Archive for the ‘Jorge Tomé’ Category

Comissão de inquérito ao Banif na Madeira faz duplicar depoimentos sobre o fim do banco

Terça-feira, Março 15th, 2016

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Público

Mário Centeno, Maria Luís Albuquerque, Jorge Tomé e Carlos Costa vão ser ouvidos no Funchal após darem explicações em Lisboa.

A Assembleia Legislativa da Madeira vai chamar a ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque o actual responsável pela pasta, Mário Centeno, o governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, e o antigo CEO do banco, Jorge Tomé, para serem ouvidos na comissão de inquérito ao Banif. Antes disso, os mesmos responsáveis já terão prestado esclarecimentos na Assembleia da República. Isto porque, pela primeira vez, irão decorrer duas comissões parlamentares de inquérito em paralelo: uma na Assembleia da República e outra na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira. Desta forma, vários responsáveis irão ser chamados pelas duas comissões, dando explicações tanto em Lisboa como no Funchal.

A comissão da Assembleia Legislativa da Madeira, instalada em Fevereiro por pressão da oposição, já definiu a metodologia dos trabalhos e o nome das entidades que serão chamadas a prestar esclarecimentos. De acordo com o que ficou definido, os deputados que compõe a comissão querem questionar, numa primeira fase, ex-responsáveis do Banif. A lista, que ainda não está fechada, engloba o presidente executivo do banco à data da resolução, Jorge Tomé, o ex-presidente do conselho de administração, Luís Amado, os directores regionais do Banif na Madeira (David Correia) e nos Açores (Luís Anselmo), para além de Miguel de Sousa, o último presidente da assembleia-geral do banco e o antecessor, Luís Campos e Cunha, e o presidente do Conselho Fiscal, Fernando de Almeida.

Só depois destas audições é que os deputados vão chamar Maria Luís Albuquerque, Mário Centeno, Carlos Costa e o presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares, querendo ainda ouvir o anterior secretário regional das Finanças, Ventura Garcês, e o actual titular da pasta, Rui Gonçalves.

No caso da Comissão Parlamentar formada por deputados da Assembleia da República, que querem mais dados sobre a intervenção no banco e a venda do Banif ao Santander, as primeiras audições começam a 29 de Março, com a presença do ex-CEO, Jorge Tomé. Logo no dia seguinte será a vez do antigo presidente do conselho de administração, Luís Amado. A 5, 6 e 7 de Abril será a vez, respectivamente, do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, da antiga ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e do actual ministro, Mário Centeno. Ao todo, só em Lisboa, serão ouvidas cerca de 60 pessoas.

Funchal quer mais informações
Antes, a comissão quer conhecer a fundo a situação do banco – foi definido os anos de 2010 a 2016 como período de análise –, e decidiu solicitar documentação a várias entidades: BdP, CMVM, Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia, Ministério das Finanças, Santander (que comprou diversos activos do banco) e à Oitante (veículo criado pelo Estado na esfera do Fundo de Resolução, que ficou com os activos mais problemáticos do banco).

Esta semana, explicou ao PÚBLICO o deputado Carlos Rodrigues, que preside à comissão, vão ser requisitados os documentos junto do BdP e da CMVM, só depois é que será agendada nova reunião. “Não existe uma data definida para o primeiro grupo de audições, pois como a informação é muita não podemos avançar para questões sem conhecer o processo”, disse o parlamentar social-democrata, dividindo as audições em três grupos. Primeiro, serão ouvidos os responsáveis pelo banco, depois os decisores políticos e no final, se não existirem questões de sigilo bancário, os deputados querem questionar clientes institucionais, sujeitos à fiscalização directa do parlamento regional, os particulares, através da Associação Lesados do Banif, e representantes dos trabalhadores.

Carlos Rodrigues ressalva que tanto os nomes das entidades a ouvir como a metodologia mereceram a concordância de todos os deputados da comissão. No entanto, no mesmo dia em que foi aprovada a cronologia dos trabalhos, o PSD-Madeira convocou uma conferência de imprensa para alertar que a comissão não pode ser utilizada para fins políticos.

“Quem estiver nesta comissão para retirar dividendos políticos da mesma estamos convencidos de que estará a prestar um mau serviço aos madeirenses, estará a prestar um terrível serviço à democracia e, acima de tudo, estará a fazer um uso irresponsável dos dinheiros públicos dos contribuintes, que são directamente afectados nos trabalhos que serão conduzidos por esta comissão”, disse o deputado João Paulo Marques.

Banif. Audições arrancam a 29 de março com ex-gestores

Quarta-feira, Março 9th, 2016

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Observador

Audições da comissão de inquérito arrancam a 29 de março e ouvem primeiro Jorge Tomé e Luís Amado, ex-gestores do Banif. António Varela é ouvido antes do governador. 60 entidades vão ser chamadas.

Santander acusado de aliciar clientes do Banif

Quinta-feira, Fevereiro 4th, 2016

Citamos

Sábado

Jorge Tomé, ex-presidente do banco insular, queixou-se a António Vieira Monteiro de que, em Novembro, havia clientes a serem contactados pelo Santander com o pretexto de que o Banif ia fechar. O presidente da instituição espanhola desmente

Em Novembro, um mês antes da nota de rodapé da TVI que precipitou o desfecho do Banif e a venda ao Santander por 150 milhões de euros, funcionários do banco espanhol terão contactado clientes da instituição liderada por Jorge Tomé com o pretexto de que esta iria fechar. Incrédulo, o presidente do Banif telefonou a António Vieira Monteiro a mostrar o seu desagrado com a situação.

O presidente do Santander admitiu à SÁBADO que falou com Jorge Tomé, mas nega categoricamente que os seus funcionários tenham aliciado clientes do Banif. E alega que o BCP e a CGD foram as maiores beneficiadas com a fuga de clientes. António Vieira Monteiro conta ainda como fez as duas propostas para ficar com o Banif.

Fonte oficial em Bruxelas explicou também à SÁBADO que só com auxílios estatais a venda seria facilitada “a um forte comprador”. 

Leia toda a história na edição n.º 614 da SÁBADO, nas bancas a 4 de Fevereiro.

Ex-presidente do Banif denuncia o volte-face do Banco de Portugal e os ziguezagues de Bruxelas

Terça-feira, Janeiro 26th, 2016

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Observador

Ex-presidente do Banif denuncia os ziguezagues da Comissão e o volte-face do Banco de Portugal que em outubro fez a defesa “acérrima” do banco em Bruxelas para depois o vender em resolução.

Contradições, ziguezagues da Comissão Europeia, a transição política em Porugal e o volte-face do Banco de Portugal na última fase do processo, sobretudo no último mês, foram algumas das notas deixadas pelo ex-presidente do Banif sobre a resolução do banco, decidida em dezembro do ano passado. Jorge Tomé manifestou ainda perplexidade pelo facto de não se ter negociado a proposta apresentada pelo Santander no concurso de venda, e que era melhor do que a que veio a ser encontrada.

As declarações de Jorge Tomé foram feitas numa conferência realizada na Faculdade de Direito de Lisboa esta terça-feira, que tem como tema, “O sistema financeiro português: 40.000 milhões de euros de imparidades depois”.

O antigo presidente executivo assegura ainda, já em resposta a jornalistas, que havia outras ofertas vinculantes para o Banif, ao contrário do que têm afirmado o Ministério das Finanças e o Banco de Portugal. E cita a oferta do fundo JC Flowers, bem como a da Apollo que se tornou vinculativa no sábado à noite.

As autoridades portuguesas têm argumentado que convidaram dois dos interessados, aqueles que eram bancos  — Santander e Popular — para apresentarem uma oferta vinculativa, mas apenas o Santander Totta o terá feito no apertado calendário imposto à venda em resolução (um fim-de-semana).

Depois de anunciar que tudo o que disse pode ser documentado, Jorge Tomé revela que último plano de reestruturação do Banif foi apresentado em setembro passado à DG Com (autoridade da concorrência da Comissão Europeia). E recorda uma reunião realizada a 8 de outubro (quatro dias depois das legislativas), em Bruxelas, em que o Banco de Portugal fez uma “defesa acérrima” do plano apresentado.

Apesar de o Ministério das Finanças ter tido sempre um grande envolvimento no dossiê Banif, os representantes do Estado tinham poder de veto nas reuniões da comissão executiva, recorda, Jorge Tomé, que conclui que, “com a transição política, o Banco de Portugal substituiu as Finanças nas conversas com Bruxelas”. E o antigo presidente do banco refere ainda um “volte-face em novembro” que ainda não compreendeu.

A saída de um governo e a entrada não de um, mas dois novos governos (o minoritário de Passos Coelho e o governo PS), foi um dos factores que perturbou o processo, reconheceu o antigo gestor.

Nessa altura, acrescenta, passou a ser o Banco de Portugal a definir o perímetro dos ativos a vender e a conduzir o processo de venda.

Mas, em paralelo, alguma coisa se estaria a passar, o BdP começou a preparar a resolução do Banif. E aqui surge um conjunto de contradições”.

Jorge Tomé reafirma, contudo, que o concurso lançado para venda da posição do Estado foi conduzido no pressuposto de que não haveria resolução.

O antigo gestor revela que só a 18 de dezembro, a data limite para a entrega de ofertas privadas para a compra da posição do Estado no Banif, é que foi confrontado com o cenário da resolução, na sequência de uma reunião no Ministério das Finanças. Foi-lhe comunicado que o“comprador teria de ser escolhido no fim-de-semana e tomar conta do banco na segunda-feira”. Ora, o processo de venda previa que a operação só estivesse finalizada em fevereiro de 2016. ”

“Recebemos propostas no dia 18, mas estas não serviram para nada”. O que aconteceu não foi uma venda, mas uma liquidação, defende reafirmando ainda que com as ofertas apresentadas no concurso ainda lançado pelo Banif “podia ter-se encontrado uma solução melhor”.

Na primeira reunião com a troika “nem nos sentámos”

O antigo presidente executivo do Banif confirma a má-vontade da Comissão Europeia em relação à instituição e revela que foi só por teimosia do governo de Pedro Passos Coelho e do Banco de Portugal que o Banif foi recapitalizado com uma ajuda de Estado entre o final de 2012 e 2013. Tomé conta, mesmo, que na primeira reunião com a troika lhe foi logo dito que não haveria dinheiro para o Banif. “Nem nos sentámos”.

Desmente, porém, a tese de que houve oito planos chumbados. Diz que chegou a haver uma reestruturação aprovada e que o que houve foram várias versões do plano. Num desfecho que, conclui, contribuiu “para destruir em Portugal 2,2 mil milhões de euros de poupança pública e 250 milhões de euros de poupança privada”. Uma situação que, para Jorge Tomé, deixa várias interrogações.

A DG Com queria a resolução e a liquidação do Banif? Até podia querer, mas não tinha esse poder. Na altura nem podia exigir a devolução da ajuda do Estado por causa da investigação aprofundada, uma vez que não tinha ainda terminado o período de audiência pública que só terminou dias depois. E também não podia porque a ajuda só terminava em 2017, argumenta. Para Jorge Tomé, o Estado português tinha argumentos para contestar a tese de que essa ajuda era ilegal.

A DG Com não podia legalmente fazer nada a 20 de dezembro, defende. “Podia fazer pressão e fez muita e andou em ziguezague. Podia até ter usado o Banif como moeda de troca”. É uma tese que Jorge Tomé não explica. Cá fora, aos jornalistas, o antigo gestor reafirmou que a forma “como o Banif foi liquidado num final fim de semana só poderia ter sido como moeda de troca. Agora temos de saber qual é a moeda de troca”.

A notícia da TVI e a corrida aos depósitos também foi referida pelo antigo líder executivo do banco. O Banco de Portugal teve dificuldade em compreender a corrida aos depósitos e o Banif teve de recorrer à ELA (linha de emergência do Banco Central Europeu). Mas a situação estabilizou, realça. Jorge Tomé estava convencido que, se anunciasse a existência de negociações, teria sido possível o Banif continuar.

O BCE ia tirar o estatuto de contraparte ao Banif? Onde está escrito? E ainda que fosse? Como funcionaram os bancos gregos durante meses?, questionou Jorge Tomé.

Tinha de ser o Santander a comprar? A DG Com queria o Santander? Mas Bruxelas exigia sempre concursos abertos e transparentes. O que aconteceu às regras sagradas da DG Com? E o prazo? As datas previstas no concurso previam que o dossiê estivesse finalizado em fevereiro, acrescenta. O gestor recorda ainda a proposta de Orçamento Retificativo que autoriza o aumento de capital de Banif. Mas a lei não prevê que uma instituição, para ser capitalizada, tem de ser viável. “É uma dúvida jurídica que deixo”, afirmou o ex-presidente executivo do Banif.

Na sua segunda intervenção pública depois da resolução da instituição financeira, Jorge Tomé também não poupou o anterior governo, recordando um ultimato feito pela DG Com a Portugal em dezembro de 2014 e da qual a gestão do banco só teve conhecimento quatro meses depois. As mudanças na Comissão Europeia, no Ministério das Finanças e dentro do Banco de Portugal, a par da resolução do Banco Espírito Santo (BES), são coisas que correram mal ao longo de 2014 e que contribuíram para este desfecho, sustenta ainda.

Para Jorge Tomé, a resolução do BES [em agosto de 2014] salpicou todos os bancos e veio dar a machadada quase final no sistema bancário português.

Naviget nasce com 18,4 milhões da venda do Banif Malta

Terça-feira, Janeiro 5th, 2016

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Negócios

O veículo de gestão de activos criado com o fim do Banif é a esperança do Governo para compensar parte dos encargos com a resolução. Certo é que já há 18,4 milhões de euros de receita acordados.

O veículo Naviget, que ficou com alguns dos activos do Banif que o Santander Totta não quis comprar, nasceu com uma receita garantida de 18,4 milhões de euros. O valor é resultante do acordo de venda do Banif Malta. Publicamente, desconhece-se, contudo, quem vai pagar o montante.

 

A 18 de Dezembro, o Banif informou em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários que tinha assinado um acordo de compra e venda da participação de 78,46% no Banif Bank, em Malta. O entendimento cifra a operação em 18,4 milhões, o valor contabilístico da unidade. Não era indicado quem era o comprador.

 

Nessa mesma data também se esperava a venda do Banif mas o que acabou por acontecer foi uma operação de resolução (que envolveu custos públicos que podem superar os 3.000 milhões de euros) que dividiu o Banif em três. A actividade bancária tradicional foi transferida para o Santander Totta, os activos imobiliários e as participações em sucursais foram para um veículo de gestão de activos denominado Naviget e o escritório nos EUA permaneceu no banco “Banif”, esvaziado portanto dos principais activos e com as posições accionistas e dívida subordinada.

Foi na Naviget que ficou o Banif Malta; e a receita obtida com a alienação fica para esse veículo, que é totalmente detido pelo Fundo de Resolução da banca, liderado pelo administrador do Banco de Portugal José Berberan Ramalho (na foto). Ou seja, quando nasceu, era já certo que a Naviget iria receber 18,4 milhões de euros, apurou o Negócios e avança também esta terça-feira o jornal Público. E este dinheiro não tem de ser logo devolvido – fica no veículo.

Naviget ainda sem administração

A Naviget, enquanto veículo de gestão de activos, foi criada pelo Banco de Portugal a 20 de Dezembro de 2015. Contudo, ainda se desconhece quem vai compor (ou compõe) o seu conselho de administração. Aliás, de acordo com o portal da Justiça, a sociedade ainda não foi constituída juridicamente, já que não é possível encontrar o acto societário da sua criação.

Dinheiro que pertence ao veículo que é totalmente detido pelo Fundo de Resolução – o fundo que deveria sobreviver com as contribuições dos bancos do sistema mas que pediu emprestados perto de 4.500 milhões de euros para financiar a capitalização do Novo Banco em Agosto de 2014 (3.900 milhões pedidos ao Estado, 635 milhões aos bancos) e solicitou outros 489 milhões de euros para financiar a resolução do Banif.

 

Segundo as deliberações do Banco de Portugal, a Naviget tem os activos rejeitados pelo Santander Totta, entre os quais as participações em várias unidades, desde o banco espanhol a Malta, passando pela posição minoritária na seguradora Açoreana. O Ministério das Finanças quer valorizar os activos desta sociedade para vendê-los mas defende que não quer desfazer-se dos mesmos a qualquer custo. Foi na Naviget que ficaram, também, os 560 trabalhadores que não foram para o banco de capitais espanhóis.

Acusação de Jorge Tomé

 

Na transferência dos activos do Banif para a Naviget foi imposto um desconto no seu valor – contando com uma perspectiva de recuperação de apenas um terço do valor contabilístico dos activos. O Estado concedeu uma garantia de 422 milhões de euros a este veículo.

 

O Estado espera que, no meio de uma operação que envolve ajudas estatais que podem subir aos 3 mil milhões de euros, possa ainda recuperar algum dinheiro. Essa opção ocorre na Naviget.

 

O ex-presidente executivo do Banif, Jorge Tomé, já veio dizer que o desenho da operação foi feito para capitalizar o Fundo de Resolução através desta Naviget, isto é, à custa do Banif. “O efeito desta solução de passar activos do antigo Banif para este veículo ao preço a que passaram é que, obviamente, num processo de venda, vão gerar mais-valias e, como o activo pertence ao Fundo de Resolução, obviamente que ele vai ser capitalizado por essa via”, disse o ex-CEO em entrevista à SIC, três dias depois da resolução.

O que aconteceu ao Banif

O Banif foi intervencionado a 20 de Dezembro de 2015. O Estado não conseguiu vender a sua participação de 60,5% sem que o Orçamento do Estado fosse chamado a participar nos encargos. Daí que o Banco de Portugal tenha avançado para uma resolução, envolvendo accionistas e detentores de dívida subordinada nas perdas.

Nesta resolução, a parte bancária foi vendida ao Santander Totta por 150 milhões de euros, que, em troca, recebeu 2.255 milhões de euros para desequilíbrios na instituição adquirida (a que acresce ainda uma garantia de 323 milhões do Estado para possíveis perdas inesperadas). Os activos que não configuravam o negócio bancário, como a participação na Açoreana, foram transferidos para um veículo de gestão de activos, o Naviget, que recebeu uma garantia de 422 milhões de euros. O Banif, entidade onde permanecem os accionistas e detentores de dívida subordinada, ficou esvaziado de activos.

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Os rostos da vergonha que é o Banif

Segunda-feira, Dezembro 21st, 2015

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Expresso Opinião João Vieira Pereira

O Banif não é só mais um caso na banca portuguesa. É uma vergonha. Com um custo para si, o sempre disponível contribuinte, que pode chegar a um total de 3 mil milhões de euros. Depois do escândalo que foi o BPN, era expectável que a lição tivesse sido aprendida. Afinal não. Brincar com o dinheiro público é mesmo um desporto nacional.

Toda a culpa tem um rosto. E esse rosto tem nomes.

1. O primeiro culpado da situação do Banif é a própria gestão liderada por Jorge Tomé. O banco foi intervencionado há três anos. Qualquer ajuda do Estado tem de ser negociada com Bruxelas, exatamente para provar que não se trata de uma ajuda. Ou seja, o banco tinha de mostrar que tinha um negócio sustentável e que não estava a ser beneficiado pela intervenção pública. Foram apresentados oito planos de reestruturação, oito! Todos eles chumbados. A responsabilidade era da gestão provar que o banco era viável e tomar as medidas necessárias para que isso fosse possível. E não o conseguiram fazer. Contudo, continuaram a liderar a instituição como se nada fosse. A meritocracia substituída pela incompetenciocracia.

2. Pedro Passos Coelho. Ou Maria Luís Albuquerque e no limite todo o anterior Governo. É só escolher. A intervenção do banco em 2013 era necessária, mas depois deixar arrastar a situação foi uma escolha política. É normal dizer que existem dois tipos de problemas. Os que não têm solução, e que por isso solucionados estão. E os que o tempo resolve. O anterior governo gostava que o tempo tivesse sido amigo. Infelizmente, este acabou por ser um problema insolúvel. Arrastar a situação foi ainda pior. Acreditaram que o tempo ia resolver tudo. Que os ativos iam acabar por se valorizar. Nada disso aconteceu. E manter a gestão do Banif também foi escolha política. Uma sucessão de erros inacreditáveis.

3. A notícia alarmante e desastrosa da TVI foi o golpe de misericórdia na vida do Banif. O banco tinha de resolver um problema de estratégia e de capital no futuro mas cumpriu sempre os rácios prudenciais a que estava obrigado e nunca teve um problema de liquidez. Estes últimos mudaram com a notícia de que o banco ia fechar. A corrida aos depósitos iniciou um processo que acabou neste desfecho. No mínimo podemos dizer que antecipou um problema que ia ter de ser resolvido, mas a pressa nunca é amiga para quem vende.

4. E o Banco de Portugal? O Banif nunca foi um problema de supervisão ou regulação. Tinha um problema de sustentabilidade do seu negócio depois de anos de má gestão e apostas erradas. Uma carteira de promoção ao imobiliário que mais parece um buraco sem fundo. E um gigante problema acionista. O supervisor só tem de garantir que o banco cumpre as regras. E até ao início da semana passada estavam a ser cumpridas. Depois disso foi o descalabro total. O problema foi resolvido numa semana, mas tiveram três anos para obrigar a uma solução e não o conseguiram.

Daqui a uns anos vamos muito provavelmente descobrir que o Santander fez um grande negócio. E o Estado poderá ainda recuperar algum do dinheiro que teve de injetar no agora novo banco mau.

Até lá fica para a história mais um banco que teve de ser salvo. E desta vez, ao contrário do que se passou com o BES, não será a banca a pagar a maior fatura. Será o contribuinte. Esta foi uma clara escolha política. Supostamente a bem da estabilidade do sistema financeiro português, mas não deixa de ser um caminho diferente do seguido até agora.

 

BANIF: Chairman Jorge Tomé denies plans to close troubled bank – Portugal

Terça-feira, Dezembro 15th, 2015

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Portuguese American journal

Following reports by the Portuguese media, that Banif (Banco Internacional do Funchal) could collapse and close its doors, chairman Jorge Tomé assured Monday that there are no plans to close the troubled bank.

In a television interview, Jorge Tomé said that the bank’s liquidity levels are “comfortable,” revealing that six international investors are considering buying the failing bank. He also clarified that the Portuguese government, which owns 60% of Banif, plans to sell its stake to a strategic investor.

On Tuesday, Banco de Portugal (Portugal’s national bank) together with the Ministry of Finances issued a statement assuring full protection of depositors and taxpayers.

Banif Bank, managed by the Banif Financial Group, offers a vast range of services to customers in Portugal, including Madeira and the Azores, and the many Portuguese immigrant communities in the United States, Canada, Bermuda, Venezuela, South Africa, United Kingdom, Spain, and Brazil, which represent a major source of business for the bank.

In the United States, Banif operates in Fall River (MA), Newark (NJ), San Jose (CA) and Miami (FL). In Canada Banif operates in Toronto.

The Banif Financial Group comprises around 40 companies operating in various financial sectors, including: investment banking, insurance, capital markets, asset management, brokerage services, leasing, and consumer credit.

In 2014, Banif reported a net loss of €295 million, following a loss of €470 million in 2013.  Portugal’s government injected €1.1 billion of fresh capital into Banif  in 2013 to allow it to meet minimum capital thresholds imposed by the banking regulator. The government subsequently submitted a restructuring plan for Banif, which was amended several times, most recently in October 2014.

 

Banif fecha venda do Banif Mais por 400 milhões

Quinta-feira, Junho 4th, 2015

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Económico

O comunicado do banco foi enviado à CMVM e revela um impacto no rácio de capital de 100 pontos base.

Está concluída a primeira operação de venda de activos do ano por parte do banco liderado por Jorge Tomé.

O Banif acaba de anunciar que concluiu hoje a venda da sua participação de 85,92% no capital social da Banif Mais SGPS, entidade que detém 100% do capital do Banco Banif Mais, à Cofidis Participations, sociedade com sede em França. O valor do negócio confirma o já anunciado, preço (para a totalidade do capital social da Banif Mais SGPS) de 400 milhões de Euros.

“Esta transacção está alinhada com o plano estratégico do Banif e é expectável que tenha um impacto positivo estimado nos rácios de capital consolidado do Banif, em particular um aumento no rácio Common Equity Tier 1 (CET1) de 100 pontos base (pb) com os critérios phased-in e de 126 pontes base em base fully implemented”, refere o banco em comunicado.

Esta é apenas uma das várias aquisições que o Banif prevê fazer ao longo do ano. Terá ainda de vender o Banif Malta, o Banif em Cabo Verde (BCN) e a Açoreana.

O banco precisa de capital para pagar a ultima tranche dos CoCo´s ao Estado de 125 milhões.

O Banif irá manter com o Banco Banif Mais, a parceria estratégica de distribuição e crosselling para a área do crédito especializado ao financiamento de veículos.

 

Banif equaciona realizar aumento de capital em 2001

Terça-feira, Dezembro 5th, 2000

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Negócios

O Banif está a equacionar a realização de um aumento de capital no decorrer do próximo ano, de modo a manter o rácio de solvabilidade do Banif acima dos 10% e para acompanhar o crescimento do grupo.
O Banif está a equacionar a realização de um aumento de capital no decorrer do próximo ano, de modo a manter o rácio de solvabilidade do Banif acima dos 10% e para acompanhar o crescimento do grupo, afirmou hoje Duarte Almeida numa sessão de apresentação do Banif na Bolsa de Valores de Lisboa e Porto.O vice presidente do Banif não adiantou os valores do aumento de capital nem a data da realização do mesmo, pois «primeiro tem que ser aprovado pelo Conselho de Administração do Banif e pela assembleia geral de accionistas», afirmou Duarte Almeida, referindo que o Banif «aguenta 2001 sem a realização desta operação».

O Banco Comercial dos Açores, controlado pelo Banif vai realizar, ainda este mês um aumento de capital de 45 para 56 milhões de euros (9 para 11 milhões de contos), no qual o Governo dos Açores vai reduzir a sua posição em cerca de 5 a 6%.

O Governo do Açores vai vender os direitos, não acompanhando este aumento de capital, reduzindo assim a sua posição que actualmente ascende a 40%. O Banif, liderado por Horácio Roque (na foto) controla os restantes 60% do BCA.

Segundo Duarte de Almeida, o Grupo Banif deverá terminar este ano com o valor dos activos financeiros a totalizar 5 mil milhões de euros (mil milhões de contos).

Banif Banco de Investimento «arranca» a 15 de Dezembro.

O Banif Banco de Investimento, depois de ter recebido a autorização do Banco de Portugal para a sua constituição, vai «arrancar» oficialmente a 15 de Dezembro deste ano, anunciou Artur Silva Fernandes, presidente do banco de investimento do Banif.

O BBI vai actuar na área do «corporate finance», mercado de capitais, «personal finance», corretagem, através da Banif Ascor e na gestão de activos.

A área de corretagem contribui com 87% dos resultados antes de impostos obtidos na actividade de banca de investimento, até Outubro deste ano, que ascenderam a cerca de 3 milhões de euros (600 mil contos). A gestão de activos representa 1,3% deste total, tendo atingido o «break even».

O Banif Banco de Investimento é detido em 50% pelo Banif Investimentos SGPS, 15% pelo Banif Cayman, 12,5% pela Companhia de Seguros Açoreana, 12,5% pela O Trabalho e 10% pelo BCA.

O BBI detém a Banif Ascor, 70% da Banifundos Cisalpina, a Banif Patrimónios, a Banif IMO e 45,95% da Banif Açor Pensões.

Para além do BBI, na área da banca de investimentos, o Banif conta ainda com 51% do Banco Primus, no Brasil.

Área seguradora do Banif com lucros de 3,6 milhões de lucros em 2000

A actividade seguradora do Banif, que engloba as companhias Açoreana e a O Trabalho, deve fechar este ano com lucros de 3,6 milhões de euros (720 mil contos), disse Jorge Tomé, responsável por esta área de negócios do Banif.

Em 2001 a Açoreana e a O Trabalho, seguradora adquirira este ano, deverão obter um resultado líquido de 4,5 milhões de euros (900 mil contos).

No próximo ano o Banif estima que a produção seguradora do Grupo cresça 15,5% ao atingir 200 milhões de euros (40 milhões de contos).

Para além destes objectivos, outra meta do Banif, para o próximo ano, é a integração da Açoreana com a O Trabalho, afirma Jorge Tomé.