Archive for the ‘TVI’ Category

PSD, PS e Bloco querem saber quem foi a fonte da TVI

Quarta-feira, Maio 18th, 2016

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Diário de Notícias

Notícia que provocou fuga de 900 milhões de euros em depósitos vai ser esmiuçada no Parlamento. Sérgio Figueiredo estará sob fogo

É uma espécie de consenso que vai marcar a audição de hoje do diretor de informação da TVI na comissão parlamentar de inquérito (CPI) à gestão e resolução do Banif: PSD, PS e BE querem que Sérgio Figueiredo revele a(s) fonte(s) da notícia de que o Banif estaria prestes a ser intervencionado e de que estava inclusivamente “tudo preparado” para que o banco fechasse.

A 13 de dezembro do ano passado, a TVI 24 passava em rodapé, como notícia de última hora, essa informação e adiantava mesmo que poderia haver perdas significativas para os depositantes, o que provocou uma fuga maciça de depósitos e fez cair por terra uma já débil situação de liquidez do banco fundado por Horácio Roque.

Tendo em conta o impacto dessa informação nos derradeiros dias (antes da resolução e da venda ao Santander Totta) do Banif, os deputados querem saber de onde surgiu a informação e que tratamento jornalístico lhe foi dado. O coordenador do PSD na CPI, Carlos Abreu Amorim, já tinha dado o tiro de partida. “Ainda tenho a esperança de que o Dr. Sérgio Figueiredo nos dê pistas sobre quem lhe deu a informação e por que motivo lha deu. Isso é muito importante para encontrar a verdade neste caso”, afirmava na edição de 28 de abril da revista Sábado. Outro interlocutor social-democrata nota que esse é um ponto incontornável. “Há um interesse generalizado em perceber quem é a fonte”, explica ao DN.

À revista Sábado, Abreu Amorim subia o tom e avisava que o cenário em que Sérgio Figueiredo colabore com a investigação parlamentar será o “mais saudável”. E sinalizava que o silêncio não deverá passar impune: “O regime jurídico aplicado é muito claro a respeito deste tipo de situações. Se um tribunal de segunda instância [Tribunal da Relação] considerar que a revelação da fonte de informação da notícia em causa é fundamental para esclarecer a verdade dos factos, a pessoa em causa terá de o fazer.”

Por sua vez, uma fonte do PS adianta que o partido considera que essa é uma questão relevante, que não deverá ficar sem resposta. Mas há mais: os socialistas pretendem apurar se nesse domingo à noite houve alguma conversa entre alguém da TVI e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.

A bancada rosa tenciona apurar ainda se as regras deontológicas do jornalismo foram cumpridas, em particular se aquela informação foi confirmada junto de várias fontes.

E o BE alinha com sociais-democratas e socialistas. “Não quero perceber só quem foi a fonte da TVI; quero perceber também o processo de formação da notícia, ou seja, de onde veio, como foi confirmada e o porquê da escolha de a dar daquela forma e não de outra”, sublinha a deputada Mariana Mortágua, ao DN.

Já o CDS deverá ser mais cauteloso. O DN sabe que os centristas serão insistentes no apuramento dos contornos em que a informação veio a público, embora considerem a revelação da fonte um aspeto de menor importância. Até porque estão cientes de que os jornalistas estão obrigados a proteger as fontes confidenciais – a exceção prevista no código deontológico reside nas tentativas de utilização dos profissionais de comunicação social para veicular informações comprovadamente falsas.

Da parte do PCP não foi possível apurar qual será o principal foco das perguntas que serão feitas nesta tarde ao diretor de informação da TVI e da TVI 24.

Ora, a motivar a presença de Sérgio Figueiredo na Sala 1 da Assembleia da República (a partir das 17.30), onde têm decorrido os trabalhos da CPI, está a notícia de 13 de dezembro, por volta das 22.00, alterada momentos depois com mais pormenores – aí já não se referia o encerramento do Banif. A TVI pediu desculpa pelo episódio, mas o Banif anunciou que estava a preparar uma ação contra a estação de Queluz de Baixo.

No entanto, foram precisos cinco meses para o processo avançar. O resto é história. Nos dias seguintes à informação, houve uma fuga de depósitos de quase 900 milhões de euros, o que terá contribuído para a resolução ao banco (e subsequente venda por 150 milhões de euros ao Santander) comunicada pelo Banco de Portugal a 20 de dezembro. “Uma doação”, notaram na altura os mais críticos.

A tese é, de resto, veiculada por vários protagonistas do colapso do Banif. Jorge Tomé, ex-presidente daquela instituição, por exemplo, não deixou margem para dúvidas quando passou pela comissão ao vincar que esse relato “deixou o banco numa posição muito delicada”, obrigando-o “a recorrer à famosa ELA”, a linha de liquidez de emergência disponibilizada pelo Banco de Portugal. E foram mais de mil milhões de euros de apoio.

A resolução, essa, implicou uma injeção de 2255 milhões de euros de dinheiro público e a aprovação em tempo recorde do Orçamento Retificativo para 2015.

Carta do BdP para as Finanças foi a “peça mais importante” para notícia da TVI

Quarta-feira, Maio 18th, 2016

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Expresso

Miguel Tiago, deputado do PCP, confrontou diretor do canal com o facto de a carta de 12 de dezembro só chegar ao Ministério das Finanças a 15 de dezembro

iretor de informação da TVI revelou esta quarta-feira que uma carta enviada pelo Banco de Portugal (BdP) para o Ministério das Finanças foi a “peça mais importante” para a elaboração e publicação da notícia sobre a resolução do Banif.

“A carta do Banco de Portugal para o Ministério das Finanças foi uma fonte documental, porventura a mais recente” antes da publicação da notícia da TVI sobre a resolução do Banif, uma semana antes de a mesma ser anunciada pelas autoridades, afirmou Sérgio Figueiredo durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito ao banco.

“Esta foi a peça mais importante para a elaboração da notícia, por ser a mais recente. Não foi a principal, mas foi importante”, realçou.

Em causa está uma carta datada de 12 de dezembro de 2015, assinada pelo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, pelo vice-governador José Ramalho e pelo administrador António Varela, e endereçada ao ministro das Finanças, Mário Centeno.

O diretor de informação respondia às questões lançadas por Miguel Tiago, deputado do PCP, que o confrontou com o facto de a carta de 12 de dezembro só chegar ao Ministério das Finanças a 15 de dezembro.

O deputado comunista considerou estranho que a TVI tenha tido acesso à carta que impulsionou a notícia de 13 de dezembro sobre a resolução do Banif antes de a mesma chegar ao destinatário (Mário Centeno), mas esta questão ficou sem explicação.

A missiva – a que a Lusa teve acesso – está redigida em inglês e contém 12 pontos, sendo o ponto 11 o mais ‘quente’.

“Caso o processo de venda voluntária do Banif falhe, é entendimento da Comissão [Europeia] que o Banif deixa de ser viável e que a ajuda do Estado que recebeu em 2013 é considerada ilegal”, lê-se no documento.

E o Banco de Portugal informa as Finanças que, caso este cenário se concretize, “não há alternativa à aplicação de uma medida de resolução de forma a salvaguardar a estabilidade financeira e a minimizar os custos para os depositantes”.

Mais do que um deputado disse que a TVI devia ter levado em conta a primeira parte, relativa à venda voluntária, e não fixar-se na segunda (resolução) como se fosse a única hipótese em cima da mesa para a elaboração da sua notícia.

Paralelamente, nem perante a insistência dos deputados para que Sérgio Figueiredo revelasse o nome dos jornalistas envolvidos na notícia libertada em nota de rodapé pela TVI na noite de 13 de dezembro, o responsável cedeu.

Segundo o responsável pela informação da TVI, a revelação dos nomes das pessoas envolvidas no trabalho jornalístico poderia por em causa a proteção das fontes das mesmas.

A TVI noticiou em 13 de dezembro de 2015 (um domingo à noite) que o Banif ia ser alvo de uma medida de resolução. A notícia terá precipitado a corrida aos depósitos, cuja fuga foi próxima de mil milhões de euros na semana seguinte, segundo revelaram no parlamento vários responsáveis.

Em 20 de dezembro de 2015, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos – incluindo ‘tóxicos’ – para a nova sociedade veículo.

Notícia Banif. Diretor da TVI assume um erro de interpretação, mas diz que o essencial era verdade – como aconteceu

Quarta-feira, Maio 18th, 2016

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Observador Comissão de Inquérito Sérgio Figueiredo TVI em directo

Diretor da TVI admite correlação entre notícia e fuga de depósitos e um erro de interpretação sobre perdas para depositantes. Mas diz que o essencial era verdade. O “Jornalismo cumpriu a sua função”.

Miguel Alçada: “Face às nefastas consequências da notícia da TVI, havia que agir judicialmente”

Sexta-feira, Maio 13th, 2016

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Económico

O presidente do Banif, banco “mau”, diz que vai avançar com a acção judicial contra a TVI o mais depressa possível.

O presidente do Banif confirmou, em declarações ao Económico, que vai avançar o mais depressa possível com a acção contra a TVI. O Económico avançou com a notícia que o banco liderado por Miguel Alçada contratou o jurista José Lobo Moutinho para preparar a acção judicial crime contra a TVI.

“A interposição desta acção judicial crime contra a TVI é crucial para a defesa dos interesses de todos aqueles que sofreram danos materiais com a Resolução”, refere o presidente do Banif, agora banco mau.

Face às consequências nefastas que a notícia da TVI teve no futuro do Banif, o que parece ser unânime nas pessoas ouvidas na Comissão de Inquérito ao Banif, pareceu ao Conselho de Administração, em nome da verdade e da defesa de todos os lesados do Banif que havia que agir judicialmente”.

O Conselho de Administração do Banif, sempre reiterou (desde que a notícia saiu) que “tudo faria para fazer valer na justiça os danos irreparáveis causados ao Banif, pela forma irresponsável e deontologicamente reprovável como, sem qualquer preocupação pelo apuramento da verdade, publicaram afirmações erradas com graves consequências para a actividade do banco”.

Em causa está uma notícia da TVI, no dia 13 de Dezembro à noite, que anunciava que estava “tudo preparado para o fecho do banco” e que “os depositantes vão perder dinheiro acima dos 100 mil euros”. Depois esta notícia foi sendo alterada, entre as 22:18 e as 22:48,no sentido de diluição de alarmismo.

O Económico contactou Sérgio Figueiredo, director de informação da TVI, que não quis fazer comentários. O director da TVI não deverá falar antes de ser ouvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banif.

Bruxelas desvaloriza impacto da notícia da TVI na venda do Banif

Quarta-feira, Fevereiro 24th, 2016

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Económico

A comissária europeia para a Concorrência foi hoje questionada sobre a notícia da estação, em Dezembro de 2015, sobre o Banif.

A comissária europeia para a Concorrência, Margrethe Vestager, disse hoje não ter conhecimento sobre qualquer “relação problemática” entre a TVI e o banco Santander, questionada a propósito de uma notícia da estação, em dezembro de 2015, sobre o Banif.

Respondendo a uma questão da eurodeputada Elisa Ferreira (PS) na Comissão dos Assuntos Económicos e Financeiros do Parlamento Europeu (PE) sobre a informação da TVI, a 13 de dezembro de 2015, de que o Banif poderia ser intervencionado nessa semana, a comissária disse não ter “conhecimento porque é que um canal de TV tenha feito passar estas notícias nem de qualquer relação problemática”, nomeadamente com o Santander Totta, que adquiriu entretanto alguns activos da instituição.

Na noite de 13 de dezembro de 2015, a TVI24 passou em nota de rodapé um “última hora”, onde afirmava: “Banif poderá ser intervencionado esta semana“ e, numa outra notícia enviada para telemóveis, a estação dizia “Banif: está tudo preparado para o fecho do banco”.

Uma semana depois, também a um domingo, o Banco de Portugal e Governo anunciaram a resolução do banco fundado em 1988 na Madeira, a venda de alguns activos ao Santander Totta e a transferência de outros (muitos deles ‘tóxicos’) para uma sociedade-veículo.

A operação surpreendeu pelo montante do dinheiro estatal envolvido, que no imediato foi de 2.255 milhões de euros, o que obrigou a um Orçamento retificativo e deverá fazer disparar o défice de 2015 para cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB).

No total, e retirando os 150 milhões de euros pagos pelo Santander Totta, os custos para contribuintes podem chegar até 3.600 milhões de euros.

O Banif disse que iria processar a TVI por causa da noticia avançada pela TVI24. A estação de televisão pediu desculpa por ter induzido os espectadores em erro e publicou um esclarecimento sobre a situação, onde lamentou a que a notícia relativa ao banco que divulgou em rodapé na emissão da TVI24 (o canal de informação do grupo) no domingo à noite “não tenha sido totalmente precisa e esclarecedora”, podendo “ter induzido conclusões erradas e precipitadas sobre os destinos daquela instituição financeira”.

Contudo, esse esclarecimento não foi suficiente para o conselho de administração do Banif. “A TVI vem agora pedir desculpa aos seus espectadores bem como aos clientes, trabalhadores e acionistas do Banif, desmentindo as notícias infundadas que desde domingo tem vindo a divulgar”, lê-se na nota enviada pelo Banif à comunicação social, que adiantava que o grupo ia recorrer à justiça, divulgada pouco depois de ter sido publicado o esclarecimento pela estação de televisão.

“O Conselho de Administração do Banif reitera que tudo fará para fazer valer na justiça os danos irreparáveis causados ao Banif, pela forma irresponsável e deontologicamente reprovável como, sem qualquer preocupação pelo apuramento da verdade, publicaram afirmações erradas com graves consequências para a atividade do banco”, informou a entidade, na altura ainda liderada por Jorge Tomé.

O ainda presidente do Banif, em entrevista à RTP Madeira a 15 de Dezembro, teceu duras críticas ao canal, dizendo que a informação avançada pela TVI “não é fundada” e é “tendenciosa”, abalando a confiança dos investidores.

“Veio perturbar todo um processo estruturado que está em curso, em que a posição do Estado está a ser vendida”, explicou Jorge Tomé. Depois de sair da liderança do Banif, disse em entrevista à SIC que a venda foi feita num “contexto um bocado estranho”.