Archive for the ‘Venda de ativos’ Category

Banif Malta sai definitivamente da esfera do Estado

Quarta-feira, Outubro 5th, 2016

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Negócios

A Oitante concluiu a venda da unidade de Malta do ex-Banif, que estava acordada antes mesmo da resolução. A transacção inicialmente acordada a 18,4 milhões de euros resultou num encaixe um pouco superior. O comprador é um grupo do Qatar.

O Banif Malta já não está no Estado. O processo de venda, iniciado ainda com Jorge Tomé ao leme do banco, arrancou dois dias antes da resolução e fica fechado agora – mais de 10 meses depois.

“A Oitante, S.A. (“Oitante”) concluiu hoje, dia 4 de Outubro de 2016, o processo de alienação à Al Faisal International for Investment Malta Limited da sua participação representativa de cerca de 78,46% do capital social do Banif Bank (Malta) p.l.c. (“Banif Malta”)”, indica um comunicado da empresa.
Banif Malta já não está no Estado. O processo de venda, iniciado ainda com Jorge Tomé ao leme do banco, iniciou-se dois dias antes da resolução e fica fechado agora – mais de 10 meses depois.

“A Oitante, S.A. (“Oitante”) concluiu hoje, dia 4 de Outubro de 2016, o processo de alienação à Al Faisal International for Investment Malta Limited da sua participação representativa de cerca de 78,46% do capital social do Banif Bank (Malta) p.l.c. (“Banif Malta”)”, indica um comunicado da empresa.

Valor acima do acordado inicialmente

A Oitante, liderada por Miguel Artiaga Barbosa, foi criada a 20 de Dezembro de 2015, data da resolução do Banif, para ficar com os activos e passivos do banco que o Santander Totta, na altura, não quis adquirir. Foi para lá que transitou a participação na instituição financeira de Malta cuja alienação, há anos tentada, havia sido acordada dois dias antes, ainda com Jorge Tomé na liderança do Banif.

Na altura, foi afirmado que a operação de venda foi feita a 18,4 milhões de euros, o valor contabilístico de então daquela unidade. Contudo, o valor final não foi esse, tendo havido um aumento do valor a receber pela Oitante, segundo apurou o Negócios. O veículo não quis avançar com o montante final.

Além do valor da transacção, o processo de venda “assegura ainda que a Oitante seja reembolsada de um empréstimo subordinado no montante de €5.000.000,00”. Ou seja, 5 milhões que serão entregues ao veículo que tem como accionista único o Fundo de Resolução.

Em Dezembro do ano passado, o comprador não foi revelado. Até hoje: Al Faisal Holding é um conglomerado privado do Qatar, com origem nos anos 60.

A operação chega, assim, ao fim a 4 de Outubro, mais de 10 meses depois do acordo para a operação. Foi necessário verificar “todas as condições estabelecidas na documentação contratual” e obter “autorização pela Direcção Geral da Concorrência da Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu”.

Esta operação, assinala ainda o comunicado, “visa permitir a capitalização do Banif Malta com vista a fortalecer os requisitos prudenciais aplicáveis, bem como a criação de condições para a sustentabilidade desta entidade e, consequentemente, a preservação de postos de trabalho”.

Silêncio da Oitante

A Oitante foi criada (inicialmente como Naviget) com a intenção de liquidar ou vender activos. A sociedade de titularização de créditos Gamma (ao Santander Totta) e o banco de investimento do Banif (à Bison) foram alguns dos exemplos de operações já acordadas (mas ainda não finalizadas). A Açoreana já foi vendida ao grupo americano Apollo por valores nunca divulgados.

Neste momento, não há ainda, mais de 10 meses depois da resolução, um balanço de abertura, ou seja, não se sabe o que consta deste veículo que pertence ao Fundo de Resolução.

Às questões que o Negócios fez nos últimos meses para conhecer o veículo praticamente nunca houve resposta. O presidente da administração, Miguel Barbosa, ficou na liderança da Oitante depois de ter sido o representante do Estado na administração do Banif.

Chineses ficam com o banco de investimento do Banif

Sexta-feira, Agosto 12th, 2016

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TVI

Valor do negócio não foi divulgado. Nova dona, Bison Capital, compromete-se a injetar 10 milhões de euros. Em janeiro, o BBI já tinha passado para a sociedade-veículo no âmbito da resolução do Banif. Nessa altura foi realizado um aumento de capital

A Oitante anunciou hoje que vendeu o Banif – Banco de Investimento (BBI) à Bison Capital, sem revelar o montante do negócio, e que a nova dona do banco se comprometeu a injetar 10 milhões de euros na entidade.

“A Oitante selecionou a proposta apresentada pela Bison Capital Financial Holdings (Hong Kong) Limited, por ser aquela que apresentava as condições mais favoráveis à maximização da venda do BBI, incluindo a oferta de um valor de compra superior ao valor contabilístico dos capitais próprios do BBI”, anunciou a sociedade-veículo que ficou com os ativos ‘problemáticos’ do Banif no âmbito da resolução, sem adiantar o valor da alienação.

Em janeiro, o Banif – Banco de Investimento, que já tinha passado para a sociedade-veículo Oitante no âmbito da resolução do Banif, realizou um aumento de capital de 29,4 milhões de euros, ficando com um capital próprio de 114,4 milhões de euros.

Ainda na informação hoje divulgada sobre a venda do Banco de Investimento do ex-Banif, a Oitante acrescenta que a Bison Capital “comprometeu-se a aumentar o capital social do BBI no valor de 10 milhões de euros no prazo de um ano a contar da efetiva transmissão das ações, prestações acessórias e obrigações subordinadas”.

A Oitante estava a tentar alienar o BBI desde abril e, na semana passada, a 03 de agosto, celebrou um contrato de compra e venda de ações, prestações acessórias e obrigações subordinadas com a Bison Capital tendo em vista a alienação da sua participação no BBI, que correspondia a 100% do capital.

“As condições para a entrada em vigor do contrato foram, no dia 9 de agosto, verificadas na sua totalidade, encontrando-se agora a efetiva transmissão das ações, prestações acessórias e obrigações subordinadas dependentes da obtenção das autorizações regulatórias aplicáveis”

A 20 de dezembro do ano passado, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif.

Parte dos ativos do banco passaram para Santander Totta por 150 milhões de euros e foi criada a sociedade-veículo Oitante para a qual foi transferida parte dos ativos que o Totta não quis, caso da Açoreana Seguros, que foi comprada recentemente pela Tranquilidade, ou o Banif – Banco de Investimento, agora alienado.

Já no Banif S.A. – o banco mau – ficaram as posições dos acionistas e obrigacionistas subordinados do Banif e as operações que o banco tinha no Brasil e em Cabo Verde.

Banif ajuda a aumentar lucro do Santander Totta

Sexta-feira, Julho 29th, 2016

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Jornal de Negócios

A integração do Banif aumentou os custos do Santander Totta, mas também fez crescer os proveitos, ajudando o banco a aumentar lucros em 90%. A aquisição também não exigiu esforço acrescido de provisões.

A integração do Banif no Santander Totta contribuiu para o aumento de 89,5% dos lucros da instituição, que totalizaram 196,2 milhões de euros nos primeiros seis meses. No entanto, o banco não quantifica o contributo …

Santander Totta quer integrar totalmente BANIF até final do ano

Sexta-feira, Julho 29th, 2016

Citamos

TVI

Além de apresentar lucros de 196,2 milhões de euros no primeiro semestre, o presidente do Santander Totta espera que a estrutura do BANIF esteja totalmente integrada ainda este ano

Ativos e passivos do BANIF, adquiridos em dezembro passado – e até alvo de uma comissão parlamentar de inquérito -, deverão estar integrados no Santander Totta até final deste ano.

A convicção é do presidente da António Vieira Monteiro, expressa na apresentação dos resultados do primeiro semestre do banco.

Ainda não temos a integração operativa, que pensamos fazer até fim do ano, mas já temos toda a integração comercial de produtos que damos aos clientes”, sublinhou esta quinta-feira o presidente do Santander Totta.

Em conferência de imprensa, António Vieira Monteiro revelou que o banco apresentou lucros de 196,2 milhões de euros no primeiro semestre, mais 89,5% do que no mesmo período do ano passado.

Sobre o contributo do BANIF para o resultado líquido, o presidente do Santander Totta afirmou não ser possível fazer a desagregação dos dados.

A integração contabilística está feita, mas não consigo separar o que vem de um lado e do outro”, afirmou.

Comissão Europeia aprova compra do Banif pelo Santander Totta

Sexta-feira, Julho 8th, 2016

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Público

A Comisão Europeia aprovou a compra do Banif pelo Santander Totta. O anúncio foi feito nesta sexta-feira pela Direcção-Geral da Concorrência.

“A Comissão concluiu que a transacção não levanta problemas de concorrência, já que a sobreposição das actividades” dos dois bancos em Portugal continental “é limitada”, refere o comunicado do executivo comunitário.

De igual modo, também não se levantam questões de concorrência na Madeira e nos Açores, acrescenta a nota, que refere que a transacção foi “examinada ao abrigo da normal análise de concentrações”.

Em Dezembro do ano passado, o Santander ficou com a actividade do Banif por 150 milhões de euros, cabendo ao Estado responsabilizar-se por mais 1766 milhões e o Fundo de Resolução outros 489 milhões de euros. A solução, anunciada na altura por António Costa, envolveu assim um apoio público total de 2225 milhões de euros. Os activos problemáticos do Banif, como o imobiliário avaliado em cerca de 2000 milhões de euros, ficaram fora do negócio.

Na corrida ao Banif estiveram seis instituições, cujas propostas foram analisadas pelo Governo, Banco de Portugal e gestão do Banif. Além do Santander, na lista estavam o banco Popular e mais quatro fundos: o norte-americano Apollo (dono da Tranquilidade), o J.C. Flower (ligado a um fundador do  Goldman Sach), e um fundo sino-americano, representado pelo Haitong Bank ) e um outro, desconhecido.

O Santander, que vai pagar 150 milhões de euros por 4% do sistema bancário nacional, foi desde o primeiro minuto a opção preferida do Banco de Portugal. Mas para aceitar o banco fez elevadas exigências às autoridades.

A 31 de Dezembro de 2012 o Banif foi intervencionado com uma recapitalização de 1100 milhões de euros com recurso a meios públicos. A instituição passou então para a esfera estatal com uma injecção de 700 milhões de euros e 400 milhões por empréstimo obrigacionista de Cocos (obrigações convertíveis em acções mediante determinadas condições), dos quais 275 milhões foram entretanto já devolvidos. O banco estava desde Dezembro de 2014 em situação de incumprimento com o Estado português sem pagar os 125 milhões de euros que deveria ter liquidado nessa data.

A partir desse momento a Direcção-Geral da Concorrência  (que avalia as ajudas estatais) exigia um desfecho para o banco que garantisse o pagamento da dívida ao Tesouro. A Comissão nunca concordou com o plano de recapitalização do Banif e em Dezembro de 2012 já tinha mesmo defendido a sua liquidação.

Em Julho de 2015, Bruxelas abriu uma investigação aprofundada ao auxílio de Estado no Banif, mas em Dezembro, quando aprovou uma ajuda adicional de até 3 mil milhões de euros para a resolução do banco, bem como a venda dos seus activos ao Santander, admitiu retirar este procedimento.

Além de constatar que “não foi concedido nenhum auxílio no processo de venda ao comprador”, Bruxelas “também aprovou finalmente o auxílio de 1,1 mil milhões de euros que Portugal tinha concedido ao Banif em Janeiro de 2013, o qual tinha sido aprovado, na altura, apenas temporariamente pela Comissão enquanto auxílio de emergência”, referia o comunicado de 21 de Dezembro de 2015.

“Isto significa que a Comissão pode retirar o procedimento formal de investigação sobre essas medidas a que dera início em Julho de 2015”, acrescentava a nota do executivo comunitário.

Santander Totta compra a Gamma

Terça-feira, Junho 28th, 2016

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Económico

No âmbito de um processo competitivo, celebrou no passado dia 17 de Junho de 2016 com o Banif – Banco de Investimento, um contrato de compra e venda da totalidade das acções representativas do capital social da Gamma. O Banif – Banco de Investimento também está à venda.

O banco liderado por António Vieira Monteiro confirmou a compra da Gamma, uma sociedade que essencialmente titulariza créditos que eram do Banif, à Oitante, que tinha sido avançada em primeira-mão pelo Economico.

O Banco Santander Totta comunicou hoje ao mercado, que, “no âmbito de um processo competitivo, celebrou no passado dia 17 de Junho de 2016 com o Banif – Banco de Investimento, um contrato de compra e venda da totalidade das acções representativas do capital social da Gamma – Sociedade de Titularização de Créditos, S.A., uma sociedade de titularização de créditos registada junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e respectivos créditos por prestações acessórias”. O preço não foi avançado.

A Gamma é uma sociedade que essencialmente realiza emissões de obrigações titularizadas, que tinha como principal cliente o Banif e que ficou na Oitante na resolução – é uma sociedade que interessa ao Banco Santander Totta precisamente porque tendo este ficado com os activos (créditos) do Banif, não possui nenhuma sociedade com essa actividade de securitização de créditos.

A Gamma tem cerca de 6,3 milhões de euros de capitais próprios e em 2014 realizou três emissões de obrigações titularizadas, num montante global de aproximadamente 1.900 milhões de euros. As carteiras de crédito cedidas à Gamma para serem titularizadas, eram essencialmente originadas pelo Banif. No primeiro semestre de 2015 a Gamma apresentou resultados líquidos de 287,9 mil euros.

A concretização desta aquisição encontra-se dependente da verificação de condições usuais neste tipo de operações, nomeadamente a obtenção das autorizações que se mostram necessárias junto das respectivas autoridades competentes.

A Oitante, lideradapor Miguel Barbosa, também tem em processo de venda o Banif Banco de Investimento.

A venda do banco de investimento pela Oitante já vai na segunda fase. A N+1 escolheu uma short-list onde estão incluídos a Cabot Square (que está prestes a concluir a compra da Montepio Crédito) e a Patris. Os candidatos irão fazer as propostas vinculativas até 30 de Junho.

Oitante vai vender créditos de 69 milhões por 24 milhões, confirma BdP

Quarta-feira, Junho 15th, 2016

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Dinheiro Vivo

Comissão de Trabalhadores da Oitante aponta que pacote de créditos em causa vale 426 milhões e vai ser vendido por 24 milhões –

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, confirmou que a Oitante, sociedade resultante da resolução do Banif e que herdou nessa operação os ativos rejeitados pelo Santander, está prestes a fechar a venda de um conjunto de créditos por 24 milhões de euros.

O supervisor recusou no entanto que este preço represente um desconto de 94% no valor real destes ativos. No início de maio, a Comissão de Trabalhadores (CT) da Oitante pediu à administração da sociedade “a imediata suspensão” da venda deste bloco de créditos, assegurando que o mesmo está avaliado em 426 milhões de euros. Já Carlos Costa, que hoje esteve pela terceira vez na comissão de inquérito ao Banif, recusou que aquele número represente o valor dos ativos em causa.

“As decisões da Oitante estão sujeitas à verificação do Banco de Portugal sempre que o montante em causa seja significativo ou parta de um ‘haircut’ superior a 50%”, começou por dizer. Confrontado com as declarações dos trabalhadores da Oitante sobre valor do pacote de créditos em causa, Carlos Costa explicou que os créditos integrados neste bloco de venda “não têm colateral e já foram objeto de imparidades em valor bastante elevado, pelo que o seu valor, líquido de imparidades, é bastante baixo”, recusando que o negócio vá ser fechado com um desconto de 94%.

“O que está neste momento em causa é vender uma carteira de créditos vencidos, sem colateral, e com um valor contabilístico de 69 milhões de euros e que vão ser vendidos por 24 milhões. Não é um desconto de 90% como dizem”, referiu aos deputados. Em causa está um negócio que de acordo com os trabalhadores da Oitante inclui “a alienação de cerca de 426 milhões de euros de créditos vencidos”, sendo que a estrutura representativa dos trabalhadores assegura que neste pacote estão tanto créditos com colateral e sem colateral (Unsecured NPL e Secured NPL).

Na posição assumida em maio pela CT, o negócio é mesmo “ruinoso, altamente lesivo dos interesses da Oitante, dos seus trabalhadores e dos contribuintes em centenas de milhões de euros”.

Patris e Cabot Square na corrida ao Banif Banco de Investimento

Segunda-feira, Junho 13th, 2016

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Económico

A venda do banco de investimento pela Oitante já vai na segunda fase. A N+1 escolheu uma short-list onde estão incluídos a Cabot Square (que está prestes a concluir a compra da Montepio Crédito) e a Patris. Os candidatos irão fazer as propostas vinculativas até 30 de Junho.

A Patris, de Gonçalo Pereira Coutinho, e a Cabot Square – que esteve na corrida ao Activo Bank (e que entretanto deixou de estar à venda pelo BCP) e que está em fase final de conclusão da compra do Montepio Crédito – estão na segunda fase do processo de compra do Banif Banco de Investimento, soube o Económico.

A boutique financeira N+1, que é quem está a montar a operação de venda do banco que está na esfera da Oitante, escolheu uma short-list para a segunda fase da venda do banco de investimento que foi do Banif, disse fonte familiarizada com o processo.

Nessa lista estarão ainda a Oak Tree, a Centerbridge e um grupo chinês, mas não foi possível obter confirmação destes interessados.

As propostas vinculativas têm de ser entregues até 30 de Junho.

Para além da espanhola N+1, a Oitante tem a assessoria jurídica da Linklaters.

A Patris tem protagonizado algumas aquisições nos últimos anos, tendo comprado a Real Vida, a corretora Fincor, a BPN Gestão de Activos. Esteve também na corrida ao Efisa, mas foi escolhida a sociedade Pivot SGPS do grupo Aethel Partners.

A Cabot Square, gestora de fundos inglesa, está na fase final, segundo fontes, das negociações para ficar com o Montepio Crédito.  A Cabot Square tem na sua carteira o BPN Crédito (agora 321 Crédito) e esteve na corrida à compra do ActivoBank do BCP, mas o banco liderado por Nuno Amadoanunciou que desistia da venda.

O banco de investimento que está a ser vendido tem capitais próprios acima de 20 milhões de euros, depois de um aumento de capital (de 29,4 milhões) feito no âmbito da Resolução do Banif – para compensar os impactos da saída da instituição do perímetro do Banif. O reforço foi feito através da conversão de dívida e de depósitos – o Banif Banco de Investimento ficou com um capital social de 114,4 milhões de euros.

Desse aumento de capital feito em Janeiro, cerca de 15 milhões de euros corresponderam a dívida emitida pela instituição e que estava na carteira do Banif, mas que passou para a Naviget (que depois passou a chamar-se Oitante) no contexto da medida de Resolução aplicada ao banif em Dezembro do ano passado, uma vez que o Santander Totta recusou ficar com as operações intra-grupo. Os restantes 14,44 milhões de euros resultaram da conversão de depósitos que esse veículo tinha no banco de investimento e que herdou do Banif.

A Oitante tem no seu universo de activos para vender sociedades como o Banif Gestão de Activos; o Banif Fundos de Investimento Imobiliários; a Gamma – Sociedade de Titularização de Créditos; a Banif Capital de Risco e a Banif Sociedade Gestora de Fundos de Pensões.

A Companhia de seguros Açoreana foi vendida ao fundo norte-americano Apollo, processo que está na fase de aprovação pelas autoridades.

Há algumas propostas para a compra da Gamma, sociedade de titularização de créditos, nomeadamente a do Santander Totta que ficou com o negócio bancário que era do Banif, banco comercial. Pois a maior parte dos créditos titularizados pela Gamma foram originados no Banif.

A Oitante, cujo Conselho de Administração é liderado por Miguel Barbosa.

As mais-valias da venda dos activos da Oitante revertem para o Fundo de Resolução e não para o Estado. Porque o veículo de gestão de activos só podia ser constituído pelo Fundo de Resolução em ambiente de Resolução.

Na Comissão de Inquérito ao Banif, António Varela, ex-administrador do banco por conta do Estado, disse que era expectável que o encaixe da venda de activos acima do valor que foi injectado pelo Fundo de Resolução, 489 milhões de euros, venha a ser canalizado para amortizar o custo do Estado com a Resolução. “Será encontrada uma solução para canalizar o restante encaixe para o Estado”, disse o ex-gestor do Banif e ex-administrador do Banco de Portugal (que se demitiu este ano) na CPI ao Banif.

Proposta da Apollo pelo Banif podia chegar aos 200 milhões mas tinha três condições

Quarta-feira, Maio 25th, 2016

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Negócios

A Apollo poderia reverter a aquisição do Banif ou baixar o preço proposto caso não se cumprissem determinadas condições. Uma delas era a aprovação por um comité do fundo que poderia rejeitar a proposta.

A última proposta que a Apollo fez pelo Banif podia ascender aos 200 milhões de euros, acima dos 150 milhões pagos pelo Santander Totta. Contudo, havia três condições que poderiam ditar a inviabilidade do negócio, segundo explicou Gustavo Guimarães, no Parlamento, ao que apurou o Negócios.

A audição de Gustavo Guimarães, consultor sénior do grupo Apollo, dono da Tranquilidade, foi esta terça-feira, 24 de Maio, realizada à porta fechada, por questões de confidencialidade. No depoimento que deixou na comissão de inquérito, segundo informações recolhidas pelo Negócios, o gestor explicou que o grupo americano, que representa vários tipos de investidores, entrou no processo de compra do Banif por convite da N+1, a consultora espanhola que estava a assessorar o Banif.

A proposta inicial da Apollo foi apresentada na madrugada de dia 19 de Dezembro e era não vinculativa – o motivo pelo qual o Governo e o Banco de Portugal explicaram para não ser aceite no concurso de venda. Havia a possibilidade de capitalização em 250 milhões de euros, que poderia ser um investimento feito em parceria com investidores privados interessados. A oferta visava um preço entre os 100 e os 150 milhões de euros pelo Banif mas havia uma possibilidade: no prazo de dois anos, o fundo poderia devolver crédito malparado até 1,5 mil milhões de euros.

Aliás, uma das três condições definidas na proposta era que a Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia aprovasse esta eventual retransmissão de activos para a esfera do Estado. Além disso, a Apollo queria fazer uma “due dilligence” posterior à aquisição, um processo de análise criteriosa do que iria comprar, para confirmar o processo. Também pretendia sujeitar a oferta à aprovação do comité que analisa os investimentos, ou seja, podia voltar atrás se houvesse chumbo.

A proposta seguiu mas ao longo de 19 de Dezembro – apesar de estar já em preparação a resolução (implicando a venda com perdas para accionistas e credores com dívida subordinada) – foi pedida uma nova proposta. A Apollo subiu o intervalo de preço: o montante poderia variar entre os 100 e os 200 milhões de euros. Mas as três condições mantiveram-se.

A oferta não avançou. O Santander, o Popular e a JC Flowers também tinham apresentado propostas – o presidente da administração do Popular, Carlos Álvares, remeteu todas as decisões de aquisição para Madrid, pelo que não deu muitas respostas aos deputados. O  processo de venda do Banif não seguiu em frente e avançou sim a resolução já que todas implicavam a ajuda estatal. Acabou por haver uma resolução a 20 de Dezembro, com a venda por 150 milhões de euros ao Santander Totta e a injecção estatal de 2.255 milhões de euros para a divisão dos activos entre o banco de capitais espanhóis e o veículo Oitante.

Oferta de compra do Banif pelo Banco Popular foi feita em Madrid

Quarta-feira, Maio 25th, 2016

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Público

Presidente da instituição no mercado nacional refere que negócio correu à margem da operação em Portugal.

A negociação para a compra do Banif foi liderada pela casa-mãe, em Madrid, começou por explicar o presidente do Banco Popular em Portugal, Carlos Manuel Álvares, que nesta terça-feira prestou esclarecimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão e colapso do Banif.

A negociação para a compra do Banif foi liderada pela casa-mãe, em Madrid, começou por explicar o presidente do Banco Popular em Portugal, Carlos Manuel Álvares, que nesta terça-feira prestou esclarecimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão e colapso do Banif.

“Sabia que a operação estava a decorrer, mas não participei em reuniões onde foi desenvolvida”, afirmou o gestor, tendo “o processo sido liderado pela casa-mãe em Espanha” e “pelo departamento de operações de fusões e aquisições”.

Nota que por esta razão tem dificuldade “em falar especificamente sobre momentos, ocorrências e datas relacionadas com este dossier em concreto”.

Carlos Álvares evoca que, a 16 de Dezembro de 2015, fez chegar ao Ministério das Finanças, “e só ao Ministério das Finanças, e a mais lado nenhum”, um documento, com “duas ou três folhas A4”, dentro “de um envelope fechado”. Nele havia “uma proposta não assinada, em inglês, e onde constam as condições em que o Banco Popular estaria disponível para comprar o Banif”.

Foi este “o meu envolvimento” e “não tenho mais nenhum conhecimento”, frisou, garantindo que “não leu o documento”. Só a 18 de Dezembro o Banco Popular Espanha fez uma oferta de aquisição do Banif, que não passou pela sucursal portuguesa.

Na fase inicial, Carlos Álvares pediu para fazer um enquadramento (que leu) da operação do Popular em Portugal, aproveitando para explicar que em meados de 2004 o grupo espanhol adquiriu o BNC, dando “um salto”. E que, a partir daí, tem estado focado “no crescimento orgânico sem descurar as oportunidades que possam existir para crescer por via de aquisições”.

Referiu que quando assumiu funções de presidente executivo do Popular em Portugal foi a Espanha, onde o presidente do grupo lhe disse que “não descurava” estudar oportunidades de aquisição.

Foi neste quadro que o convite das autoridades nacionais para o grupo espanhol apresentar uma oferta de compra do Banif, em Dezembro de 2015, seria aceite.

Carlos Alvares, que se faz acompanhar de três assessores, reafirmou que todo o processo decorreu à margem do Banco Popular Portugal que serviu “de caixa de correio” o que justificou repetidos “desconheço”.

Admitiu, no entanto, que quando o processo passou (entre 18 e 19 de Dezembro) de uma venda do Banif para uma intervenção (via resolução), a casa-mãe, em Madrid, não terá concretizado uma oferta de compra, por ser “muito conservadora”.

A outra audição agendada para a tarde desta terça-feira (17h30), de Gustavo Guimarães, decorrerá à porta fechada, a pedido do representante da Apollo Management, que chegou ao Parlamento acompanhado pelo advogado Luís Cortes Martins.