Archive for the ‘Oitante’ Category

Empresa que ficou com ativos do Banif paga mais de metade do empréstimo

Sexta-feira, Março 1st, 2019

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Negócios

A Oitante pagou hoje 15 milhões de euros referentes ao empréstimo obrigacionista recebido em 2015, quando foi criada para gerir ativos do ex-Banif, disse em comunicado.

Com este reembolso antecipado, a Oitante pagou já 376 milhões de euros, equivalente a 50,4% dos 746 milhões de euros inicialmente recebidos.

A sociedade-veículo Oitante foi criada pelo Banco de Portugal, em dezembro de 2015, no âmbito da resolução do Banif, gerindo os ativos que pertenciam ao Banif e que o Santander Totta não quis comprar e que podem, eventualmente, ser recuperados (imóveis com imparidade, crédito malparado, participações financeiras em empresas com atividade deficitária ou em processo de venda).

A empresa é liderada por Miguel Barbosa.

Esta empresa é detida pelo Fundo de Resolução bancário, entidade na esfera do Estado financiada pelas contribuições dos bancos e gerida pelo Banco de Portugal.

A emissão obrigacionista de 746 milhões de euros que a Oitante emitiu aquando da sua criação, para se financiar, tem o seu vencimento em dezembro de 2025. Estas obrigações beneficiam de garantia do Fundo de Resolução e da contra garantia do Estado português.

No comunicado hoje divulgado, a Oitante referiu que “o resultado agora alcançado não teria sido possível atingir neste período sem a extraordinária dedicação e profissionalismo de todos os seus trabalhadores” e que em breve apresentará os resultados de 2018, que – disse — “irão refletir a ‘performance’ [desempenho] positiva da sociedade”.

A Oitante teve lucros de 30,1 milhões de euros em 2017, acima dos 11,5 milhões de euros de 2016.

A Oitante tinha 94 funcionários em 2017, último ano com dados conhecidos.

Oitante quer as receitas da venda de empresas nos EUA

Sexta-feira, Janeiro 25th, 2019

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Negócios

A Oitante quer que lhe sejam pagas as receitas obtidas pelo Banif na liquidação de sociedades sediadas nos Estados Unidos, o que diminuiria o dinheiro do banco a distribuir pelos credores. A comissão liquidatária contestou.

A Oitante, entidade que foi criada para ficar com os imóveis e créditos problemáticos mas recuperáveis do Banif que o Santander não quis adquirir, colocou uma ação contra o banco em liquidação. O Banif contestou.

O objetivo do veículo, que é detido na totalidade pelo Fundo de Resolução, é ficar com as receitas das vendas de subsidiárias do Banif nos Estados Unidos da América.

Esta é uma reclamação para a divisão de bens “com vista a obter a separação (e também a sua restituição) do universo da massa insolvente do Banif, do património correspondente às quantias recebidas no contexto da liquidação das subsidiárias Banif & Açores (San José), Banif & Açores Inc (Fall River) e Banif & Açores (Newark)”, de acordo com os documentos consultados pelo Negócios no juízo do Comércio da Comarca de Lisboa.
A Oitante pretende ficar com aquelas receitas, o que, a ser aceite, reduziria a dimensão dos montantes a serem distribuídos pelos credores do Banif.

As unidades “foram constituídas para, entre outras atividades, estabelecer e gerir escritórios locais dedicados a promover remessas de dinheiro de clientes Banif residentes nos EUA para contas que os mesmos tinham abertas junto do banco em Portugal”, segundo o Relatório e Contas do Banif. A liquidação ficou concluída em 2017.

Só que a Oitante, que é credora destas entidades, considera que as receitas devem ser para os credores e não para o acionista. Nas contas de 2017, coloca aliás estas entidades na rubrica de créditos a receber.

Oitante vende sede do Banif por cerca de 24 milhões de euros

Segunda-feira, Dezembro 3rd, 2018

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Económico

O veículo que ficou com os ativos problemáticos do Banif na sequência da resolução do banco, no final de 2015, concluiu no início deste mês a venda do edifício que era a antiga sede do banco na Avenida José Malhoa. O imóvel foi posto à venda com o valor mínimo de 24 milhões de euros, e a venda foi fechada por um valor que não atinge este montante. Não foi divulgado o nome do comprador.

A Oitante, veículo que ficou com os ativos problemáticos do Banif na sequência da resolução do banco, no final de 2015, concluiu no início deste mês a venda do edifício que era a antiga sede do banco na Avenida José Malhoa. O Jornal Económico sabe que a Oitante recebeu 15 propostas pelo imóvel e vendeu à oferta mais alta, que supera em 10% o valor contabilístico do ativo.

Das 15 ofertas, uma dezena foi acima dos 20 milhões de euros. O imóvel foi posto à venda – por via do fundo property – com o valor mínimo de 24 milhões de euros, e a venda foi fechada por um valor que não atinge este montante, de acordo com a informação avançada ao jornal. Não foi divulgado o nome do comprador.

A Oitante pôs à venda a histórica sede do Banif, em setembro, e este era um dos ativos que fazia parte da carteira que a sociedade liderada por Miguel Barbosa previa alienar até ao final do ano para pagar 40% da dívida (cerca de 117 milhões de euros), assumida há três anos. Numa entrevista ao “Expresso”, em setembro, Miguel Barbosa dizia que o “objetivo é maximizar o bom ritmo de vendas de participações e imóveis para pagar já este ano 40% da dívida e não ser preciso, como ainda não foi, pedir um cêntimo ao Fundo de Resolução”.

A Oitante assinou um contrato de servicer, no final de 2017, com a gestora espanhola de fundos Altamira para gerir um conjunto de imóveis (uma carteira de cerca de 1000 milhões de euros) e uma carteira de crédito malparado. Este contrato permite à Oitante acelerar as vendas de alguns ativos que herdaram do Banif, o que inclui imóveis residenciais e industriais.

Recorde-se que a Altamira, detida maioritariamente pelo fundo norte-americano Apollo (85%) e em 15% pelo banco Santander, tem um contrato de cinco anos com a Oitante no final do qual, a Oitante, deverá ter fechado a maioria das vendas dos imóveis.

Oitante acaba com presença do Banif em Espanha

Domingo, Novembro 25th, 2018

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Negócios

O veículo do Fundo de Resolução Oitante vendeu a participação de 33% no espanhol Banca Pueyo. O comprador é um dos outros accionistas, que exerceu o direito de preferência para tirar a posição a outros interessados.

A Oitante deu por concluída a saída de Espanha. Depois de vender a imobiliária Vegas Altas, o veículo herdeiro do Banif alienou a participação de 33% no banco de retalho Banca Pueyo. O comprador é o mesmo: um dos outros accionistas do banco, não identificado.

“A Oitante, S.A. (“Oitante”) informa sobre a conclusão do processo de alienação da participação na Banca Pueyo, S.A. (“Banca Pueyo”) a um dos actuais accionistas, que exerceu o direito de preferência”, aponta um comunicado enviado às redacções pelo veículo.

O direito de preferência foi utilizado por um dos accionistas porque havia outros interessados na participação de 33,32% da Oitante na Banca Pueyo. Segundo o relatório e contas de 2017, são sete os restantes accionistas (a Hornileza 2 e a Smart Business Operating têm, cada uma, participações de 14%, as mais relevantes após a Oitante).

Certo é que o mesmo accionista também comprou o outro activo que o veículo presidido por Miguel Artiaga Barbosa tem em Espanha, a imobiliária Vegas Altas que detém algumas das agências do banco.

“A conclusão desta operação ocorre após a submissão e respectivas autorizações das entidades competentes, nomeadamente o Banco de Portugal, Direção Geral da Concorrência da Comissão Europeia, Banco de Espanha e Banco Central Europeu, verificando-se as condições estabelecidas no Shares Sale and Purchase Agreement, assinado em 28 de Agosto de 2018”, aponta o comunicado.

A participação de 33,32% da Oitante na instituição financeira, que conta com 300 funcionários, estava avaliada pela Oitante em 11,2 milhões de euros, de acordo com dados de fecho de contas de 2017.

A Oitante deixa de estar assim presente em Espanha. O veículo, detido a 100% pelo Fundo de Resolução, ficou com os activos a vender e com o crédito malparado do antigo Banif que o Banco Santander Totta não quis adquirir, na resolução de 20 de Dezembro de 2015. Tem alienado activos para conseguir recuperar algum do valor.

Como já assumiu o seu presidente, a Oitante espera amortizar até 2021 a totalidade dos 746 milhões em obrigações emitidas em 2015 para financiar a queda do Banif. O que livra a activação da garantia prestada pelo Fundo de Resolução, que está contragarantida pelo Tesouro.

 

Herdeira do Banif vende dívida da Rioforte por 8% do seu valor

Sexta-feira, Julho 27th, 2018

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Negócios

A Oitante vendeu papel comercial da Rioforte que recebeu do Banif. A transacção foi a 8% do valor dos créditos. A “complexidade” e a “degradação” da empresa, bem como a ausência de garantias, justificam o nível de perda. O desconto é ligeiramente superior ao antecipado pela Pharol.

A Rioforte deu o maior contributo para a redução da carteira de crédito da Oitante. O veículo herdeiro do Banif vendeu os créditos sobre a antiga sociedade do Grupo Espírito Santo. Alienou-os a 8% do seu valor. Uma recuperação acima do que apontam os números da liquidação da sociedade, mas pouco abaixo da expectativa de recuperação da antiga Portugal Telecom.

“De todas as operações realizadas, a que foi responsável pela maior redução da carteira nominal (valores de contrato e objecto de recuperação) foi a venda dos créditos detidos sobre a Rioforte Investments SA”, revela o relatório e contas relativo a 2017 da Oitante, detida pelo Fundo de Resolução.

A importância recebida “correspondeu a cerca de 8% do valor dos créditos”. O nível de recuperação é justificado, no documento relativo às contas do ano passado, pela “complexidade e degradação da situação da empresa” e pelo “facto de os créditos não beneficiarem de qualquer tipo de garantia”. A Rioforte segue em liquidação no Luxemburgo.

O nível de perda relativamente à exposição à antiga “holding” de topo do Grupo Espírito Santo é, portanto, de 92%,  e é bastante superior à assumida na restante carteira de crédito da Oitante. Aí, a perda foi, em 2017, de cerca de 18% face ao valor nominal, ou seja, assegurando 82% do valor inicial.

De qualquer forma, pese embora ser apenas 8% do valor nominal, tendo em conta que o valor de venda é comparável com o valor a que estava registado no balanço (depois de imparidades), a Oitante ainda registou mais-valias de 181%. Nas contas, está inscrita uma mais-valia de 6,21 milhões de euros “pela cessão do papel comercial que a Oitante detinha da Rioforte”. Segundo cálculos do Negócios, o valor deste papel comercial após imparidades, no balanço da Oitante, seria de cerca de 3,4 milhões, tendo sido vendido a 9,6 milhões. Ou seja, o valor do crédito era em torno de 120 milhões.

O Banif e o GES tinham empréstimos cruzados, que acabaram por penalizar o banco do Funchal aquando da queda do banco liderado por Ricardo Salgado.

A percentagem de recuperação da Oitante é superior à que, neste momento, é passível de ser recuperada, à luz dos relatórios dos responsáveis pela insolvência da Rioforte. Em Abril, os bens depositados pela entidade do GES alcançavam os 138 milhões de euros, face a reclamações de crédito que ascendiam a 4,5 mil milhões. É 3% do total, ainda que este valor não esteja fechado, porque pode haver vendas adicionais de activos da Rioforte (apesar dos arrestos) e porque há reclamações que podem ser retiradas ou anuladas.

Já outra credora, a Pharol, a antiga PT que tinha 897 milhões de euros em papel comercial da Rioforte, tem uma expectativa de recuperação de 8,32% do valor investido.

Oitante quer devolver garantia até 2021 e pagar dividendos a partir daí

Sexta-feira, Julho 27th, 2018

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Negócios

A Oitante espera amortizar até 2021 a totalidade dos 746 milhões em obrigações emitidas em 2015 para financiar a queda do Banif. O que livra a activação da garantia prestada pelo Fundo de Resolução, que está contragarantida pelo Tesouro.

É um alívio para a banca e para o Estado. A Oitante, o veículo que herdou os activos do Banif que o Santander Totta não quis, antecipa pagar a sua dívida até 2021, sem consumir a garantia prestada pelo Fundo de Resolução, contragarantida pelo Estado português. E pretende até dar dividendos.

“Pagamento integral do empréstimo obrigacionista em 2021”: este é um pilar do plano de negócios revelado no relatório e contas. “O plano de negócios da Oitante para os anos de 2018 a 2022, desenvolvido em 2017, permite antecipar que a Oitante alcançará o principal objectivo que presidiu à sua constituição, o pagamento integral de toda a sua dívida e respectivos juros”, diz.

No âmbito da resolução de 20 de Dezembro de 2015, a Oitante emitiu obrigações de 746 milhões de euros para pagar os activos do Banif que herdou (com um desconto em torno de 66% do seu justo valor). Essa emissão foi garantida pelo Fundo de Resolução e contragarantida pelo Estado. Foi assim que esta entidade, inicialmente denominada Naviget, ficou com imóveis, carteira de crédito malparado e instituições para venda, como o Banif – Banco de Investimento.

A Oitante foi fazendo amortizações e o saldo da dívida era, em Dezembro, de 566 milhões. Este ano, já houve mais uma devolução de 10 milhões, diz o Fundo de Resolução.

É este montante de 556 milhões que o veículo presidido por Miguel Artiaga Barbosa espera amortizar nos próximos três anos. Além disso, antecipa pagar 64 milhões em juros das obrigações até à amortização.

A partir de 2022, a Oitante espera mesmo pagar dividendos. O seu accionista é apenas um: o Fundo de Resolução, entidade financiada pela banca. A Oitante tem uma carteira de crédito, imóveis e participações para alienar, o que, sem dívida, permitirá a remuneração.

O ex-presidente do Banif, Jorge Tomé, criticou o modelo de constituição da Oitante, para onde os activos passaram com 66% de desconto face ao valor contabilizado no banco:  “O efeito desta solução de passar activos do antigo Banif para este veículo ao preço a que passaram é que, obviamente, num processo de venda vão gerar mais-valias e, como o activo pertence ao Fundo de Resolução, obviamente que ele vai ser capitalizado por essa via”, disse na SIC, em 2015.

Porém, a intervenção no Banif, com a venda do grosso da carteira ao Totta, teve custos. Houve uma injecção de 1,77 mil milhões pelo Tesouro, além do empréstimo de 489 milhões pelo Fundo de Resolução, que pode ser reclamado na liquidação do Banif mau, mas relativamente ao qual aquela entidade não antecipa receber o montante.

Lucros acumulados de 301 milhões

A Oitante, que crê pagar dividendos a partir de 2022, acredita na geração de valor interno. O veículo prevê resultados líquidos acumulados de 301 milhões de euros no período do plano de negócios que vai até aquele ano. Em 2017, foram 30,1 milhões de lucros, face a 11,5 milhões no ano anterior. O EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) atingiu os 38,7 milhões, mais do que os 23,8 milhões de 2016, sendo que o acumulado estimado para aquele período é de 470 milhões. A carteira de crédito a recuperar tinha, no final do ano passado, um valor bruto de 362 milhões de euros, a que acresciam participações financeiras avaliadas em 61,4 milhões. O Banca Pueyo é um dos activos à venda. O banco de investimento já foi alienado. A Oitante, que tem 94 funcionários, contava também em 2017 com 2.962 imóveis no seu balanço.

Antiga sede do Banif em Lisboa colocada à venda em setembro

Quarta-feira, Julho 18th, 2018

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Idealista/news

A Oitante, veículo que ficou com os ativos problemáticos do Banifaquando da resolução do banco no final de 2015, vai colocar a antiga sede do banco à venda depois do verão. O imóvel, localizado na Avenida José Malhoa – no centro da capital -, chegará ao mercado em setembro, fazendo parte da carteira de ativos que a sociedade liderada por Miguel Barbosa quer alienar até ao final do ano para pagar 40% da dívida (cerca de 117 milhões de euros), assumida há três anos.

Em setembro, adianta o responsável citado pelo Expresso, “vamos lançar o processo de venda da sede do Banif na Avenida José Malhoa, entre outros, que já estão em curso” , referindo ainda que o “objetivo é maximizar o bom ritmo de vendas de participações e imóveis para pagar já este ano 40% da dívida e não ser preciso, como ainda não foi, pedir um cêntimo ao Fundo de Resolução”.

A ajudar a estratégia traçada pela equipa de gestão da Oitante está “a mudança de ciclo económico e o facto de Portugal continuar a beneficiar do mercado imobiliário em alta, o que não é indiferente para a venda e recuperação de créditos”, afirma Miguel Barbosa.

Altamira recebe 85 milhões para gerir carteira de imóveis

Por outro lado, antecipa o gestor na entrevista ao semanário, o contrato assinado no final de 2017 com a gestora de fundos Altamira para gerir um conjunto de imóveis (uma carteira de cerca de 1000 milhões de euros) e crédito malparado vai “acelerar as vendas de alguns ativos que herdámos, desde imóveis residenciais a industriais”.

Recorde-se que a Altamira, detida maioritariamente pelo fundo norte-americano Apollo (85%) e minoritariamente (15%) pelo banco Santander, tem um contrato de cinco anos com a Oitante no final do qual, espera o presidente da Oitante, deverá ter fechado a maioria das vendas dos imóveis.

A gestão destas carteiras vai custar à Oitante cerca de 85 milhões de euros durante os cinco anos em pagamento de comissões à Altamira. Um custo que, segundo o presidente da Oitante, “vai refletir-se numa poupança face aos custos que tínhamos quando a gestão deste portfólio estava em quatro entidades distintas”.

Venda do Banif a grupo chinês já foi concretizada. Valores do negócio ainda não são conhecidos

Quinta-feira, Julho 12th, 2018

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Observador

Venda do Banif a grupo chinês já foi concretizada. Valores do negócio ainda não são conhecidos

A Oitante, grupo que detinha o Banif, anunciou esta terça-feira a conclusão do processo de alienação do Banif à Bison Capital Financial Holdings. Os valores do negócio ainda não foram divulgados.

A venda do Banco Internacional do Funchal (Banif) ao grupo chinês Bison Capital Financial Holdings foi concretizada, anunciou esta terça-feira a Oitante, que detinha aquela instituição financeira, garantindo o cumprimento das “condições estabelecidas no contrato” assinado há dois anos.

Em comunicado, a Oitante informa “sobre a conclusão do processo de alienação do Banif” à Bison Capital Financial Holdings, indicando que “a conclusão desta operação ocorre após a submissão e respetivas autorizações das autoridades competentes, nomeadamente o Banco de Portugal, Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu, verificando-se as condições estabelecidas no contrato de compra e venda de ações assinado em 03 de agosto de 2016”.

Na mesma nota, a Oitante não divulga os valores do negócio. Questionada pela Lusa, fonte da empresa escusou-se a dar mais pormenores devido à confidencialidade pedida pelas partes envolvidas.

A Oitante é a sociedade-veículo criada no âmbito da resolução do Banif, no final de 2015. A sociedade ressalva na nota de imprensa que, “com vista à prossecução do objetivo com que foi criada — maximização do respetivo valor para posterior alienação –, deu início, em abril de 2016, a um processo competitivo de venda”, que foi “conduzido em conformidade com as normas nacionais e europeias e com as melhores práticas internacionais”.

No âmbito desse processo, a Oitante “selecionou a proposta apresentada pela Bison Capital, por ser aquela que apresentava as condições mais favoráveis à maximização da venda”, justifica. A empresa adianta que “a conclusão desta operação é o resultado de um processo competitivo de venda lançado e conduzido pela Oitante, sendo ainda de enorme relevo o facto de o projeto que a Bison Capital tem para o BBI [Banif Banco de Investimento] prever que o mesmo venha a ser desenvolvido com o apoio de atuais colaboradores, permitindo assim uma eficaz transição do banco para o novo acionista”.

No final de junho, o Banco de Portugal anunciou que pediu o início da liquidação judicial do Banif, na sequência da revogação pelo Banco Central Europeu da autorização para o exercício da atividade de instituição de crédito.

Em dezembro de 2014, o Banif foi alvo de uma medida de resolução, por decisão do Governo e do Banco de Portugal, o que levou a que muitos clientes se viessem a afirmar como lesados por aquela instituição bancária. Entre os lesados estão cerca de 3.500 obrigacionistas, em grande parte oriundos das regiões autónomas da Madeira e dos Açores, mas também das comunidades portuguesas na África do Sul, Venezuela e Estados Unidos, que perderam 263 milhões de euros. Além destes, há ainda a considerar 4.000 obrigacionistas Rentipar (holding através da qual as filhas do fundador do Banif, Horácio Roque, detinham a sua participação), que investiram 65 milhões de euros, e ainda 40 mil acionistas, dos quais cerca de 25 mil são oriundos da Madeira.

Parte da atividade do Banif foi adquirida pelo Santander Totta por 150 milhões de euros, tendo sido ainda criada a Oitante, para onde foi transferida a atividade bancária que o comprador não adquiriu. Desde a resolução do Banif, investidores do banco têm andado em ‘luta’ por uma solução que os compense pelas perdas, para já sem sucesso. No final de 2017, a Oitante apresentou um resultado positivo de 30,1 milhões de euros.

Lesados querem criar fundo de recuperação de créditos à revelia da CMVM

Quarta-feira, Julho 11th, 2018

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Notícias ao Minuto

A Associação de Lesados do Banif (ALBOA) anunciou hoje querer criar de imediato um fundo de recuperação de créditos à revelia da decisão da CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), anunciada há duas semanas no parlamento.

“Decidimos iniciar a constituição de um fundo de recuperação de créditos à revelia das declarações da CMVM”, afirmou o presidente da ALBOA, Jacinto Silva, numa conferência de imprensa em Lisboa.

Há duas semanas, a 27 de junho, na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, a presidente da CMVM, Gabriela Figueiredo Dias, disse aos deputados que a investigação da instituição a que preside concluiu não ter havido irregularidade generalizada (‘misselling’ generalizado) na venda de produtos do Banif aos lesados e que, por isso, não podiam aceder ao fundo de recuperação de créditos.

Inconformados, e à revelia das declarações da CMVM, os lesados da ALBOA decidiram avançar para a criação do fundo, convocando uma assembleia-geral para escolher a entidade gestora do mesmo, tal como aconteceu com os lesados do BES que escolheram a Patris para gerir o fundo responsável pelas indemnizações.

Entre os argumentos da ALBOA para avançar para o fundo à revelia da CMVM, estão o facto de “o ‘misseling’ ser apenas uma expressão que nem sequer existe” no ordenamento jurídico português, e “nem é um instituto que tenha servido de base a qualquer sentença” em Portugal.

“[misseling] é apenas um chavão para um conjunto de práticas desconformes identificadas no Código de Valores Mobiliários”, adiantou o presidente da ALBOA, argumentando ainda que a CMVM “não é um tribunal” e “não pode decidir sobre estas matérias, nem teve acesso a documentação suficiente” para tomar a decisão anunciada no parlamento.

Jacinto Silva defende ainda, perante a decisão da CMVM de não existir ‘misseling’, o recurso a uma outra intermediação através da constituição de comissões arbitrais, uma possibilidade que, segundo disse, tem já o apoio do bastonário da Ordem dos Advogados para a liderar, caso a CMVM não o faça.

A ALBOA, na conferência, anunciou ainda a intenção de solicitar, “com caráter de urgência”, uma audiência com as bancadas parlamentares, e ainda pedir ao Governo que emita uma “garantia sustentada dos direitos jurídicos” dos lesados do Banif.

Em dezembro de 2015, o Banif foi alvo de uma medida de resolução, por decisão do Governo e do Banco de Portugal, que alegadamente lesou clientes que pedem uma compensação das perdas, à semelhança da solução encontrada para os lesados do papel comercial vendido pelo BES.

Em maio, o primeiro-ministro disse na Madeira que o Governo assegurava tratar da situação dos lesados do Banif com o mesmo princípio de igualdade dos lesados do BES, mas desde que a CMVM declarasse terem havido práticas incorretas.

Entre os lesados do Banif estão 3.500 obrigacionistas, em grande parte oriundos das regiões autónomas da Madeira e dos Açores, mas também das comunidades portuguesas na África do Sul, Venezuela e Estados Unidos, que perderam 263 milhões de euros.

Além destes, há ainda 4.000 obrigacionistas Rentipar (‘holding’ através da qual as filhas do fundador do Banif, Horácio Roque, detinham a sua participação no banco), que investiram 65 milhões de euros, e outros 40 mil acionistas, dos quais cerca de 25 mil são da Madeira.

 Após a resolução do Banif, parte da sua atividade foi adquirida pelo Santander Totta por 150 milhões de euros, tendo sido ainda criada a sociedade-veículo Oitante, para onde foi transferida a atividade bancária que o comprador não adquiriu.

Veículo de gestão de ativos do Banif triplica lucros. Sobem para 30 milhões

Terça-feira, Julho 10th, 2018

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Eco

A Oitante, o veículo que foi criado para gerir os ativos do Banif no âmbito da sua resolução, registou lucros de 30 milhões de euros no ano passado. Ou seja, conseguiu triplicar os resultados.

A Oitante, o veículo que foi criado para gerir os ativos do Banif no âmbito da sua resolução, triplicou os resultados no ano passado. A sociedade registou lucros de 30,1 milhões de euros, de acordo com um comunicado do seu único acionista, o Fundo de Resolução.

Em “assembleia geral, foram aprovadas as contas da Oitante relativas ao exercício de 2017, que apresentam um resultado positivo de 30,1 milhões de euros“, lê-se no comunicado da entidade liderada por Máximo dos Santos, publicado pelo Fundo de Resolução na sexta-feira. Em 2016, a Oitante registou lucros de 11,5 milhões de euros. Ou seja, triplicou os resultados.

“Foram aprovadas as contas da Oitante relativas ao exercício de 2017, que apresentam um resultado positivo de 30,1 milhões de euros.”

Fundo de Resolução

Além de ter conseguido aumentar os lucros, a Oitante também procedeu a um reembolso antecipado de parte da emissão de obrigações realizada 2015 — quando o Banif foi alvo da resolução — no montante global de 90,4 milhões de euros, lê-se no relatório e contas de 2017 do Fundo de Resolução.

“Este valor acresce aos reembolsos antecipados realizados ainda no exercício de 2016, no valor global de 90 milhões de euros”, refere ainda a entidade. Um valor a que se junta outro reembolso parcial de 10 milhões de euros já este ano, perfazendo um total de 190 milhões.

A emissão destas obrigações teve como objetivo permitir que a Oitante se financiasse em 746 milhões de euros. E foi com este montante que foram pagos os ativos que passaram para o veículo e que o Santander Totta não quis comprar.