Archive for the ‘Venda de ativos’ Category

Espanha atira para Bruxelas indemnizações a lesados do Popular

Domingo, Julho 16th, 2017

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Negócios

O ministro da Economia espanhol acredita que o país se limitou a cumprir a legislação comunitária na resolução do Popular. Se alguém tem que pagar eventuais indemnizações a accionistas e credores é Bruxelas.

O ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos, defendeu esta segunda-feira, 10 de Julho, que caberá a Bruxelas o eventual pagamento de indemnizações a accionistas e credores do banco Popular que recorram a tribunal.

“As decisões do FROB [fundo que liquidou o Popular] foram tomadas em nome do Conselho Único de Resolução”, afirmou. Espanha acredita assim que se limitou a aplicar as regras comunitárias e que, em caso de litígio, caberá à União Europeia pagar as indemnizações, tendo em conta que os lesados avançaram para uma batalha legal.

O ministro garantiu ainda que “o contribuinte espanhol não pagará um euro pelo Popular”. “Aplicaram-se as regras, preservou-se a estabilidade financeira e não houve nenhuma injecção de dinheiro público”, acrescentou no Eurogrupo.

Visão diferente tem Bruxelas, numa fonte citada pelo El País. “Os afectados podem agir contra o mecanismo de resolução, que desenhou o plano de liquidação, ou contra o Frob, que o aplicou, ou contra a equipa de gestão do banco”, explicou.
O Popular foi vendido ao Santander por um euro, como parte de uma medida de resolução no início de Junho. O regime pretende minimizar o uso de dinheiros públicos nas soluções encontradas para os problemas bancários.

No quadro da União Bancária, é ao Conselho Único de Supervisão que cabe este tipo de decisões. Até ao final de 2015, as autoridades de resolução responsáveis eram as nacionais.

Por isso mesmo, a mão foi do Banco de Portugal nas duas medidas de resolução aplicadas no país, que não deixaram de envolver dinheiros públicos: o Banco Espírito Santo (BES) e o Banif.

Enquanto o BES foi dividido em “banco bom” [o Novo Banco] e “banco mau” [mantendo o nome e reunindo activos considerados tóxicos], o Banif acabou por ser comprado pelo Santander Totta.

Alboa lamenta venda de ativo do Banif Finance ao Santander Totta

Terça-feira, Junho 6th, 2017

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Dinheiro Vivo

O presidente da Alboa, Jacinto Silva, lamentou a alienação do ativo pela “ridícula quantia” de 90 mil euros e exige acesso ao documento da venda

O presidente da Alboa, Jacinto Silva, lamentou hoje a alienação de um ativo do Banif Finance ao Santander Totta pela “ridícula quantia” de 90 mil euros e exige acesso ao documento da venda.

“Isto foi tudo feito nas costas das pessoas, em ‘timings’ acertados, e mais uma vez vêm os obrigacionistas do Banif Finance a saber que foram prejudicados com todas estas negociatas”, disse Jacinto Silva em declarações à Lusa, que exige saber quem foi responsável por este negócio.

De acordo com o responsável, o Santander Totta adquiriu este ativo importante do Banif Finance, já pós resolução e poucos meses antes deste último entrar em liquidação pela quantia de 90 mil euros, num negócio que apenas foi conhecido a 18 de maio, com a publicação do Relatório e Contas consolidado de 2016 do banco, onde a instituição financeira indica ser dona da totalidade daquele ativo. O ativo em questão (participação acionista privilegiada no Banif International Bank, a entidade bancária sediada nas Bahamas que foi vendida ao Santander à data da resolução do ex-Banif) valia 18,3 milhões de euros, de acordo com o último Relatório Financeiro de junho 2015, disse Jacinto Silva.

“Ou seja, a compra daquele ativo do Banif Finance pelo Santander Totta fez-se por menos de 1% do seu valor real”, disse. Depois de ter já solicitado à bolsa de Luxemburgo uma explicação sobre este negócio e “dada a relevância e gravidade da questão em causa”, a Alboa vai pedir uma audiência ao Banco de Portugal, assim como ao Ministério das Finanças, tendo em vista também ter acesso ao documento de formalização da venda em causa.

“Com esta venda ao Santander Totta os lesados do Banif perdem efetivamente, mais uma vez, uma parte importante dos ativos que poderiam responder pelos seus créditos”, lamentou ainda Jacinto Silva. A Alboa representa 3.500 obrigacionistas subordinados que perderam 263 milhões de euros no processo de venda do banco ao Santander, bem como 4.000 obrigacionistas da Rentipar (‘holding’ através da qual as filhas do fundador do Banif, Horácio Roque, detinham a sua participação), que investiram 65 milhões de euros, e ainda 40 mil acionistas, dos quais cerca de 25 mil são oriundos da Madeira.

O Santander Totta adquiriu o Banif por 150 milhões de euros em dezembro de 2015, na sequência de uma resolução do Governo da República e do Banco de Portugal, através da qual foi criada a sociedade-veículo Oitante, para onde foi transferida a atividade bancária que o comprador não adquiriu. No passado dia 28 de março, no decorrer de uma visita que efetuou à Madeira, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que ainda não havia nenhuma solução para resolver o problema dos lesados do Banif, visto que a CMVM não reconheceu a existência de “práticas indevidas” na venda de produtos do banco.

“Esta é uma situação em que, ao contrário do que aconteceu na situação do BES, ainda não houve por parte da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários um reconhecimento de práticas indevidas na venda dos produtos, o que limita muito, da parte do Estado, a possibilidade de encontrar mecanismos como aqueles que temos relativamente aos lesados do BES”, afirmou então António Costa.

O governante fez estas declarações após uma reunião com os dirigentes da Alboa, que decorreu na Quinta Vigia, sede da presidência do Governo Regional da Madeira. “A solução ainda não existe. Temos de continuar a trabalhar para que ela possa existir”, disse António Costa, vincando que se trata de uma “matéria muito difícil”, em relação à qual há registo de “situações verdadeiramente dramáticas” e casos de pessoas que “manifestamente foram enganadas”.

Worx vende escritório do Banif ib nas Amoreiras

Quinta-feira, Maio 18th, 2017

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Negócios

A operação foi concretizada por 4,5 milhões de euros, sendo que do lado comprador esteve uma “family office” portuguesa.

A Worx anunciou esta segunda-feira que foi a consultora imobiliária responsável pela venda dos escritórios do Banif ib (antigo banco de investimento do Banif), localizados no 15.º piso da Torre 3 das Amoreiras.

De acordo com o comunicado, o negócio foi fechado por 4,5 milhões de euros, sendo que do lado comprador esteve uma “family office” portuguesa, que a mesma fonte não identifica.

“O escritório possui uma área bruta de construção de 1.400 m2 (…) e está actualmente arrendado a uma start-up portuguesa, operação pela qual a consultora, através do seu departamento de Agency, foi também responsável”, refere o comunicado. Pedro Valente, do departamento de Capital Markets da Worx, diz que a consultora encontrou “o inquilino certo, para um espaço único”.

O banco de investimento do Banif, que após a resolução do banco foi integrado na Oitante, foi já vendido à sociedade chinesa Bison Capital.

Banif Banco de Investimento vende piso nas Amoreiras por 4,5 M€

Quinta-feira, Maio 18th, 2017

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Diário do Imobiliário

A consultora imobiliária Worx representou o Banif Banco de Investimento no processo de venda do 15º piso da Torre 3 das Amoreiras, a um Family Office Nacional. O escritório possui uma área bruta de construção de 1.400 me  fica situado numa das zonas mais centrais da cidade de Lisboa.

O espaço encontra-se actualmente arrendado a uma start-up portuguesa, operação pela qual a consultora, através do seu departamento de Agency, foi também responsável.

Pedro Valente do departamento de Capital Markets da Worx refere que “a consultora foi numa primeira fase responsável pelo arrendamento, tendo encontrado o inquilino certo, para um espaço único. E agora realizou a operação de venda. Esta conjugação permitiu acrescentar muito valor ao imóvel. O nosso cliente conseguiu maximizar o seu valor de venda. Faz parte da cultura da Worx atuar lado a lado com os seus clientes, enquanto advisor e parceira dos mesmos. Desta forma, conseguimos encontrar as melhores soluções para os imoveis, através de nossa equipa multidisciplinar”.

Banca: Ímpar compra toda participação do BANIF no BCN

Sábado, Abril 8th, 2017

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A Nação

Banca: Ímpar compra toda participação do BANIF no BCN

 

As negociações entre o consórcio Ímpar/SEPI (Sociedade de Estudos e Promoção de Investimentos), para a aquisição da posição accionista que o BANIF (Banco Internacional do Funchal) detinha no BCN (Banco Cabo-Verdiano de Negócios), correspondente a 51,7 por cento (%) das acções, foram concluídas nos finais de Março, com a assinatura do respectivo contrato definitivo de compra e venda.

Desta forma, o capital do BCN fica distribuído da seguinte forma: Ímpar, com 51.7%; SEPI, 43.9%; e Cruz Vermelha de Cabo Verde,  com 4,4%.

A conclusão destas negociações que já vinham decorrendo desde Dezembro de 2016, volta a colocar o BCN como o único Banco em Cabo Verde com capital e gestão 100% cabo-verdiano.

O culminar das negociações deu-se com a realização da Assembleia-Geral de 24 de Março, que, também, serviu para alguma mudança na administração do Banco, provocada pela saída dos administradores anteriormente indigitados pelo BANIF.

No essencial, a mudança ocorreu apenas no Conselho de Administração do BCN, com a entrada de Luís Vasconcelos Lopes, actual CEO da ÍMPAR, que passa a assumer, também, a função de presidente do Conselho de Administração.

Paulo Lima e Carlitos Fortes entram, também, como administradores-executivos, enquanto Pedro Barros, que está na administração desde o início do Banco e um dos seus fundadores, é o novo presidente da Comissão Executiva.

A entrada da ÍMPAR no capital social do BCN marca, assim, uma nova era para o Banco. “À solidez que o Banco já dispõe, vem se juntar a parceria estratégica da ÍMPAR, recursos essenciais para o desenvolvimento das sinergias entre os negócios das duas instituições, e, consequentemente, do mercado de serviços financeiros em Cabo Verde”, disse fonte do BCN ao A NAÇÃO.

O BCN foi constituído em 2005, por um grupo de investidores e empresários cabo-verdianos.

Eis a composição dos novos órgãos sociais do BCN:

Mesa da Assembleia-Geral: 

  • Presidente: Dr. Manuel Casimiro de Jesus Chantre; e
  • Primeiro Secretário: Drª Ana Eloisa Fernandes Semedo de Carvalho.

 

Conselho de Administração:

  • Presidente: Dr. Luís Miguel Andrade Vasconcelos Lopes;
  • Vice-Presidente: Dr. Humberto Bettencourt Santos;
  • Administrador: Dr. Pedro Mendes de Barros;
  • Administrador: Eng. Paulo Jorge Ferro Ribeiro de Oliveira Lima;
  • Administrador: Dr. Carlitos Marcos Lima Fortes;
  • Administrador: Dr. António Olavo de Oliveira Rocha;
  • Administrador: Dr. Luís de Matos Monteiro da Fonseca; e
  • Administrador suplente: Dr. Mário Luís Mendes Moreira.

 

Comissão-Executiva:

  • Presidente: Dr. Pedro Mendes de Barros;
  • Administrador Executivo: Eng. Paulo Jorge Ferro Ribeiro de Oliveira Lima; e
  • Administrador Executivo: Dr. Carlitos Marcos Lima Fortes.

 

Conselho Fiscal:

  • Presidente: Dr. Dario Dantas dos Reis; e
  • Vice-Presidente: Sr. António Vicente Lima.

Oitante cede 1,5 mil milhões de activos problemáticos do ex-Banif à espanhola Altamira

Quinta-feira, Abril 6th, 2017

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Jornal Económico

 

A sociedade liderada por Miguel Barbosa acaba de anunciar a cedência de uma carteira de activos imobiliarios e crédito malparado à sociedade detida pela Apollo e Santander. A operação teve a assessoria financeira da Alantra e a assessoria legal da Linklaters (por parte do vendedor) e da assessoria legal da Uría (por parte do Comprador).

A Oitante, veículo que ficou com alguns dos activos do Banif que o Santander Totta não quis adquirir na resolução, acaba de anunciar que formalizou hoje a alienação à Altamira Asset Management da sua unidade de negócio responsável pela gestão dos ativos imobiliários e pela gestão da carteira de crédito.

A Altamira é a líder espanhola na gestão de créditos vencidos que é detida em 85% pelo fundo norte-americano Apollo e em 15% pelo Banco Santander.

O comunicado da instituição liderada por Miguel Barbosa avança que em paralelo, foi celebrado um contrato de prestação de serviços de administração, gestão e venda de um conjunto de ativos no valor aproximado de 1,5 mil milhões de euros, compostos, essencialmente, por ativos imobiliários e non performing loans (malparado).

“A Oitante acredita que a conclusão desta transação permitirá a criação de uma nova plataforma de servicing em Portugal, trazendo as melhores práticas internacionais nesta área, com vista a incrementar o ritmo de monetização dos ativos imobiliários e dos non performing loans da Oitante e maximizar o valor resultante da sua alienação”, diz o comunicado.

A operacão  de venda foi estruturada de modo a assegurar à Oitante um encaixe financeiro importante, “mas também a preservação dos postos de trabalho afetos às unidades de negócio alienadas”, assegura a instituição.

“Embora seja uma tipologia de operação bastante presente em alguns mercados internacionais trata-se da primeira operação do género a ser conduzida em Portugal, donde se destaca o seu pioneirismo em território nacional”, explica a Oitante.

Assim, através da concretização desta operação “a Oitante dá continuidade à prossecução do objetivo para que foi constituída, nomeadamente a alienação dos seus elementos patrimoniais assegurando a maximização do seu valor”, adianta o comunicado.

A Altamira é uma entidade líder na gestão de ativos imobiliários e de non performing loans no mercado espanhol, emprega cerca de 700 profissionais e tem sob gestão cerca de 50 mil milhões de euros de ativos, tendo como clientes entidades bancárias de referência no mercado espanhol e no mercado internacional.

“Esta aquisição demonstra o investimento estratégico da Altamira no mercado Português e onde tem como objectivo ser um servicer de referência”.

A sociedade explica que “o processo concursal lançado teve a participação de um conjunto bastante alargado de interessados, entre os quais se encontravam, juntamente com o candidato selecionado, aqueles que o mercado genericamente reconhece como os maiores, mais credenciados e mais sofisticados players desta indústria a nível europeu sendo, por isso, os mais capacitados a aportar valor acrescentado”.

A operação teve a assessoria financeira da Alantra e a assessoria legal da Linklaters (por parte do vendedor) e da assessoria legal da Uría (por parte do Comprador).

 

 

 

Lesados do Banif recolhem queixas para provar venda abusiva

Quarta-feira, Fevereiro 22nd, 2017

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Público

Haverá encontros por todo o país para recolher reclamações a entregar à CMVM. Objectivo é provar que a venda de obrigações subordinadas foi uma operação de “misseling” (venda abusiva).

A Associação de Defesa dos Lesados do Banif (Alboa) promove esta semana uma ronda de encontros em Lisboa, Porto e Aveiro, para reunir reclamações dos clientes que contrataram obrigações subordinadas do banco, para as entregar na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

“Contamos recolher cerca de mil reclamações para fazer o processo e depois entregar à CMVM”, disse este sábado, no Funchal, o presidente da Alboa, Jacinto Silva, no final de um encontro com lesados.

As reuniões prosseguem hoje em Lisboa (Hotel Ibis na Av. José Malhoa, entre as 19h30 e as 22h) e em Aveiro (Junta de Freguesia de Salreu, Estarreja, a partir das 19h), e continuam no dia seguinte no Porto (Hotel Ibis Gaia, entre as 19h e as 21h30). Nos encontros, os dirigentes da Alboa pedem aos lesados uma descrição detalhada da forma como os produtos financeiros foram apresentados e vendidos, bem como a argumentação utilizada pelos funcionários do ex-Banif. Depois de fechada a ronda pelo país, a associação pretende promover encontros na diáspora, começando pela Venezuela, ainda este mês, seguindo-se Estados Unidos e África do Sul, países onde, à boleia de uma forte comunidade de emigrantes nacionais, o Banif tinha forte implantação.

O objectivo da Alboa, explicou recentemente ao PÚBLICO Jacinto Silva, é provar que, tal como no caso do BES, a venda destes produtos financeiros consubstanciou uma operação de misseling (venda abusiva). “Quando a operação de subscrição de obrigações subordinadas aconteceu, o Banif era praticamente um banco público, e um dos argumentos utilizados era precisamente esse: a segurança do Estado”, disse Jacinto Silva no arranque destes encontros. “Venderam aqueles produtos, como se fossem um depósito a prazo”, acrescentou.

Os lesados do Banif, nas contas da Alboa, rondam as 3500 pessoas, que em conjunto apresentam um volume de perdas que ultrapassa os 265 milhões de euros.

Banif Pensões vendida à Real Vida Seguros

Sábado, Janeiro 14th, 2017

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Eco

A seguradora adquiriu 67,3% das ações da gestora de reformas à Oitante, a gestora dos ativos do extinto Banif.

Depois da luz verde por parte dos reguladores, a Real Vida Seguros é agora a nova dona da Banif Pensões, mas os valores do negócio não foram revelados.

A Oitante, empresa criada com o objetivo de administração dos ativos do extinto Banif, recebeu a permissão do Banco de Portugal, da Autoridade de Seguros e Fundos de Pensões e a Comissão Europeia para vender a maioria do Banif Pensões, empresa de gestão de reformas do banco madeirense.

Em comunicado, a Oitante afirma que “foi concluído o processo de alienação (…) de um conjunto de ações representativas de 67,3% do capital social da Banif Pensões“. Mas os detalhes financeiros não foram revelados.

No mesmo, sublinha-se que a operação tem como objetivo principal “permitir a criação de condições para a sustentabilidade desta entidade e, consequentemente, a preservação de todos os postos de trabalho do anterior universo Banif.”

Estado pagou juro excessivo no Banif

Terça-feira, Dezembro 27th, 2016

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Expresso

O Estado pagou um juro excessivo na emissão de dívida sobre a qual deu garantia na resolução do Banif e sua venda ao Santander, em dezembro do ano passado. É uma informação que consta do parecer sobre a Conta Geral do Estado de 2015 divulgado esta semana pelo Tribunal de Contas que revela que as obrigações emitidas no valor de €746 milhões a favor do banco espanhol — que integrou os ativos e passivos do Banif — tiveram uma taxa de cupão um ponto percentual acima do custo de financiamento da República. Esta diferença corresponde a um custo anual em juros na ordem dos €7,46 milhões que, no conjunto dos 10 anos de maturidade dos títulos, representa um total de €74,6 milhões.

O parecer refere que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) ainda alertou para a taxa de juro excessiva para “o tipo de operação em causa”, mas não foi possível revê-la porque a operação já tinha sido concretizada. No parecer lê-se que “a taxa de cupão corresponde à Euribor a três meses acrescida de uma margem de 2,679%. No parecer que emitiu sobre as condições financeiras da operação, o IGCP considerou a taxa de juro elevada para o tipo de operação em causa, sendo superior em cerca de 1% ao custo de financiamento da República, mas a DGTF [direção-geral do Tesouro e Finanças] fez notar que a emissão não seria suscetível de comportar uma revisão de taxa de juro, por já se encontrar concretizada”.

Ao Expresso, o Tribunal de Contas não avançou pormenores sobre o parecer do IGCP — “que se encontra abrangido pelo sigilo/confidencialidade” — mas esclareceu que foi pedido a propósito da contragarantia que o Estado deu sobre a garantia do Fundo de Resolução a esta dívida emitida pelo veículo que ficou com os ativos problemáticos do Banif. O parecer, “obrigatório mas não vinculativo”, foi aprovado a 30 de dezembro de 2015 mas a emissão de obrigações tinha sido concretizada no dia 22 de dezembro. As Finanças, acrescenta o tribunal, acabaram por autorizar a contragarantia no dia seguinte ao parecer: “A contragarantia do Estado foi autorizada por despacho de 31/12/2015, do secretário de Estado-adjunto, do Tesouro e das Finanças.”

O Tribunal de Contas explica ainda que a “posição da DGTF sobre o parecer do IGCP consta da informação que aquela Direção-Geral elaborou propondo ao Governo a concessão da contragarantia” e que “teve acesso à mesma no decurso dos trabalhos de elaboração do parecer”.

Contactado pelo Expresso, o Ministério das Finanças não fez qualquer comentário até ao fecho desta edição. Também o banco Santander não quis comentar esta operação. O Expresso sabe, no entanto, que o banco espanhol não teve interferência na definição das condições das obrigações e que apenas teve conhecimento da taxa de cupão dos títulos no momento da operação.

EMISSÃO EM TROCA 
DE ATIVOS TÓXICOS

Esta emissão obrigacionista fez parte do processo de resolução e venda do Banif no final de 2015. O Santander comprou o banco, devidamente recapitalizado com uma injeção de capital público de €2255 milhões (€1766 milhões do Estado e €489 milhões do Fundo de Resolução), mas os ativos problemáticos foram transferidos para um veículo — a Oitante — criada para esse efeito e que ficou na dependência do Fundo de Resolução. Para compensar o Santander pela retirada destes ativos tóxicos, que valiam originalmente €2190 milhões e tiveram um haircut de 66%, foram cedidas as obrigações da Oitante com garantia do Fundo de Resolução e com contragarantia do Estado.

Estas obrigações, juntamente com os ativos e passivos que transitaram do Banif, foram integrados no perímetro do banco espanhol que é quem vai receber os juros a pagar durante os 10 anos, a menos que venda os títulos no mercado secundário. O parecer do Tribunal de Contas não especifica o que significa ter uma taxa 1% acima do custo de financiamento da República, mas pressupõe-se que, na opinião do IGCP, seria possível obter um financiamento com uma taxa inferior. Não apenas para os prazos idênticos mas até usando prazos mais curtos. No momento da emissão, a taxa de rendimento da dívida pública a 10 anos andava entre 2,3% e 2,5%. Mas a taxa a cinco anos rondava valores entre 1% e 1,2%. A taxa das obrigações da Oitante estava próxima de 2,58% já que a Euribor a três meses estava negativa (-0,1%).

A Oitante está no perímetro das administrações públicas, o que significa que estas obrigações são dívida pública e os juros pagos são contabilizados na despesa do Estado e afetam o défice.

€14,3 MIL MILHÕES DE AJUDAS AO SECTOR FINANCEIRO

Segundo o Tribunal de Contas, as ajudas do Estado ao sector financeiro somaram €14,3 mil milhões entre 2008 e 2015. Um valor que corresponde a 8% do PIB do ano passado. Neste total, incluem-se injeções de capital, assunção de passivos, empréstimos e garantias. A operação mais cara foi a resolução do BES, em agosto de 2014, com um custo total de €4649,3 milhões que resultam da injeção de capital inicial de €4900 milhões deduzidos de receitas associadas a garantias do Estado no valor de €250,6 milhões. De seguida surgem 
o BPN (€3249 milhões) 
e a Caixa Geral de Depósitos (€3077 milhões).

NÚMEROS

1,7 mil milhões de euros foram omitidos das receitas do Estado, nomeadamente impostos, e contabilizados diretamente a entidades 
a quem estão consignadas
98 recomendações foram dirigidas pelo Tribunal 
de Contas ao Parlamento 
e ao Governo; parte delas 
já vinham de anos anteriores sem serem acolhidas
152 milhões de euros em omissão de despesa fiscal detetada 
só em IRC (€34 milhões) e em imposto de selo (€118 milhões)

Oitante ainda só concretizou uma venda, cujo valor se desconhece

Terça-feira, Dezembro 20th, 2016

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Público

Sociedade veículo que ficou com activos do Banif rejeitados pelo Santander vai determinar factura final a pagar pelo Estado

Desde que foi criada, em Dezembro do ano passado, a Oitante ainda só concretizou a alienação de um activo, a seguradora Açoreana. De resto, pouco se sabe sobre o veículo criado para lidar com os activos do ex-Banif que foram rejeitados pelo Santander Totta, e que ficou também responsável por cerca de 500 trabalhadores do banco intervencionado há um ano. A empresa não responde a questões, e a informação disponibilizada no site oficial é menos do que básica.

Por exemplo, em Agosto foi anunciada a venda, embora ainda por concretizar, do Banif – Banco de Investimento à chinesa Bison Capital, de Peixin Xu, mas o último (e único) comunicado que está no site é de Janeiro deste ano. Além do banco de investimento do Banif, que no início do ano realizou um aumento de capital de 29,4 milhões, a Oitante anunciou também, em Outubro, que tinha conseguido vender os 78% do capital da instituição financeira que detém em Malta, o Banif Bank.

A venda desta unidade à Al Faisal, do Qatar, também ainda não foi concluída. Isso apesar de o processo de alienação já estar em curso desde Dezembro do ano passado, antes da intervenção das autoridades no Banif. A 18 desse mês, o Banif informou o mercado que tinha assinado um contrato para vender a sua posição por 18,4 milhões de euros. No entanto, agora a Oitante não presta qualquer tipo de informações sobre os valores envolvidos nos negócios. No caso da Açoreana, adquirida pelo fundo Apollo (que dá detinha a Tranquilidade), não foi divulgado o montante em causa (este poderá ter rondado os 22 milhões). O encaixe da Oitante, é fundamental para os contribuintes saberem quanto é que, no final de contas, vai ficar a factura a pagar com o Banif. Além dos 825 milhões que ficaram por devolver ao Estado, acrescem 2255 milhões injectados em Dezembro.

Depois, quando se desenhou a intervenção no Banif, houve 2170 milhões de euros em activos do Banif que transitaram para a sociedade veículo com um preço de 746 milhões (ou seja, com uma desvalorização de 66% no valor). Se o total do encaixe for inferior a estes 746 milhões, o valor da diferença será somado à conta dos 2255 milhões. Bruxelas, por exemplo, considera que o encaixe não irá além dos 324 milhões, com uma perda de 422 milhões. Já a comissão de inquérito parlamentar, no seu relatório final, afirmava que havia a “expectativa” de que o Estado “ainda possa ter um upside nesta operação, mitigando as perdas acumuladas no processo”. Esta comissão defendeu também que devia haver uma “adequada monitorização do processo de alienação de activos, de modo a que o Estado recupere pelo menos uma parte do capital injectado no Banif desde Janeiro de 2013”.

A maior parte dos activos da Oitante estão ligados ao sector imobiliário, seja de forma directa (os imóveis estão disponíveis no site da empresa) ou indirecta (via fundos de investimento). Na sociedade foram incluídos, por exemplo, o Citation, um fundo de investimento imobiliário aberto. Depois, foram abrangidas também participações como a que o banco detinha na Vallis (fundo dedicado à recuperação de empresas de construção, com o apoio da banca), na Fomentinvest e na Ascendi.