Archive for the ‘Recapitalização’ Category

Banca em banho-maria

Sábado, Janeiro 9th, 2016

Citamos

Económico

O governador do Banco de Portugal revelou, esta semana, que em 2011 os bancos portugueses precisavam de 48 a 56 mil milhões de euros de capital, cerca de 28% a 33% do PIB.

Portugal, sublinha Carlos Costa, optou por não fazer uma recapitalização à cabeça, como fizeram Espanha e Irlanda. A estratégia foi o reconhecimento gradual de imparidades. Uma via que evitou a nacionalização do sector e uma subida da dívida pública para valores em torno dos 150% do PIB.

Ou seja, Portugal, ao contrário de espanhóis e irlandeses, tinha não um, mas dois problemas para resolver. Como os 78 mil milhões de euros de empréstimo não davam para tudo, a resolução do problema da banca foi prolongada no tempo.

Chegados a 2016, a estabilidade do sistema financeiro continua a ser uma preocupação. Carlos Costa considera que, tal como fizeram Dublin e Madrid, a concentração de activos problemáticos em veículos próprios “ainda hoje é desejável”. A questão é o seu financiamento, incomportável para o Estado.

Para os mais pessimistas, o pior que podia acontecer seria um segundo resgate, desta vez só para a banca.

Histórias da Carochinha

Quinta-feira, Janeiro 7th, 2016

Citamos

Diário de Notícias Opinião António Cunha Vaz

A “Resolução do Banif” é a última das histórias mal contadas aos portugueses. Na justiça e na economia somos iludidos com notícias resultantes de informações plantadas em off, levando-nos a crer na “salvação” quando, de facto, estamos a ser enganados, quer intelectualmente, quer bolsisticamente, isto é, quer porque nos vão aos bolsos.

A forma de nos informarem nunca foi a mais transparente e alguns jornalistas incautos e opinadores apaixonados serviram sempre de caixa reflectora dos diversos ruídos com que nos iludiam enquanto perdíamos – muitos de nós – os parcos haveres que tínhamos.

Mas vamos ao Banif, cuja história diz, sentimentalmente, muito aos Madeirenses – residentes e emigrantes -, um bocado, sentimental e materialmente – aos Açorianos e algo – materialmente – aos continentais.

A 19 de Dezembro de 2015 uma medida de resolução bancária foi aplicada ao Banif – apesar de este cumprir os rácios de capital mínimo exigido por lei – ao mesmo tempo que se atribuía uma ajuda estatal ao Banco Santander. O Totta nunca cresceu em quota de mercado desde que foi adquirido pelo Santander. O Banco tornou-se mais rentável mas, agora, com este empurrãozinho, cresce significativamente, acrescendo a esse facto que tem acesso a um mercado muito relevante que é o dos emigrantes portugueses/madeirenses da Venezuela e da África do Sul. E investiu para o ganhar, como fez, em seu tempo, a nossa Caixa Económica ou o nosso Banif? Não, não foi preciso. A DGComp, com a complacência ou conivência do Banco de Portugal, “investiu” pelo banco espanhol. E foi assim que o Santander comprou um Banif sobrecapitalizado por “tuta e meia”, recapitalizando-se em milhares de milhões de euros.

Em tempo record a DG Comp consegue decidir que não há qualquer ajuda estatal ao Santander e que a ajuda dada ao Banif, de 1.100 milhões de euros também era legal. Nada de estranho, se a mesma DG Comp não tivesse dito que tinha muitas dúvidas que o fosse apenas três dias antes.

Diplomaticamente, dir-se-ia, a informação oficial que nos chegou sobre a operação não é suficiente. Em linguagem de gente séria dir-se-á, esta história está muito mal contada. Jornalistas houve que, pela pressa ou incompetência escreveram o que lhes ditou alguém interessado mas, é justo dizer-se, que muitos comentadores e jornalistas escreveram com seriedade sobre o tema.

Factos:
1- O Santander só pagou 150 milhões pelo Banif. Recebeu como contrapartida 2,255 mil milhões de euros, em dinheiro, e mais uma pequena garantia do Estado português de cerca de 320 milhões de euros (para contingências futuras).

2- O Santander cresceu 2,5% em quota de mercado (cerca de 30% nos Açores e na Madeira), ganhou 400 000 clientes, 150 balcões, € 6 mil milhões em depósitos e € 5,5 mil milhões em crédito.

3- Foi criado um veículo (NAVIGET) que, segundo já vi escrito, poderá capitalizar o fundo de resolução com mais valias, à custa dos credores do Banif.

4- A Resolução do Banif foi financiada totalmente pelos contribuintes portugueses num total de 2, 255 mil milhões de euros, pagos à cabeça em dinheiro e a título definitivo ao SANTANDER.

5- Acresce a este montante uma série de garantias e as perdas de estado que levam a que os portugueses tenham em risco mais de três mil milhões de euros.

6- Além de tudo, os cerca de 40 000 investidores do Banif, maioritariamente madeirenses, residentes ou não na Madeira, perderam mais de 700 milhões de euros de uma penada.

Os Reis Magos não trouxeram boas novas nem presentes para a Madeira e para o Banif. Deixaram-nos em Espanha e em Bruxelas. Não percebemos é porque é que o Banco de Portugal brindou à solução.

Opinião de Marques Mendes

Domingo, Janeiro 3rd, 2016

Citamos

SIC

Os negócios milionários no futebol, a saída de Paulo Portas do CDS, a venda do Banif, a recapitalização do Novo Banco e as Presidenciais por Luís Marques Mendes.

Posição do PSD face às medidas do BdP

Quarta-feira, Dezembro 30th, 2015

Citamos:

Económico

O PSD defendeu hoje que o Banco de Portugal tomou uma decisão de recapitalização do Novo Banco que protege os contribuintes, ao contrário da solução adotada para o Banif, pela qual responsabilizou o Governo do PS.

Em conferência de imprensa, na sede nacional do PSD, em Lisboa, o deputado social-democrata António Leitão Amaro considerou que as medidas de reforço de capital do Novo Banco “só podiam ter sido tomadas agora” e completam a resolução do Banco Espírito Santo (BES) de agosto de 2014. “Esta é uma decisão do Banco de Portugal”, afirmou, “e não do atual Governo”.

“É uma decisão que protege os contribuintes. Aliás, porque é uma decisão dentro do processo BES, e em todo o processo houve uma preocupação de proteger os contribuintes. Esta decisão tomada no caso BES, em que os contribuintes são protegidos de injeção de capital, contrasta bem com uma decisão recente do Governo atual noutro caso onde os contribuintes foram chamados a um esforço importante. São, por isso, duas formas bem contrastantes de resolver uma necessidade de sustentabilidade e de estabilidade do sistema financeiro”, acrescentou.

O vice-presidente da bancada social-democrata e ex-secretário de Estado da Administração Local voltou a colocar em oposição as soluções adotadas no caso do BES – no tempo do anterior Governo PSD/CDS-PP – e do Banif – no início do mandato do atual executivo do PS chefiado por António Costa.

“O caso BES/Novo Banco é um caso em que as perdas não são impostas aos contribuintes. Bem diferente da decisão mais recente”, declarou.

Ainda quanto à recapitalização do Novo Banco, António Leitão Amaro referiu: “As medidas agora tomadas têm por causa e por razão situações e perdas que têm origem na administração e na gestão do tempo do BES. Não são coisas novas, são coisas antigas, mas que só foram identificadas agora e devidamente quantificadas agora com estes resultados”.

Segundo o deputado do PSD, “estas decisões só podiam ser tomadas agora, e não antes”, porque vêm na sequência de testes de stresse exigidos pelo Banco Central Europeu cujos resultados só foram conhecidos a 14 de novembro.

“Só agora podia haver uma noção completa das medidas e dos valores necessários e, por isso, só agora é que as medidas podiam ser tomadas. Aliás, é por causa disto que, em agosto de 2014, quando a resolução foi feita, o próprio Banco de Portugal disse que o chamado perímetro dos ativos ficava em aberto, isto é, a decisão estava incompleta e veio a ser completa agora”, argumentou.

Na noite de terça-feira, o Banco de Portugal decidiu retransmitir para o BES a responsabilidade pelas obrigações não subordinadas por este emitidas e que foram destinadas a investidores institucionais, cujo montante é de 1.941 milhões de euros. Esta medida permite recapitalizar o Novo Banco nesse valor.

Afinal, quem é o BANIF?

Segunda-feira, Janeiro 14th, 2013

Citamos

Esquerda Net

O que o BANIF continua a demonstrar é que entre aqueles que vêm pedir auxílio do dinheiro público aos atuais governantes, estão sempre aqueles que estão ou estiveram ligados a outros Governos anteriores.

Desde que a decisão de injetar 1,1 mil milhões de euros nossos no BANIF foi tornada pública, os arautos da bonança (para variar) desdobraram-se em declarações de tranquilidade: “O BANIF não é o BPN”. Certamente, estas declarações não tranquilizam ninguém, porque ninguém se esquece de Teixeira dos Santos e dos mesmos arautos da bonança a dizer que se tinha de salvar o BPN sob o risco de contaminar o restante sector.

Na altura, Teixeira do Santos, além de anunciar que “nada seria feito que prejudicasse o interesse dos contribuintes”, afirmava que a injeção de 600 milhões de euros seria para que o Banco não fechasse portas. O tempo passou, muita tinta correu, e hoje o buraco pelos vistos pode ir até aos 7 mil milhões. Certamente, não estamos a assistir com o BANIF o mesmo imbróglio que se assistiu com o BPN. Mas a história recente deve levar-nos desde o início destes processos a duvidar de declarações de tranquilidade.

Mas, à parte dos números, há uma coisa em que o BPN e o BANIF são iguais: nas ligações com o poder político. Se o BPN tinha Dias Loureiro e Oliveira Costa, antigos ministros de Cavaco, o BANIF tem também a sua quota de ligações a Cavaco, Carlos Moedas, José Sócrates e Alberto João Jardim. Agora que estão injetados no BANIF 1,1 mil milhões dos contribuintes, é nosso direito saber quem manda nos destinos desse direito. E uma coisa é certa, comparações à parte, para o banco precisar de 1,1 mil milhões de euros, alguém teve culpa. E novamente, é o dinheiro público que o vai salvar.

Um antigo Presidente do Conselho de Administração, Marques dos Santos, disse em 2010 que o BANIF continuaria “autónomo e independente”. Mas então vejamos quem é o BANIF:

– José Lino Tranquada Gomes, Secretário da Assembleia Geral entre 2000 e 2006 e Vogal do Conselho Fiscal entre 2007 e 2011, é deputado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira (ALRAM) pelo PSD;

– Rui Manuel Silva Gomes do Amaral, administrador de 2000 a 2004, foi Administrador do Banco de Portugal e chegou a ser nomeado pelo PS para Presidente do Conselho de Administração do Instituto de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e Pescas;

– Carlos Alberto Rosa, Presidente do Conselho Fiscal entre 2000 e 2006, foi deputado do CDS na Assembleia da República;

– José Eduardo Nunes de Melo, administrador em 2006, foi membro do executivo da Junta de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima pela coligação PSD/CDS;

– Fernando Mário Teixeira de Almeida, Presidente do Conselho Fiscal de 2006 a 2012, foi membro da Comissão Política de Cavaco Silva no PSD;

– António Ernesto Neto da Silva, Vogal do Conselho Fiscal de 2007 a 2012, foi Secretário de Estado do Comércio Externo do XI Governo de Cavaco Silva;

– Diogo António Rodrigues da Silveira, administrador de 2007 a 2012, foi sócio de Carlos Moedas, Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro do atual Governo;

– João Manuel Figueira da Silva Santos, Secretário da Assembleia Geral em 2007, membro do Conselho Regional do PSD Madeira;

– Luís Manuel Moreira de Campos e Cunha, Presidente da Assembleia Geral entre 2007 e 2010, foi Ministro do primeiro Governo de José Sócrates;

– Miguel José Luís de Sousa, Secretário da Assembleia Geral de 2007 a 2011 e atual Presidente da Assembleia Geral, é deputado do PSD na ALRAM;

– Manuel Carlos de Carvalho Fernandes, administrador desde 2012, foi Secretário de Estado do Tesouro do XI Governo, com Cavaco Silva como Primeiro-Ministro;

– Luís Filipe Marques Amado, atual Presidente do Conselho de Administração, foi Ministro em ambos os Governos de José Sócrates;

Um quem é quem do BANIF não é um exercício de demagogia ou de areia nos olhos. Deve ser tido como um direito à informação estando, neste momento, o Estado e todos nós, para todos os efeitos, com a maior parte da responsabilidade nesse problema. Dizer que é demagogia é fugir ao que estes casos evidenciam: o que o BANIF continua a demonstrar é que entre aqueles que vêm pedir auxílio do dinheiro público aos atuais governantes, estão sempre aqueles que estão ou estiveram ligados a outros Governos anteriores. Não deixa de ser engraçado, e em igual maneira assustador, o modo como estes casos ilustram o braço dado da política e da banca.

Mais um episódio na história de amor-ódio: amor por parte do Estado, que vai sempre ao socorro dum banco em apuros; ódio por parte dos bancos, que só ajudam o Estado se os lucros forem motivo de grandes sorrisos.

Banif pretende vender parte do capital a parceiro internacional em 2002

Segunda-feira, Abril 9th, 2001

Citamos

Negócios

O Banif tenciona alienar entre 10% a 15% do seu capital a um parceiro internacional em 2002, como forma de garantir a expansão internacional da instituição liderada por Horácio Roque (na foto), revelou hoje o «Diário de Notícias».
O Banif tenciona alienar entre 10% a 15% do seu capital a um parceiro internacional em 2002, como forma de garantir a expansão internacional da instituição liderada por Horácio Roque (na foto), revelou hoje o «Diário de Notícias» em entrevista àquele banqueiro.Apesar do parceiro ainda não estar escolhido, Horácio Roque avança que a instituição financeira deverá ter interesse no mercado português e que permita ao Grupo Banif entrar noutros mercados.

«A nível internacional gostaríamos de ter alguém com interesse no mercado português, mas que também nos abra as portas ao estrangeiro», afirmou Roque.

Entre outros objectivos, o Banif pretende duplicar a sua actual quota no mercado nacional para os 5% dentro de quatro anos, revela o responsável na mesma entrevista.

As acções do Banif encerraram na sexta-feira nos 6,52 euros (1.307 escudos), a perder 3,12%.