Archive for the ‘Rentipar’ Category

Clientes do Banif pedem ajuda ao Parlamento

Quarta-feira, Fevereiro 17th, 2016

Citamos

Negócios

Dois cidadãos com obrigações da antiga dona do Banif enviaram documentação ao Parlamento em que defendem “ilegalidades” na venda daqueles títulos. E pedem que o Santander assuma a responsabilidade.
Dois clientes do Banif, com
idades em torno dos 70 anos, e com o quarto ano de escolaridade, pediram ajuda ao Parlamento. Compraram, em Agosto, títulos de dívida da antiga dona do banco, a Rentipar, que está agora em insolvência e que não assegura aquele pagamento.

O presidente da comissão de inquérito ao Banif, António Filipe, anunciou na reunião da semana passada que tinha sido recebida “correspondência” enviada por cidadãos. O Negócios teve acesso a uma missiva intitulada “ilegalidade na venda de duas obrigações Rentipar”.

Segundo é descrito na carta, dois cidadãos dirigiram-se a um balcão do Banif, em Agosto de 2015. Foi-lhes dito que só poderiam receber os juros que tinham a receber de uma conta se subscrevessem obrigações da Rentipar Investimentos. A sociedade tinha colocado 60 milhões de euros em obrigações em 2011, cada uma delas vendida por 50 mil euros. Os dois cidadãos compraram ao balcão do banco dois títulos, investindo 100 mil euros, e defendem que foram informados de que não havia risco nos títulos.

“Queremos que o Banco Santander Totta se responsabilize pelos actos do ex-Banif’. pedem na carta dirigida à comissão, por considerarem que houve irregularidades na comercialização das obrigações. A subscrição dos títulos foi feita em Agosto e. meses depois, a Rentipar, sociedade presidida por Teresa Roque, solicitou a entrada em insolvência. Em Janeiro, houve um encontro entre os obrigacionistas da Rentipar que decidiram nomear um representante comum para tentar recuperar parte do dinheiro investido. A Rentipar emitiu as obrigações em 2011 depois de perder os dividendos pagos pelo banco.

A comissão de inquérito ao Banif vai debruçar-se sobre os últimos anos de vida do Ban if até à venda ao Totta.

TOME NOTA

Comissão agenda trabalhos

Esta quarta-feira, os deputados da comissão parlamentar de inquérito vão voltar a reunir-se. Depois da polémica do primeiro encontro, com o renovado chumbo da esquerda à auditoria externa proposta pelo PSD, a nova reunião pretende calendarizar os trabalhos. Neste momento, sabe-se que os deputados não querem iniciar já as audições, pois decorre o período de discussão do Orçamento do Estado para 2016.

Ainda assim, a agenda para os trabalhos desta quarta-feira prevê que possam dar entrada de novos pedidos de audições e de documentação por parte dos partidos que ainda não o fizeram. Na semana passada, o PSD e o Bloco enviaram já a lista das audições requeridas, coincidindo nos pedidos feitos para convocar a antiga gestão do Banif e o actual e antiga ministros das Finanças.

Seguradora perdeu mais de 100 milhões em 2015

Sábado, Janeiro 30th, 2016

Citamos

Económico

Prejuízo de 2015 terá sido agravado pela crise do Banif e pela fusão da Rentipar Seguros.

A Açoreana terá fechado o exercício de 2015 com um prejuízo superior a cem milhões de euros, apurou o Diário Económico junto de fontes do mercado. As contas ainda não estão fechadas, mas as perspectivas são de fortes perdas com a resolução do Banif e com a fusão da Rentipar Seguros. Isto apesar do bom desempenho operacional da companhia liderada por José Gomes, que cresceu acima do mercado em vários segmentos.

Questionada pelo Diário Económico, fonte oficial da seguradora recusou fazer comentários sobre as contas de 2015, dado que as mesmas ainda não foram publicadas.

Até Dezembro do ano passado, Açoreana era detida em 48% pelo Banif, mas ao mesmo tempo era também accionista do banco fundado por Horário Roque. Com a resolução, decretada há cinco semanas, a seguradora terá sofrido prejuízos na ordem dos 45 milhões de euros.

Por outro lado, os resultados do ano passado terão sido afectados também pelo reconhecimento de prejuízos relacionados com o ‘goodwill’ de cerca de 85 milhões de euros da integração da Rentipar Seguros, que teve lugar em 2014.

Estes impactos negativos ajudam a explicar a necessidade de reforço dos rácios de capital da seguradora, já que os capitais próprios terão sido afectados.

Segundo noticiou recentemente o “Negócios”, as necessidades de capital rondarão os 50 milhões de euros. Mas os números finais só estarão definidos nos próximos dias, quando se fecharem as contas de 2015. O contrato de negociações exclusivas que foi assinado com a Apollo protege o lado vendedor – os accionistas SOIL (52%) e o Oitante (48%), do Fundo de Resolução – na medida em que mantém a validade da proposta americana até ao fecho das contas, ou seja, até ao dia 31 de Janeiro (próximo domingo). Até essa altura, serão conhecidas as necessidades de capital da seguradora e saber-se-á quanto vai a Apollo injectar para reforçar os rácios e quanto vão receber os accionistas.

Se o acordo com a Apollo não for concluído no prazo previsto, a negociação poderá continuar, passando para a segundo interessada, a seguradora portuguesa Caravela, liderada por Diamantino Marques.

Obrigacionistas da ex-dona do Banif abdicam para já de actuar judicialmente

Terça-feira, Janeiro 26th, 2016

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Negócios

A assembleia-geral que juntou os titulares de dívida da Rentipar acordou a tentativa para a recuperação dos 60 milhões de euros investidos. De fora ficou, por enquanto, uma actuação judicial colectiva para lá da insolvência.

Os obrigacionistas da Rentipar, antiga accionista do Banif liderada por Teresa Roque (na foto), não vão para tribunal para tentar recuperar o investimento feito nestes títulos. Pelo menos, para já. No futuro, a actuação judicial poderá ser uma realidade. No imediato, a única acção que vão seguir é a participação na insolvência da empresa.
“Nenhuma outra estratégia ou acção foi aprovada no sentido de recuperação dos créditos dos obrigacionistas”, é a indicação que consta da acta da assembleia de obrigacionistas da Rentipar, que teve lugar na sexta-feira passada, 22 de Janeiro, que foi liderada pelo seu representante comum, o advogado José Horta Osório.

Em 2011, quando a Rentipar deixou de receber dividendos do Banif, foram emitidas 1.200 obrigações – que deveriam ter sido pagas em 2013, altura em que a maturidade foi estendida depois até 2016 –, avaliadas em 60 milhões de euros (50 mil euros por cada uma). Segundo foi noticiado pelo Económico, houve títulos deste género vendidos aos balcões do Banif. De acordo com a lógica utilizada pelo Banco de Portugal para a transferência de dívida sénior do Novo Banco, só as emissões acima de 100 mil euros por título são destinadas a investidores qualificados. Ou seja, apesar de poderem haver particulares com estas obrigações da Rentipar nas mãos, os investidores não quiseram avançar com qualquer acção judicial para reclamação do crédito, segundo ficou decidido na assembleia.

Nesse encontro, onde estiveram presentes representantes de 74,91% dos 60 milhões de euros em obrigações emitidas em 2011, foi deliberado, “por unanimidade”, reclamar os créditos no processo de insolvência da Rentipar “e executar o penhor civil sobre 11.000 acções da Rentipar Financeira”, segundo a acta a que o Negócios teve acesso. Também foi autorizada a criação de um fundo comum, para o qual cada obrigação deverá contribuir com 75 euros, para pagar os honorários do escritório de advogados que será escolhido.

A Rentipar Financeira era a “holding” através da qual a Rentipar detinha a participação no Banif. O grupo viu-se sem o seu principal activo, a actividade do Banif, que foi vendida ao Santander (a “última machadada”, como classificou a empresa), e ficou como accionista do Banif, que é agora um veículo esvaziado de bens. Foi para insolvência, num processo que foi precipitado por uma reclamação por parte do Novo Banco. Ao contrário dos obrigacionistas, a sociedade detida por Teresa Roque, filha do herdeiro do Banif Horácio Roque, pondera actuar contra o Banco de Portugal devido à intervenção no banco.

Editais insolvência Rentipar Banif

Terça-feira, Janeiro 19th, 2016

Edital Insolvencia Rentipar Banif 1

Edital Insolvencia Rentipar Banif 2

 

Credores do maior accionista do Banif têm até 20 de Fevereiro para reclamar créditos

Terça-feira, Janeiro 19th, 2016

Citamos

Público

Pedido de insolvência da Rentipar Investimentos, detida pelas herdeiras da Horácio Roque, foi aceite pelos tribunais

O pedido de insolvência da Rentipar Investimentos, holding através da qual as descendentes de Horácio Roque detinham a sua participação no Banif, foi aceite pelos tribunais. A sentença de declaração de insolvência foi proferida no dia 12 deste mês, tendo o aviso sido publicado na sexta-feira, dia 15. De acordo com os prazos legais, os credores do segundo maior accionista privado do Banif (e accionista maioritário até à entrada do Estado, no final de Dezembro de 2012) têm, no máximo, até dia 20 de Fevereiro para reclamarem os seus créditos.

Para já, e de acordo com o documento de insolvência, os principais credores são três instituições bancárias: o BCP, o Banif, e o Novo Banco. No segundo caso, e após a medida de resolução aplicada pelo Banco de Portugal em Dezembro, e que desencadeou a insolvência da Rentipar, torna-se difícil perceber com exactidão quem é o credor, já que o Banif foi dividido em três partes. Isto porque o Santander Totta ficou com os bons activos (por 150 milhões), outros activos foram para um veículo criado na esfera do Fundo de Resolução, o Naviget, e, por fim, ficou uma espécie de “activo esvaziado”, o Banif, que será liquidado.

A Rentipar Investimentos era a holding através da qual as duas filhas de Horácio Roque, Teresa Roque e Cristina Roque, detinham a maioria do capital da Rentipar Financeira. Esta, por sua vez, era dona da Renticapital (ligada a investimentos financeiros) e de uma fatia do Banif. Em Junho deste ano, com o Estado ainda a deter a maioria do capital, a Rentipar detinha apenas uma pequena parte do capital social do banco de forma directa (0,266%). A maior fatia do Banif, de 6%, era detida através da Açoreana (onde a Soil, com sede na Zona Franca da Madeira e presidida por Teresa Roque, detinha 52,3%, acompanhados de outros 47,7% do Banif ).

Nas contas de 2014, a Rentipar Financeira já dava nota das dificuldades que estava a sentir, nomeadamente ao nível da tesouraria, bem como o seu principal accionista, a Rentipar Investimentos. Logo em 2011, a Rentipar Financeira teve de realizar um aumento de capital pela sua relação com o Banif, o que requereu um esforço acrescido num contexto de dificuldade de acesso ao crédito. Depois, já com o Estado como accionista maioritário, fez novas aplicações de capital no Banif, tendo a Açoreana entrado com 75 milhões de euros em Junho de 2013. Agora, os investimentos feitos no banco nascido no Funchal estão reduzidos a zero.

Em 2013, a Rentipar Financeira registou uma imparidade de 352 milhões pela exposição ao Banif, cujas acções estavam desvalorizadas. Em 2014, o valor das imparidade com o Banif desceu para 0,5 milhões, mas houve outros “35,5 milhões de euros relativos a imparidades registadas na totalidade dos saldos com a Rentipar Investimentos”. Nesse ano, os prejuízos da Rentipar Financeira foram de 33,3 milhões, afectando os capitais próprios. Entretanto, a Rentipar Investimentos, que já tinha dificuldade em cumprir com os pagamentos aos investidores que compraram dívida da empresa, está agora sem condições para pagar as obrigações emitidas.

Em 2015 houve 7300 empresas insolventes

Por cada uma, abriram 5,1 novas sociedades

O número de empresas em situação de insolvência totalizou 7288 sociedades, mais 515 empresas do que no ano anterior, de acordo com a compilação feita pela empresa de gestão de risco Ignios, com base nas constituições de empresas e acções de insolvência contabilizadas pelo Ministério da Justiça.

As insolvências aumentaram 7,6% em relação a 2014, mas os resultados desse ano “foram enviesados pela quebra processual do Citius em Setembro” e, retirando esse feito, “este indicador ter-seia mantido estável entre 2014 e 2015”, com uma descida de apenas 0,4%. Na primeira metade de 2015, refere a Ignios, “as insolvências apresentaram uma tendência decrescente face ao ano anterior”, mas desde aí “têm vindo a crescer”, tendo estabilizado na recta final do ano.

A construção continua a ser o sector de actividade mais afectado (com 17,5% do total). A seguir está o comércio de retalho (com um peso de 15,8%) e o comércio por grosso (com 11,6%). Lisboa é o distrito com mais insolvências (22,9%), seguindo-se o Porto (20,4%) e Braga (12,4%). Ao mesmo tempo, foram constituídas 37.419 empresas no país, o que corresponde a uma média de 102 novas empresas criadas por dia. O aumento em relação a 2014 é de 6,1%.

Filhas de Roque admitem processar o Estado

Quarta-feira, Janeiro 13th, 2016

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Diário de Notícias

Teresa Roque, filha mais velha do banqueiro, reclama perdas de 555 milhões. Holding assume que obrigacionistas não vão recuperar dinheiro

A família de Horácio Roque admite contestar judicialmente a medida de resolução aplicada ao Banif no dia 20 de dezembro. A Rentipar, que passou como herança indivisa para a família do banqueiro fundador do Banco Internacional do Funchal, avança que “a propositura de uma ação contra o Estado Português está no campo das possibilidades”. Em declarações ao DN/Dinheiro Vivo, fonte oficial da empresa liderada por Teresa Roque, filha do banqueiro, diz que “irá solicitar ao Banco de Portugal o acesso a toda a documentação relacionada com a medida de resolução, a qual será cuidadosamente estudada”. E sublinha que um processo judicial será “analisado com extremo rigor, atenta a sua dimensão e relevância”.

Acionista histórica do Banif, a Rentipar assume-se como “a maior lesada do Banif, juntamente com os contribuintes”. Para já, a filha de Horácio Roque estima em 555 milhões a perda só com os investimentos globais realizados no Banif. “Enquanto foi acionista dominante do Banif, até ao final de 2012, a Rentipar foi obrigada a garantir os rácios de capital impostos por lei e exigidos pelo Banco de Portugal, o que implicou um investimento global de 480 milhões euros.” No final de 2012, com a entrada do Estado no Banif – injeção de 700 milhões de euros no capital social e de mais 400 milhões em obrigações convertíveis em ações -, as posições dos acionistas privados foram diluídas. “Como condição prévia à recapitalização do Banif, a Rentipar foi ainda obrigada a investir mais 75 milhões, com a agravante de ser reduzida à posição de acionista minoritária”, explica a empresa de Teresa Roque. De acordo com a informação disponível, à data da resolução, o Estado era acionista maioritário com mais de 60% do capital do Banif, seguido dos herdeiros de Horácio Roque que detinham menos de 7%. O grupo Auto-Industrial era o terceiro maior acionista com 1,8%, enquanto o restante capital estava na mão de pequenos investidores.

Tal como o Jornal de Negócios já tinha avançado, a “insolvência do ramo financeiro da Rentipar – a Investimentos – acaba por ser inevitável”, refere a mesma fonte. O Banif sempre foi o principal ativo da holding. “Quando o Banif caiu acentuadamente em Bolsa, a Rentipar deixou de se conseguir refinanciar ou de reestruturar a sua dívida. Agora, a resolução do Banif foi a machadada final.” A interrupção do processo de recapitalização do Banif, provocada pela resolução, “colocam a Rentipar e os seus credores na mesma fila: a dos lesados”.

Obrigacionistas perdem

Há clientes do Banif que investiram em obrigações emitidas pela Rentipar Investimentos em 2011, que não transitaram para o Santander Totta. Fonte oficial explica que “ninguém vislumbrava” que a resolução seria o destino do Banif. “Em 2011, houve o cuidado de garantir os obrigacionistas através de um penhor sobre ações da sociedade que, à época, controlava o Banif. Em 2013, quando o empréstimo obrigacionista foi prorrogado, a recapitalização do Banif tinha acabado de arrancar. E, na altura, todos os envolvidos, em especial, a troika, o Banco de Portugal e as Finanças acreditavam no sucesso da recapitalização.”

Hoje, com a medida de resolução do Banif, “a sorte dos obrigacionistas é similar à da Rentipar”, diz a empresa de Teresa Roque, assumindo que os investidores não irão ser reembolsados e irão perder todo o dinheiro. “Como o Banif em liquidação ficou com os piores ativos, tornou-se impossível assegurar a recuperação do investimento.”

O valor da emissão ascendeu a 60 milhões de euros. Depois de estender a data de vencimento dos títulos, a maturidade é agora dezembro de 2016. Sem quantificar o número de obrigacionistas lesados, a Rentipar sublinha que “o Banif prestou assessoria financeira à emissão obrigacionista e foi a entidade colocadora” dos títulos.

“Precipitada e infundada.” É desta forma que a família Roque entende a resolução do Banif, considerando ainda que traz “avultados encargos para o erário público, ou seja, para todos nós, mas também para os acionistas”. Para a empresa, que diz só ter tido conhecido da resolução através da comunicação social, deveria ter-se prosseguido a venda da participação do Estado no Banif. “Seria uma via menos destruidora de valor”, defende, acrescentando que “a Rentipar não foi ouvida no processo” e tomou conhecimento da resolução “ao mesmo tempo que o público em geral”.

Antiga dona do Banif derrubada pelo Novo Banco

Terça-feira, Janeiro 12th, 2016

Citamos

Notícias ao Minuto

Empresa que controlava o banco madeirense foi obrigada a acelerar o processo de falência devido à falta de acordo com a instituição liderada por Stock da Cunha.

A dívida da Rentipar Investimentos ao Novo Banco foi decisiva para a queda da ex-dona do Banif. A garantia é dada pela edição de hoje do Jornal de Negócios, que revela a recusa do banco de transição do antigo BES em renegociar os valores devidos pela holding de Teresa Roque.

Em outubro do ano passado, a Rentipar tentou convencer o Novo Banco a aceitar a renegociação de 54,5 milhões de euros de incumprimentos, uma parte em papel comercial do BES e outra em créditos. A resposta da instituição liderada por Eduardo Stock da Cunha foi um claro ‘não’, que tornou “inegável a incapacidade” da Rentipar “em cumprir as suas obrigações contratuais”.

O Novo Banco garante que a dívida da ex-dona do Banif “não tem garantias especiais associadas” e avisa que não hesitará em recorrer à Justiça: “Não sendo possível, a curto prazo, encontrar uma solução, entregaremos o caso aos nossos advogados”.

Para além do ‘banco bom’ do antigo BES, a empresa de Teresa Roque deve 13,4 milhões de euros ao BCP, 8,9 milhões ao Banif e 60 milhões aos compradores das obrigações do grupo emitidas em 2011.

O grupo automóvel que chocou de frente com o Banif

Segunda-feira, Janeiro 11th, 2016

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Público

A Auto-Industrial era o segundo maior accionista privado do Banif, mas o negócio que parecia promissor em 2009 tornou-se um pesadelo para a empresa de comércio automóvel criada em Coimbra em 1920.

Centrada na venda de automóveis, e referenciada como a maior empresa do distrito de Coimbra (cidade onde nasceu) em volume de negócios, a Auto-Industrial começou desde logo a sentir os efeitos da crise financeira que se iniciou em 2008 nos Estados Unidos, e que conduziu a uma retracção na compra de bens de consumo.

A 10 de Julho de 2009, numa das raras aparições públicas, o presidente da empresa, Mário Leite Santos, surgiu ao final do dia ao lado de Horácio Roque para anunciar a incorporação do Banco Mais, detido pela Auto-Industrial, no Banif.

O “namoro” com a instituição financeira especializada no crédito automóvel tinha começado em 2006, e a sua concretização, garantiu Mário Leite Santos, nada tinha a ver com a má conjuntura que o sector já estava a atravessar.

O Banco Mais, disse então o empresário de 61 anos, licenciado em Direito na Universidade de Coimbra e um dos maiores accionista da Auto-Industrial, estava demasiado focado na área automóvel e era mais “vantajoso” ter uma participação, mesmo que menor, numa instituição financeira de maior dimensão. Nesse momento, a empresa deu os primeiros passos em direcção ao que se transformaria numa tempestade perfeita.

Anos negros
O Banco Mais nasceu como uma sociedade financeira de apoio ao crédito, denominada de Tecnicrédito. Em 2000, já depois de a Auto-Industrial garantir os cerca de 50% do capital que estavam nas mãos do BCP/BPA, o Banco de Portugal concedeu-lhe uma licença bancária. Nove anos depois, quando se diluiu no Banif, o Banco Mais tinha também operações em Espanha, Polónia, Hungria, Eslováquia e Brasil (neste caso através de uma parceira com a Société Générale).

A união com o banco liderado por Horácio Roque foi desde logo vista como um movimento de consolidação positivo, a começar pelo então presidente do Banco de Portugal, Vítor Constâncio. A instituição financeira mudou o nome de Banco Mais para Banif Mais, na esfera do Banif SGPS, mas os sinais de que as coisas não corriam de feição começaram a acentuar-se passado pouco tempo.  Em Maio de 2010, morreu Horácio Roque, e o banco fechou o exercício com um lucro de 33 milhões de euros, uma queda de 38% face ao ano anterior.

Mesmo assim, a empresa, uma das maiores do sector do comércio automóvel em Portugal, mostrava-se convicta que os seus negócios acabariam por se “estender a outros domínios”. As vendas de veículos tinham recuperado face a 2009, com o volume de negócios a subir 28% para 340 milhões, e o resultado líquido a crescer 135% para oito milhões de euros.

No entanto, o principal negócio do grupo ia entrar em derrapagem. Em 2011, o ano em que a troika de credores (Comissão Europeia, BCE e FMI) entraram em Portugal, o volume de negócios caiu 27%, para 249,3 milhões (abaixo do mau resultado de 2009), e registou um prejuízo de 17,6 milhões. Quanto ao Banif, fechou o ano com um resultado líquido negativo de 162 milhões de euros. Os anos seguintes iam ser ainda piores. Em 2012, com Portugal a sofrer uma profunda recessão na economia, o grau de autonomia financeira da Auto-Industrial degrada-se, o volume de vendas do grupo desce para 186 milhões de euros, abaixo da fasquia dos 200 milhões, e o resultado líquido é negativo em 56 milhões de euros. No último dia do ano, o Estado anuncia a intervenção no Banif, através da entrada de 700 milhões de euros directamente no capital social e da aplicação de mais 400 milhões em obrigações convertíveis em acções (os denominados CoCo).

Depois desse movimento, os accionistas privados, como a Rentipar (empresa deixada por Horácio Roque, e que passa como herança indivisa para a família, acabando por ser encabeçada por Teresa Roque) e a Auto-Industrial, sem capacidade para responder às necessidades de capital sentidas pelo banco, assistem à diluição das suas posições.

 

Rentipar colocou obrigações após perder dividendo do Banif

Segunda-feira, Janeiro 11th, 2016

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Negócios

A Rentipar caminha para a insolvência. A empresa liderada por Teresa Roque tem uma dívida acima de 50 milhões ao Novo Banco que não pagou. Não há “garantias especiais associadas” a esses créditos concedidos. BCP e Banif são outros credores.

DIOGO CAVALEIRO

O Novo Banco acelerou a insolvência da Rentipar Investimentos, a empresa presidida pela filha de Horácio Roque que exercia, antes da entrada do Estado em 2012, o controlo sobre o Banif.

No documento em que solicita a entrada em insolvência, a que o Negócios teve acesso, a Rentipar explica que o facto de não ter conseguido negociar a dívida que tinha perante a instituição sob o comando de Eduardo Stock da Cunha tornou “inegável a incapacidade da requerente em cumprir as suas obrigações contratuais”.

Em Outubro de 2015, a sociedade liderada por Horácio Roque quis renegociar o passivo que havia entrado em incumprimento meses antes umaparte era em papel comercial, subscrito em 2009 junto do BES, a outra em crédito concedido. Não conseguiu. Ficou com uma divida de 54,5 milhões de euros por reembolsar. E sob ameaças judiciais. “Não podendo este banco manter, por tempo indeterminado, as responsabilidades em causa nesta situação de incumprimento, vimos conceder o prazo de 10 dias para que nos apresentem uma proposta concreta de regularização, por forma a estudarmos em conjunto uma plataforma de solução. Não sendo possível, a curto prazo, encontrar uma solução, entregaremos o caso aos nossos advogados, a fim de sermos reembolsados pela via judicial”, indica a carta do departamento de recuperação de crédito do Novo Banco, citada nos documentos que deram entrada no Tribunal da Comarca de Lisboa.

“Não tem garantias especiais associadas”, é outra informação que consta relativamente tanto ao crédito, como ao papel comercial subscrito pelo Novo Banco.

A instituição herdeira do Banco Espírito Santo é apenas um dos quatro principais credores da Rentipar. Conta-se, nos documentos da Abreu & Marques e Associados, as dívidas de 13,4 milhões de euros perante o BCP e de 8,9 milhões junto do Banif. A maior porção é uma dívida sobre quem adquiriu as obrigações emitidas em 2011, de 60 milhões de euros. Foi a 2 de Novembro que a administração liderada por Teresa Roque percebeu que não tinha “perspectivas de continuidade da sua actividade”. O principal activo da Rentipar Investimentos é a participação na Rentipar Financeira, que era a accionista histórica do Banif. Só que, entre outros, a queda da cotação das acções desde a ajuda estatal de 2012 desequilibrou a situação patrimonial da companhia, já que deixou de dispor de activos para apresentar como colaterais em financiamentos.

Assim, seguiu-se a tentativa de venda de activos, como a participação no Banif. “Foram encetadas várias diligências tendentes à alienação do principal activo da sociedade, com especial enfoque no mercado chinês”, assinala a acta da reunião de 2 de Novembro. Tentativas “infrutíferas”, diz-se no documento. “Consideramos que não é possível assegurar a esta data que a empresa consiga cumprir com as suas responsabilidades de curto prazo e cumprir com o princípio de continuidade das operações”, aponta a certificação de contas de 2014, realizada pela PwC em Setembro de 2015, que se escusou a dar a sua opinião devido à desequilibrada situação da companhia. No final de 2014, com o prejuízo de 49,4 milhões de euros registado, a Rentipar Investimentos passou a apresentar capitais próprios (que, de forma simples, resultam da diferença entre activos e passivos) de 11,9 milhões de euros, “inferior a metade do capital social”, o que, segundo a lei, obriga ou à dissolução ou ao reforço de capital. Até agora, esse reforço não foi possibilitado e a intervenção no Banif agravou ainda mais a situação, dando a “última machadada”, como já havia dito fonte da sociedade ao Negócios.

Venda ao Totta por explicar

Vários partidos consideram que a venda da actividade bancária do Banif ao Santander Totta está por explicar. À direita, o PSD quer esclarecer notícias recentes. À esquerda, o PCP pretende conhecer o papel do Banco Central Europeu na queda do Banco. As forças parlamentares querem respostas imediatas e não esperam pela comissão de inquérito ao Banif, cuja discussão está marcada para 22 de Janeiro. “Confirma que houve ofertas privadas para a compra do Banif que implicariam menos esforço financeiro público do que a venda ao Santander?” é uma pergunta lançada ao ministro pelos comunistas Miguel Tiago e Paulo Sá, depois de o Público ter avançado que a Apollo tinha uma proposta de compra do Banif que implicava um menor esforço financeiro estatal do que a que vingou, do Totta. O crédito fiscal que pode superar os 200 milhões que passou do Banif para o banco de capitais espanhóis é outra preocupação. O PCP, através de João Ferreira, levou também o caso ao Parlamento Europeu para que se questione a Comissão Europeia sobre a sua intervenção na resolução do Banif. Já o PSD quer que Mário Centeno preste declarações, com “urgência”, na comissão parlamentar de Orçamento porque, disse o deputado António Leitão Amaro, as recentes notícias são ” muito preocupantes para os contribuintes”.

NÚMEROS

Os credores da Rentipar Investimentos

A empresa presidida por Teresa Roque tem quatro grandes credores, segundo os papéis da insolvência que deram entrada na Comarca de Lisboa.

60 MILHÕES DE EUROS

Valor da emissão, de 2011, de obrigações da Rentipar Investimentos, cuja maturidade é em Dezembro de 2016.

50 MILHÕES DE EUROS

Papel comercial do Novo Banco em que a Rentipar está em incumprimento. Junta-se mais de 1 milhão em crédito.

13,45 MILHÕES DE EUROS

Dívida da Rentipar Investimentos perante o BCP, em que as acções do Banif foram dadas como garantias.

8,9 MILHÕES DE EUROS

Um financiamento intra-grupo do Banif à Rentipar, cujas garantias prendem-se a participações em outras empresas. Rentipar colocou obrigações após perder dividendo

O Banif deixou de pagar dividendos e, no ano seguinte, a empresa-mãe avançou para uma colocação de obrigações que envolveu clientes do banco. A devolução está em risco.

A Rentipar deixou de receber dividendos do seu principal activo, o Banif, em 2010. Nessa altura, começaram também a agravar-se os problemas naquela instituição financeira, acompanhando todo o sistema financeiro. Mas a empresa da filha de Horácio Roque precisava de se financiar. A opção foi uma emissão de obrigações. Sem dinheiro do banco, a Rentipar acabou por conseguir financiar-se, em parte, com dinheiro dos clientes da instituição financeira.

Em 2011, foram colocados 60 milhões de euros em obrigações. Algumas, não se sabe quantas, foram vendidas aos balcões do banco sediado no Funchal, como adiantou o Económico. A emissão podia ser subscrita por particulares, já que o valor mínimo de subscrição era 50 mil euros por papel. A data original para o vencimento dos títulos era 2013 mas não houve condições para que tal acontecesse na data – a Rentipar teve de assumir um compromisso com o Estado, no âmbito da ajuda estatal de 2012, que implicava um investimento de 75 milhões de euros no Banif. Assim, a maturidade foi estendida até 2016, altura em que o grosso da ajuda estatal do banco já estaria devolvido, e poderia haver já uma situação mais equilibrada na accionista. Não aconteceu. O Banif nunca conseguiu recuperar-se efectivamente e, no final de 2015, acabou por ser intervencionado, com a actividade bancária a ser vendida ao Santander Totta.

Os títulos da Rentipar arriscam a não devolução. Havia uma possibilidade de reembolso antecipado do capital investido nestas obrigações a 30 de Dezembro de 2015, mas a SIC avançou que a empresa não permitiu tal adiantamento. Da mesma forma, também a estação de televisão adiantou que há juros em atraso.

Tal como o Negócios já deu conta, o representante comum dos obrigacionistas agendou já uma reunião para 22 de Janeiro, de forma a obter autorização para reclamar os créditos “na eventualidade de vir a ser declarada a insolvência da Rentipar Investimentos”. Antecipam-se ainda outro tipo de acções que visem a recuperação.

Ex-dona do Banif a caminho da insolvência após “última machadada”

Sexta-feira, Janeiro 8th, 2016

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Negócios

A Rentipar sociedade de herdeiros deHorácio Roque poderá estar a caminho da insolvência O motivo é a resolução do Banif o seu principal activo Os detentores de obrigações da sociedade alguns que adquiriram os títulos aos balcões do banco vão reunir se para se precaverem A 21 de Dezembro um dia depois da intervenção ao Banif o representante comum de obrigacionistas da Rentipar geral para agendou 22 de uma Janeiro assembleia em que pretende autorização para reclamar os créditos na eventualidade de vir a ser declarada a insolvênciadaRen tipar Investimentos

Em resposta ao Negócios a Rentipar esclarece que a convocatória partiu do representante comum e não da empresa Será crível no entanto que a divulgação pública deste facto resolução no dia 21 de Dezembro tenha tornado ainda mais premente a reunião dos obrigacionistas pois apesar da escassa informação então divulgada cedo se percebeuque seria uma última machadada no principal activo da emitente a sua participação no Banif

A Rentipar Investimentos per tence ao grupo de herdeiros do fun dador do Banifcomo Teresa Roque sendo que a sociedade Rentipar Financeira tinha0 2,65% do banco Já a Herança Indivisa de Horácio Roque contava com 6,3%. Este conjunto de accionistas tinha a maioria do capital da instituição com sede no Funchal até à colocação de 11 mil milhões de euros estatais no final de 2012

A convocatória pretende ainda que seja discutida e aprovada quaisquer outras estratégias ou acções a implementar no sentido da recuperação dos créditos Foram emitidas obrigações no valor de 60 milhões de euros sendo que o Económico já deu conta que vários títulos foram subscritos aos balcões doBanif.

A SIC avançou que osjuros de Dezembro passado jánão foram pagos