são meramente indicativos. Em terceiro lugar, o caderno de encargos do concurso privado aberto para vender a posição estatal (60,5%) no Banif previa que, depois de entregues, as ofertas estivessem sujeitas a negociação. O processo deveria ficar concluído até final do ano, ainda que este limite não estivesse escrito.

De qualquer forma, ainda que a oferta vinculativa tivesse chegado fora do prazo (horas depois), e tendo em conta que o concurso era privado e estavam em causa dinheiro dos contribuintes em larga escala, o previsível seria que o Governo, a quem cabe defender o interesse público, fosse maleável para, no mínimo, tentar chegar a uma via menos onerosa para o Tesouro.