Archive for the ‘Investidores’ Category

Santander pagou o apoio extraordinário de liquidez

Terça-feira, Janeiro 19th, 2016

Citamos

Negócios

Santander pagou 1.000 milhões de apoio de liquidez ao Banif

Menos de 10 horas após ter adquirido o Banif, o Santander Totta pagou os mais de 1.000 milhões de apoios de liquidez de emergência que o banco tinha usado para compensar a fuga de depósitos. Reembolso teve de ser feito na manhã do dia em que o Santander tomou conta do Banif.

Maria João Gago

Menos de 10 horas depois de o Banco de Portuga] ter decidido vender o Banif ao Santander Totta, o banco liderado por António Vieira Monteiro teve de devolver os mais de 1.000 milhões de euros de apoios de liquidez de emergência que o banco intervencionado tinha recebido na semana anterior. Em causa estavam empréstimos concedidos pelo Banco de Portugal para que o Banif pudesse fazer face à fuga de depósitos que se fez sentir na semana antes da resolução do banco. Segundo revelou o ministro das Finanças no Parlamento a 22 de Dezembro, na semana anterior à intervenção, o Banif registou levantamentos de depósitos no valor de cerca de 1.000 milhões. Uma pressão de liquidez que não foi alheia à notícia da TVI que, a 13 de Dezembro, avançou que o banco estava preparado para fechar. E que obrigou o Banif a recorrer à linha de acesso a liquidez de emergência disponibilizada pelo Banco de Portugal – conhecida pela sigla inglesa ELA, abreviatura de Emergency Liquidity Assistance – num valor que terá mesmo superado os 1.000 milhões de euros, ao que o Negócios apurou.

O Santander Totta teve menos de 10 horas para pagar os mais de 1.000 milhões que o Banif obteve através da ELA. De acordo com a deliberação do Banco de Portugal sobre a venda do banco intervencionado, aprovada as 23:30 de 20 de Dezembro, a instituição de Vieira Monteiro teve de ”reembolsar integralmente a responsabilidade ELA antes das 9:00 do dia 21 de Dezembro de 2015″, ou seja, nas primeiras horas da manhã do dia seguinte à decisão do supervisor. Com o reembolso dos apoios de liquidez de emergência, o Santander Totta recebeu os direitos sobre os activos que o Banif tinha dado como garantia para obter aqueles empréstimos, como refere a deliberação do Banco de Portugal. Só os colaterais excluídos do acordo de venda celebrado com o grupo espanhol voltaram para o Banif. Contactados pelo Negócios, nem o Banco de Portugal nem o Santander Totta quiseram fazer comentários sobre o valor de apoio de liquidez de que o Banif necessitou e que o banco espanhol teve de reembolsar no espaço de horas. No caso da resolução do BES, a obrigação de reembolsar os 3.500 milhões de liquidez de emergência que tinham sido obtidos através da ELA ficou no Novo Banco. Só em Novembro de 2014, mais de três meses após a intervenção, esta instituição deixou de ter necessidade de recorrer à linha de acesso a liquidez de emergência.

Na intervenção do Banif, a exigência para que o Santander Totta reembolsasse os apoios da ELA num tão curto espaço de tempo não terá sido alheia ao facto de a aquisição do Banif ter sido feita com recurso a ajudas do Estado.

O banco de capital espanhol pagou 150 milhões de euros pelo banco intervencionado, mas a aquisição foi feita depois de a instituição ter recebido uma injecção de capital do Tesouro no valor de 2.255 milhões de euros. Estes fundos públicos foram necessários para compensar a desvalorização dos activos vendidos imposta por decisão de Bruxelas e para elevar o rácio de solidez do Banif a 10,5%, nível de capital implícito acordado para esta transacção.

TOME NOTA

Emigrantes com mais risco do que credores

O Ministério das Finanças defende que impor perdas a credores seniores obrigaria, primeiro, a causar perdas a depositantes.
RESOLUÇÃO COM DÍVIDA SUBORDINADA

O Governo avançou para a resolução do Banif porque não podia simplesmente vendê-lo. Em todas as propostas de compra, tinha de haver dinheiro do Estado. Por isso, tinha de haver uma resolução, impondo perdas para accionistas e titulares de dívida subordinada do banco antes de os contribuintes.

DÍVIDA SÉNIOR PAGAVA 169 MILHÕES

“A participação de dívida sénior na cobertura de prejuízos atingiria no máximo 169 milhões de euros.” São três emissões de taxa fixa, duas com maturidade em 2016 e uma em 2018 que o Santander Totta já informou, à CMVM, terem sido transferidas. No relatório do Banif, há ainda 1.700 milhões de dívida contabilizada adicional, titularizada, mas não se sabe o que aconteceu. O Ministério das Finanças ressalva que apenas 169 milhões são seniores.

DÍVIDA SÉNIOR LEVAVA A PERDAS A DEPÓSITOS
A participação de dívida sénior implicaria o ‘bail-in adicional’ de cerca de 200 milhões de euros de depósitos de emigrantes considerados como subordinados.” Para implicar perdas à dívida sénior, era necessário, antes, recorrer a depósitos colocados em subsidiárias do Banif queo Ministério das Finanças não especifica. Na hierarquia de credores, esses depósitos de emigrantes estão abaixo da dívida sénior pelo que, se fosse necessário utilizar a dívida sénior na resolução (e reduzir os custos para os contribuintes) também se perderiam os depósitos dos emigrantes. O Ministério remeteu para o Banco de Portugal a explicação para o facto de os depósitos de subsidiárias não serem equiparados aos depósitos feitos pelo Banif em Portugal.

Rentipar colocou obrigações após perder dividendo do Banif

Segunda-feira, Janeiro 11th, 2016

Citamos

Negócios

A Rentipar caminha para a insolvência. A empresa liderada por Teresa Roque tem uma dívida acima de 50 milhões ao Novo Banco que não pagou. Não há “garantias especiais associadas” a esses créditos concedidos. BCP e Banif são outros credores.

DIOGO CAVALEIRO

O Novo Banco acelerou a insolvência da Rentipar Investimentos, a empresa presidida pela filha de Horácio Roque que exercia, antes da entrada do Estado em 2012, o controlo sobre o Banif.

No documento em que solicita a entrada em insolvência, a que o Negócios teve acesso, a Rentipar explica que o facto de não ter conseguido negociar a dívida que tinha perante a instituição sob o comando de Eduardo Stock da Cunha tornou “inegável a incapacidade da requerente em cumprir as suas obrigações contratuais”.

Em Outubro de 2015, a sociedade liderada por Horácio Roque quis renegociar o passivo que havia entrado em incumprimento meses antes umaparte era em papel comercial, subscrito em 2009 junto do BES, a outra em crédito concedido. Não conseguiu. Ficou com uma divida de 54,5 milhões de euros por reembolsar. E sob ameaças judiciais. “Não podendo este banco manter, por tempo indeterminado, as responsabilidades em causa nesta situação de incumprimento, vimos conceder o prazo de 10 dias para que nos apresentem uma proposta concreta de regularização, por forma a estudarmos em conjunto uma plataforma de solução. Não sendo possível, a curto prazo, encontrar uma solução, entregaremos o caso aos nossos advogados, a fim de sermos reembolsados pela via judicial”, indica a carta do departamento de recuperação de crédito do Novo Banco, citada nos documentos que deram entrada no Tribunal da Comarca de Lisboa.

“Não tem garantias especiais associadas”, é outra informação que consta relativamente tanto ao crédito, como ao papel comercial subscrito pelo Novo Banco.

A instituição herdeira do Banco Espírito Santo é apenas um dos quatro principais credores da Rentipar. Conta-se, nos documentos da Abreu & Marques e Associados, as dívidas de 13,4 milhões de euros perante o BCP e de 8,9 milhões junto do Banif. A maior porção é uma dívida sobre quem adquiriu as obrigações emitidas em 2011, de 60 milhões de euros. Foi a 2 de Novembro que a administração liderada por Teresa Roque percebeu que não tinha “perspectivas de continuidade da sua actividade”. O principal activo da Rentipar Investimentos é a participação na Rentipar Financeira, que era a accionista histórica do Banif. Só que, entre outros, a queda da cotação das acções desde a ajuda estatal de 2012 desequilibrou a situação patrimonial da companhia, já que deixou de dispor de activos para apresentar como colaterais em financiamentos.

Assim, seguiu-se a tentativa de venda de activos, como a participação no Banif. “Foram encetadas várias diligências tendentes à alienação do principal activo da sociedade, com especial enfoque no mercado chinês”, assinala a acta da reunião de 2 de Novembro. Tentativas “infrutíferas”, diz-se no documento. “Consideramos que não é possível assegurar a esta data que a empresa consiga cumprir com as suas responsabilidades de curto prazo e cumprir com o princípio de continuidade das operações”, aponta a certificação de contas de 2014, realizada pela PwC em Setembro de 2015, que se escusou a dar a sua opinião devido à desequilibrada situação da companhia. No final de 2014, com o prejuízo de 49,4 milhões de euros registado, a Rentipar Investimentos passou a apresentar capitais próprios (que, de forma simples, resultam da diferença entre activos e passivos) de 11,9 milhões de euros, “inferior a metade do capital social”, o que, segundo a lei, obriga ou à dissolução ou ao reforço de capital. Até agora, esse reforço não foi possibilitado e a intervenção no Banif agravou ainda mais a situação, dando a “última machadada”, como já havia dito fonte da sociedade ao Negócios.

Venda ao Totta por explicar

Vários partidos consideram que a venda da actividade bancária do Banif ao Santander Totta está por explicar. À direita, o PSD quer esclarecer notícias recentes. À esquerda, o PCP pretende conhecer o papel do Banco Central Europeu na queda do Banco. As forças parlamentares querem respostas imediatas e não esperam pela comissão de inquérito ao Banif, cuja discussão está marcada para 22 de Janeiro. “Confirma que houve ofertas privadas para a compra do Banif que implicariam menos esforço financeiro público do que a venda ao Santander?” é uma pergunta lançada ao ministro pelos comunistas Miguel Tiago e Paulo Sá, depois de o Público ter avançado que a Apollo tinha uma proposta de compra do Banif que implicava um menor esforço financeiro estatal do que a que vingou, do Totta. O crédito fiscal que pode superar os 200 milhões que passou do Banif para o banco de capitais espanhóis é outra preocupação. O PCP, através de João Ferreira, levou também o caso ao Parlamento Europeu para que se questione a Comissão Europeia sobre a sua intervenção na resolução do Banif. Já o PSD quer que Mário Centeno preste declarações, com “urgência”, na comissão parlamentar de Orçamento porque, disse o deputado António Leitão Amaro, as recentes notícias são ” muito preocupantes para os contribuintes”.

NÚMEROS

Os credores da Rentipar Investimentos

A empresa presidida por Teresa Roque tem quatro grandes credores, segundo os papéis da insolvência que deram entrada na Comarca de Lisboa.

60 MILHÕES DE EUROS

Valor da emissão, de 2011, de obrigações da Rentipar Investimentos, cuja maturidade é em Dezembro de 2016.

50 MILHÕES DE EUROS

Papel comercial do Novo Banco em que a Rentipar está em incumprimento. Junta-se mais de 1 milhão em crédito.

13,45 MILHÕES DE EUROS

Dívida da Rentipar Investimentos perante o BCP, em que as acções do Banif foram dadas como garantias.

8,9 MILHÕES DE EUROS

Um financiamento intra-grupo do Banif à Rentipar, cujas garantias prendem-se a participações em outras empresas. Rentipar colocou obrigações após perder dividendo

O Banif deixou de pagar dividendos e, no ano seguinte, a empresa-mãe avançou para uma colocação de obrigações que envolveu clientes do banco. A devolução está em risco.

A Rentipar deixou de receber dividendos do seu principal activo, o Banif, em 2010. Nessa altura, começaram também a agravar-se os problemas naquela instituição financeira, acompanhando todo o sistema financeiro. Mas a empresa da filha de Horácio Roque precisava de se financiar. A opção foi uma emissão de obrigações. Sem dinheiro do banco, a Rentipar acabou por conseguir financiar-se, em parte, com dinheiro dos clientes da instituição financeira.

Em 2011, foram colocados 60 milhões de euros em obrigações. Algumas, não se sabe quantas, foram vendidas aos balcões do banco sediado no Funchal, como adiantou o Económico. A emissão podia ser subscrita por particulares, já que o valor mínimo de subscrição era 50 mil euros por papel. A data original para o vencimento dos títulos era 2013 mas não houve condições para que tal acontecesse na data – a Rentipar teve de assumir um compromisso com o Estado, no âmbito da ajuda estatal de 2012, que implicava um investimento de 75 milhões de euros no Banif. Assim, a maturidade foi estendida até 2016, altura em que o grosso da ajuda estatal do banco já estaria devolvido, e poderia haver já uma situação mais equilibrada na accionista. Não aconteceu. O Banif nunca conseguiu recuperar-se efectivamente e, no final de 2015, acabou por ser intervencionado, com a actividade bancária a ser vendida ao Santander Totta.

Os títulos da Rentipar arriscam a não devolução. Havia uma possibilidade de reembolso antecipado do capital investido nestas obrigações a 30 de Dezembro de 2015, mas a SIC avançou que a empresa não permitiu tal adiantamento. Da mesma forma, também a estação de televisão adiantou que há juros em atraso.

Tal como o Negócios já deu conta, o representante comum dos obrigacionistas agendou já uma reunião para 22 de Janeiro, de forma a obter autorização para reclamar os créditos “na eventualidade de vir a ser declarada a insolvência da Rentipar Investimentos”. Antecipam-se ainda outro tipo de acções que visem a recuperação.

Investidores do Banif denunciam casos de clientes que desconheciam risco dos produtos

Quarta-feira, Dezembro 30th, 2015

Citamos:

RTP

 Agora são os lesados do Banif. A Associação de Investidores revelou que clientes do banco desconheciam o risco dos produtos que compravam aos balcões.

Em causa, podem estar sobretudo idosos que assinaram papéis a comprar dívida pensando que se trataria de um depósito e que não compreendem porque razão ficaram sem o dinheiro.

Acionistas do Banif podem começar a comprar posição do Estado em 2014

Segunda-feira, Janeiro 28th, 2013

Citamos

Comunicado do Sindicato dos Bancários do Centro

Ministro das Finanças tem de nomear um gestor não executivo e um membro do conselho fiscal do banco até 22 de Fevereiro. Os acionistas do Banif vão poder começar a recuperar o controlo do banco em 2014. A possibilidade de os investidores do grupo poderem adquirir ações ao Estado já no próximo ano está consagrada no despacho do Ministro das Finanças que deu “luz verde” à injeção de 1.100 milhões de euros de fundos públicos na instituição liderada por Jorge Tomé. Mas está sujeita a regras apertadas, quer em termos de definição do preço dos títulos quer relativamente ao período em que pode ser exercido este direito. Desde sexta-feira que o Estado controla 99,2% do Banif, percentagem que cairá para 60,57% assim que o banco conclua o aumento de capital de 450 milhões de euros com recursos exclusivamente privados que tem de estar concluído até ao final de Junho. No próximo ano, todos os investidores que tinham ações do grupo antes da concretização do apoio público podem comprar ações ao Tesouro, na proporção das participações que tinham a 25 de Janeiro.

Estas aquisições, que têm de ser feitas num intervalo de tempo a estabelecer pelo ministro das Finanças, terão por base um preço por ação a definir de forma a salvaguardar o interesse do Estado. Assim, está previsto que estas transações se façam ao valor mais elevado que resultar da comparação entre a cotação média ponderada do Banif nos 30 dias anteriores ao comunicado que estabelece o período de exercício deste direito e o preço que resultar da aplicação de um retorno anual global de 10% para o Tesouro, considerando eventuais dividendos entretanto pagos. A regra de fixação do preço de compra das ações assegura, por um lado, que o Estado terá garantida uma remuneração de 10%% sobre o montante que investiu no Banif. E por outro que o Tesouro beneficiará sempre da valorização bolsista dos títulos, mesmo que esse desempenho lhe proporcione um ganho superior a 10%.

Quanto ao período durante o qual os acionistas do Banif poderão exercer o direito de comprar as ações do Estado será comunicado pelo ministro das Finanças 30 dias após o pagamento de eventuais dividendos prioritários ou a assembleia geral anual do banco. Os investidores terão pelo menos dez sessões de bolsa para realizar estas transações Representantes do Estado nomeados em 30 dias Depois de ter injetado 1.100 milhões no Banif – 700 milhões em ações e 400 milhões em instrumentos de capital contingente -, o Estado terá de nomear um administrador não executivo e um membro do conselho fiscal do banco, no prazo de 30 dias a contar a partir da data do despacho do ministro das Finanças. Vítor Gaspar tem até 22 de Fevereiro para escolher os seus representantes que vão fiscalizar a utilização dos fundos públicos. Nos casos do BCP e do BPI, a nomeação só aconteceu cinco meses depois do apoio público.